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Papa Leão XIV opera o pulmão; família tem histórico de câncer

Papa Leão XIV opera o pulmão; família tem histórico de câncer

O papa Leão XIV passou por um procedimento cirúrgico para a retirada do lobo inferior do pulmão direito após a identificação de um tumor maligno. Aos 71 anos, o líder da Igreja Católica enfrenta a sua primeira internação hospitalar desde a eleição papal, em um contexto em que a incidência de neoplasias na família imediata também se destaca.

Incidência de câncer entre os familiares do pontífice

O histórico de saúde dos parentes de primeiro grau de Leão XIV registra episódios recorrentes da enfermidade. Sua mãe, Mildred, faleceu vítima de câncer em 1990. Sete anos depois, em 1997, seu pai, Louis Prevost, morreu em razão de complicações associadas a um câncer de cólon e a problemas cardíacos. Além disso, o irmão mais velho do líder religioso, também chamado Louis Prevost, realiza tratamento contínuo contra um tumor diagnosticado em 2017.

Apesar desses antecedentes genéticos, o pontífice não possui histórico de tabagismo e sempre priorizou hábitos equilibrados. Praticante de atividades físicas como tênis e natação, ele chegou a ter acompanhamento de um profissional de educação física durante seu período como cardeal. No passado clínico relevante do papa, consta ainda uma internação em 1985, decorrente de um quadro de febre tifoide contraído durante missão no Peru.

Como foi a cirurgia e a descoberta da lesão

O problema foi detectado durante exames de rotina preventiva. No último domingo (11), durante pronunciamento na Praça de São Pedro, o pontífice comunicou a situação aos fiéis, adiantando que a alteração fora localizada “em um estágio muito inicial” e estava “bem delimitada”.

A intervenção ocorreu na tarde de terça-feira (13), no Hospital Policlínico Universitário Agostino Gemelli, na capital italiana. A operação durou aproximadamente 90 minutos e foi realizada por meio de vídeo, técnica minimamente invasiva que permitiu a ressecção do tecido pulmonar comprometido. A análise anatomopatológica confirmou a presença de adenocarcinoma pulmonar, variação frequente entre os tumores primários do órgão.

Após a operação, Leão XIV foi encaminhado ao quarto e apresentou uma evolução clínica favorável, tendo passado uma “noite tranquila”. As autoridades papais suspenderam todas as audiências e aparições públicas agendadas até o próximo dia 20 de outubro.

Perspectivas médicas e processo de reabilitação

De acordo com o médico Matthew Triplette, diretor médico do Programa de Rastreamento de Câncer de Pulmão do Fred Hutchinson Cancer Center, procedimentos desse perfil têm índices reduzidos de complicações pós-operatórias. O especialista apontou que a hospitalização habitual costuma durar poucos dias, prosseguindo com repouso domiciliar.

Triplette ressaltou que, nos quadros iniciais de câncer de pulmão de células não pequenas, a taxa de sobrevida livre da enfermidade em um intervalo de cinco anos costuma ultrapassar 80%. A estimativa é uma referência estatística global para diagnósticos precoces. A Santa Sé calcula que o papa precisará de cerca de uma semana de repouso hospitalar antes de retomar as atividades graduais.

Governança e reações da comunidade católica

Mesmo sob cuidados médicos ou anestesia, a autoridade canônica do pontífice permanece integral, visto que as diretrizes eclesiásticas não preveem mecanismos formais de transferência temporária do poder papal. Despachos diários seguem sob responsabilidade do corpo administrativo da Santa Sé, embora deliberações dependentes da assinatura direta do pontífice possam ser postergadas — conduta similar à adotada em internações dos papas João Paulo II e Francisco.

A notícia mobilizou fiéis e autoridades religiosas em diversas partes do globo. O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, expressou solidariedade e destacou a atitude do pontífice diante do diagnóstico:

“Todos ficamos impressionados com a serenidade com que o papa anunciou esse procedimento”, afirmou Parolin à imprensa italiana. “Esperamos que ele consiga resolver essa questão o mais rápido possível. Estamos confiantes, mas, naturalmente, estamos ao lado dele com nossas orações.”

Peregrinos presentes no Vaticano também manifestaram apoio público. O norte-americano Paul Kavulich, conterrâneo do pontífice vindo de Chicago, acompanhou as notícias enquanto visitava o local com a filha: “Estamos apenas torcendo para que o procedimento corra bem”.

Fonte: CNN

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