Buracos, lama e poeira dificultam circulação em bairros da Capital, enquanto obras anunciadas pela prefeitura ainda enfrentam entraves
Buracos, lama e poeira fazem parte da rotina de moradores de diferentes bairros de Campo Grande que aguardam há anos pela pavimentação das ruas. Em alguns trechos, as condições dificultam a passagem de carros, motos, bicicletas e até de pessoas com mobilidade reduzida, além de aumentarem o risco de acidentes.
Na Vila Manoel da Costa Lima, moradores relatam que os buracos prejudicam o acesso a um condomínio e ao Centro de Atendimento à Mulher. O policial militar da reserva Claudinei Braz afirma que o problema persiste há cerca de seis meses, apesar de a prefeitura já ter sido comunicada.
Segundo ele, o movimento de veículos é intenso na região, inclusive de ônibus e micro-ônibus. Em alguns pontos, motoristas precisam passar pela contramão para evitar os buracos, aumentando o risco de colisões.
A encarregada de recursos humanos Claudia Clixto conta que sofreu um acidente ao tentar entrar no condomínio. Ela reduziu a velocidade e sinalizou a conversão, mas um motociclista que vinha próximo não conseguiu frear e bateu no carro.
Santa Emília convive com lama e poeira
No bairro Santa Emília, a situação também se repete. A Rua Coronel Adalto Barbosa, localizada perto de uma escola, não tem pavimentação.
Nos períodos de seca, a poeira entra nas casas. Quando chove, a situação muda completamente e a lama toma conta da rua, chegando aos imóveis.
A empresária Juliana Torres de Souza Silva afirma que o problema afeta principalmente famílias com crianças pequenas e pessoas que enfrentam problemas respiratórios.
Depois de temporais, moradores e comerciantes precisam limpar a sujeira deixada pela água. Em alguns trechos, os motoristas precisam fazer manobras para não atolar, enquanto valetas e desníveis dificultam até o acesso às garagens.
Cansados de esperar, moradores passaram a tapar os buracos por conta própria.
Espera pela pavimentação passa de 50 anos
Segundo moradores do Santa Emília, a espera pelo asfalto já dura mais de cinco décadas. Apenas as ruas utilizadas pelo transporte coletivo receberam pavimentação.
Mesmo após o anúncio de novas obras pela Prefeitura de Campo Grande, parte dos moradores prefere aguardar o início efetivo dos trabalhos antes de considerar que a promessa será cumprida.
Solange Xavier vive no bairro há 13 anos e afirma que ouve promessas de pavimentação desde que chegou à região.
Em outro trecho, Giovanni conta que precisou trocar de carro porque o veículo anterior não conseguia passar pelo desnível em frente à residência. Segundo ele, quando chove, a água abre uma valeta na rua.
Os próprios moradores colocaram cascalho para tentar melhorar a passagem.
Aero Rancho também aguarda pavimentação
O Aero Rancho ficou fora do pacote de obras anunciado pela prefeitura, mas moradores do bairro também enfrentam problemas semelhantes.
Nival Medeiros dos Santos vive na região há mais de 40 anos e utiliza muletas. Segundo ele, as condições das ruas dificultam a circulação de idosos, cadeirantes e outras pessoas com mobilidade reduzida.
Na Rua Bueno, Diego Carvalho de Souza relata que convive com a falta de pavimentação há anos. Segundo ele, a promessa de asfalto é repetida, mas a obra continua sendo adiada.
Prefeitura anunciou obras em 29 bairros
Em agosto, a Prefeitura de Campo Grande anunciou um pacote de pavimentação que contempla 29 bairros. O programa prevê 16 lotes de obras nos bairros Guanandi 2, Jardim Noroeste, Jardim Tarumã, Losão, Los Angeles, Coophavila 2 e Santa Emília.
Segundo a prefeitura, 12 empresas de engenharia serão responsáveis pelos trabalhos, que incluem pavimentação e sistemas de drenagem. A previsão é de melhorias em mais de 80 quilômetros de ruas.
As obras terão fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS).
Apesar do anúncio, moradores ainda aguardam o início dos trabalhos em diversos pontos. Solange afirma que prefere esperar as máquinas chegarem para considerar que a pavimentação realmente começou.
Quatro lotes estão sob análise do TCE-MS
Dos 16 lotes anunciados, quatro estão sob análise do Tribunal de Contas do Estado. Segundo o órgão, em dois casos a Prefeitura de Campo Grande ainda não havia formalizado a contratação.
Nos outros dois processos, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) suspendeu os procedimentos para realizar ajustes técnicos.
Os processos estão na divisão de engenharia do tribunal, que analisa as informações apresentadas pela prefeitura.
Enquanto os procedimentos avançam, moradores continuam enfrentando períodos de chuva e seca nas ruas sem pavimentação. Até o momento, não há uma data definida para a execução das obras nos trechos que permanecem sem asfalto.


