As vendas externas de carne de aves e mel do Brasil para a União Europeia devem ser reabertas em novembro, com a oficialização prevista para ocorrer em dezembro. A estimativa reflete o avanço positivo das negociações técnicas entre autoridades brasileiras e o bloco econômico.
Avanço nas negociações e cronograma de decisão
Durante a abertura do Salão Internacional Agroalimentar (Sial), em Paris, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Bili, comentou sobre a expectativa de retomada do comércio exterior do setor.
“Não souberam me precisar a data, mas estamos crendo que para dezembro essa decisão já esteja publicada e o Brasil poderia retomar as exportações de carne de aves e mel, que já foram muito grandes este ano”, afirmou.
A análise formal caberá ao Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff). O órgão tem reuniões agendadas entre os dias 20 e 21 de outubro e, posteriormente, em novembro. Segundo Augusto Bili, o primeiro encontro servirá para expor as conclusões dos auditores europeus sobre o sistema brasileiro.
“Eles confirmaram o relatório favorável, de que o Brasil cumpre a regulamentação de antimicrobianos. O relatório será apresentado Eles vão tomar conhecimento para decidir na reunião de novembro”, detalhou.
Histórico da suspensão e auditorias sanitárias
Os embargos do mercado europeu aos produtos de origem animal brasileiros vigoram desde 3 de setembro. O bloqueio foi fundamentado em supostas falhas na fiscalização do uso de medicamentos antimicrobianos nos plantéis nacionais, alegação que foi rebatida pelo governo federal e pelas entidades privadas.
Para averiguar os processos produtivos, inspetores europeus realizaram auditorias recentes nas cadeias de aves e mel no Brasil. As verificações atestaram que o país possui mecanismos eficientes para monitorar as substâncias e garantir a conformidade com as exigências sanitárias internacionais. A avaliação positiva também foi reiterada pelo comissário para o Comércio e Segurança Econômica da União Europeia, Maroš Šefčovič, que sinalizou a retomada das compras em curto prazo.
Repercussão no setor produtivo agropecuário
Representantes da indústria brasileira manifestaram otimismo quanto ao fim das restrições. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, ressaltou o cumprimento das normas rígidas e a manutenção da parceria histórica.
“O Brasil não tem nenhuma violação de nada para a Europa. Foi um problema burocrático e que, na nossa visão, já está resolvido. E vamos continuar essa parceria de muito tempo”, afirmou.
Embora a União Europeia represente aproximadamente 5% dos embarques de carne bovina do Brasil, o mercado é considerado essencial por balizar preços globais. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, enfatizou o empenho conjunto entre setor privado e poder público para solucionar o impasse.
“Estamos tentando dialogar com o governo europeu, junto com o governo brasileiro, para que se tire a restrição da União Europeia. Os governos estão conversando, os privados estão conversando para que a gente possa o mais raóido possível retomar o fluxo comercial”.
Com a apresentação do parecer técnico favorável, a expectativa dos exportadores é restabelecer os volumes normais de envio de proteína animal e produtos apícolas ao continente europeu até o final do ano.
Fonte: Globo rural


