O candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, promoveu uma transmissão ao vivo com apoiadores na última quinta-feira, 1º, logo após a confirmação de que o esperado debate entre os presidenciáveis na TV Globo não aconteceria. A suspensão do evento ocorreu a apenas três dias do primeiro turno das eleições de 2026, impulsionada pelas ausências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do próprio senador, além de ordens judiciais recentes.
Reações às decisões judiciais
Durante o encontro virtual, o parlamentar direcionou duras críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A emissora carioca cancelou o programa após receber duas notificações judiciais que alteravam as normas estabelecidas inicialmente para o confronto político.
A primeira ordem partiu da ministra Stella Aranha, do TSE, atendendo a um pedido da coligação de Lula para invalidar a regra que previa a manutenção de um púlpito vazio com identificação para o candidato ausente, além de proibir perguntas direcionadas a ele. A segunda notificação veio do ministro Gilmar Mendes, do STF, a pedido do partido Solidariedade, determinando a inclusão de Renan Santos, do partido Missão, nas horas que antecediam o programa.
Diante do cenário, a emissora divulgou uma nota oficial justificando que “recebeu duas notificações relacionadas à realização do debate presidencial programado para esta noite, que interferem nas regras previamente acordadas, e decidiu por seu cancelamento”. O comunicado detalhou as decisões assinadas por Stella Aranha e Gilmar Mendes.
Transmissão com aliados e foco no Senado
Aproveitando o espaço digital em seu canal de campanha, Flávio reuniu diversos nomes fortes da política nacional, incluindo postulantes ao Senado como Guilherme Derrite (PP), Marcel Van Hattem (Novo), Carlos Bolsonaro (PL), Carol de Toni (PL), Hélio Lopes (PL) e Ubiratan Sanderson (PL), além de candidatos a deputado federal como Carlos Jordy (PL-RJ). O presidenciável incentivou os eleitores a votarem em seus aliados legislativos para fazer frente ao Supremo.
O candidato também garantiu que pretende “indicar ministros para Suprema Corte, homens e mulheres, que sejam decentes, que tomem decisão conforme a lei, conforme a Constituição”. Como o processo de impeachment de magistrados do STF depende primeiramente do Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados, a bancada legislativa é vista como estratégica por diferentes correntes políticas.
Propostas econômicas e agronegócio
Na segunda parte da live, o foco mudou para a economia e o setor agrícola. O senador contou com a participação dos ex-ministros do governo de Jair Bolsonaro (PL), Tereza Cristina (Agricultura), atual senadora pelo PP-MS, e Adolfo Sachsida (Minas Energia). Empunhando simbolicamente uma tesoura, o candidato prometeu implementar cortes de tributos e reduzir a burocracia estatal em uma eventual gestão.
“Antes do principal momento da campanha, com milhões de pessoas querendo tomar decisão, decisões seguidas instauraram a censura nas eleições. A proibição de se mostrar púlpito do candidato ausente lula, futuro ex-presidente do Brasil. Pior, determinando que os candidatos presentes não fizessem perguntas ao Lula. Em função das interferências, a Globo resolveu cancelar (o debate)”, afirmou Flávio no início da transmissão.
“Lula não vai aos debates e usa seus amigos no Judiciário para impor censura”, concluiu o senador.
Fonte: Revista Veja


