Dionaldo Morinigo é suspeito de fugir após colisão que deixou adolescente gravemente ferido e tentar “resolver” a ocorrência com policial
Mantido em prisão preventiva pela Justiça neste domingo (20), o vereador e subtenente do Corpo de Bombeiros Dionaldo Morinigo, de 49 anos, é investigado após se envolver em um acidente de trânsito em Ponta Porã, fugir do local sem prestar socorro e, segundo os autos, tentar oferecer uma forma de resolver a situação diretamente com um policial.
O acidente aconteceu na noite de sexta-feira (18). Segundo a investigação, Morinigo dirigia uma Toyota Hilux quando passou em alta velocidade por uma lombada e atingiu a lateral de uma Volkswagen Saveiro. O motorista do outro veículo, um adolescente de 17 anos, ficou desacordado e foi encaminhado ao Hospital Regional em estado grave.
Depois da colisão, Morinigo teria deixado o local. Um escrivão da Polícia Civil que presenciou o acidente acompanhou a caminhonete por cerca de dois quilômetros até conseguir fazer a abordagem.
Polícia relata tentativa de “resolver” ocorrência
Durante a abordagem, conforme o registro policial, Morinigo informou que era bombeiro e vereador. Ainda segundo o relato do escrivão, o vereador perguntou se seria possível “resolver ali” a situação sem envolver os órgãos policiais.
A fala foi interpretada pela investigação como uma possível tentativa de suborno. O policial também relatou que Morinigo teria feito ameaças e dito que iria “pegá-lo depois”.
A defesa contesta essa versão. O advogado Marcos Ivan afirma que não há provas de que o vereador tenha tentado subornar o policial e classifica o episódio como uma discussão ocorrida durante a prisão.
Suspeita de embriaguez também é investigada
Morinigo se recusou a realizar o teste do bafômetro. De acordo com os registros policiais, os agentes identificaram sinais como hálito etílico, agressividade, exaltação e desordem nas vestes. Latas de cerveja também teriam sido encontradas dentro da caminhonete.
O vereador foi preso em flagrante e passou a responder por suspeitas que incluem lesão corporal no trânsito, corrupção ativa, desacato e ameaça, além da fuga do local do acidente.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul pediu a conversão da prisão em flagrante para preventiva. A Justiça considerou que as circunstâncias do caso justificavam a manutenção da prisão e que medidas alternativas não seriam suficientes neste momento.
Justiça suspende porte de arma
Durante a audiência de custódia, realizada neste domingo, Morinigo afirmou ter sofrido violência durante a prisão. Diante do relato, o juiz determinou o encaminhamento do caso ao Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), que deverá apurar a denúncia.
A Justiça também suspendeu o porte de arma do vereador e manteve apreendida uma pistola Sig Sauer calibre 9 mm.
O Comando-Geral do Corpo de Bombeiros foi comunicado para tomar as medidas administrativas relacionadas ao caso.
Defesa pede liberdade
A defesa informou que pretende pedir a liberdade provisória do vereador na segunda-feira (21). O advogado também afirmou que poderá solicitar medidas cautelares alternativas à prisão.
“A defesa entende que o flagrante está exacerbado, porque não existe prova de ter ingerido bebida alcoólica, não existe prova de ter tentado subornar. O que houve foi uma discussão com o policial civil quando da tentativa da prisão”, afirmou Marcos Ivan.
Segundo o advogado, Morinigo pretende responder ao processo em liberdade e apresentar os esclarecimentos sobre as acusações.
O PDT, partido do vereador, informou que lamenta o ocorrido e que acompanhará o andamento do caso e a apuração pelas autoridades.
As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias do acidente, a conduta após a colisão e os demais fatos registrados no procedimento.


