Portal E-Brasil

Doença de Creutzfeldt-Jakob registra 547 confirmações em 16 anos no Brasil

Doença de Creutzfeldt-Jakob registra 547 confirmações em 16 anos no Brasil

O falecimento do criador de conteúdo e especialista em aviação Lito Sousa, aos 59 anos, na noite de quinta-feira (1º), trouxe à tona a gravidade da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). O diagnóstico ocorreu poucas semanas antes de sua morte, evidenciando a evolução veloz e invariavelmente fatal dessa condição médica extremamente rara que costuma se manifestar de maneira espontânea.

Panorama das notificações oficiais no país Conforme dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 1.576 notificações de casos suspeitos entre 2005 e período equivalente, visto que a enfermidade integra a Lista Nacional de Doenças de Notificação Compulsória desde 2005. Desse total, apenas 547 ocorrências foram efetivamente confirmadas por exames laboratoriais.

São Paulo lidera o ranking nacional com 202 confirmações, seguido por Minas Gerais, com 57 registros, e o Paraná, que contabiliza 44 casos positivos. Quando avaliadas todas as suspeitas notificadas, o estado paulista concentrou 32,5% dos registros, enquanto o território paranaense somou 12% e os mineiros representaram 10% do total.

Desafios no diagnóstico e subnotificação Especialistas apontam que a raridade da patologia favorece a confusão de seus sintomas com outras disfunções neurodegenerativas mais comuns, a exemplo do mal de Alzheimer e do Parkinson. Essa similaridade clínica gera um cenário de potencial subnotificação em diversas regiões brasileiras.

Além disso, a confirmação definitiva da DCJ esbarra em barreiras metodológicas. Como a enfermidade apresenta riscos severos, a realização de exames conclusivos — como a biópsia cerebral, frequentemente executada apenas após o falecimento — é pouco usual. Dessa forma, a maioria dos diagnósticos permanece no estágio de suspeita fundamentada em avaliações de imagem e sintomas clínicos.

A natureza dos príons e a origem da enfermidade A condição é provocada por príons, definidos pela ciência como “partículas proteicas infecciosas”. Tratam-se de estruturas menores que os vírus, formadas estritamente por proteínas que podem atuar como agentes infecciosos e desencadear graves danos cognitivos e motores.

Estudos indicam que cerca de 90% dos pacientes acometidos morrem no período de um ano após o surgimento inicial dos sintomas. O enfrentamento aos príons representa um obstáculo científico significativo, uma vez que são extremamente resistentes a métodos convencionais de esterilização, inutilizando até mesmo instrumentos cirúrgicos utilizados em doentes.

Cerca de 85% dos episódios ocorrem de maneira espontânea e sem motivo evidente, enquanto quase a totalidade restante possui fundo hereditário. Quadros de transmissão por manuseio de equipamentos contaminados em procedimentos neurológicos ou pela ingestão de carne de gado com a versão bovina da enfermidade (conhecida como “vaca louca”) são extremamente raros, não havendo registros no Brasil de contaminação por via alimentar.

Fonte: Revista Veja Saúde

Arquivos Relacionados

Deixe um comentário