Comemorado mundialmente em 31 de outubro, o Dia das Bruxas tem na abóbora esculpida o seu principal emblema visual, assim como as árvores iluminadas representam o Natal. A relação entre a hortaliça e a festividade remonta a antigas narrativas populares europeias que atravessaram séculos e oceanos.
Origem da lenda de Jack O’Lantern
Segundo uma das narrativas tradicionais, um fazendeiro irlandês conhecido como Jack O’Lantern conseguiu enganar o diabo em diversas ocasiões para capturá-lo, exigindo como resgate a promessa de que sua alma nunca seria levada após o falecimento.
Contudo, devido aos pecados cometidos em vida, ele teve a entrada negada tanto no céu quanto no inferno — este último cumprindo o pacto feito pelo diabo. Desde então, passou a vagar eternamente pela Terra carregando consigo uma brasa incandescente perpétua. A partir desse mito, moradores da Europa iniciaram a confecção das chamadas “lanterna de Jack” utilizando nabos para espantar espíritos malignos.
A versão do ferreiro e a chegada à América
Em um relato alternativo de origem irlandesa, o personagem era descrito como um ferreiro beberrão e trapaceiro chamado “Stingy Jack”, ou “Jack Pão-Duro”, que também logrou o diabo duas vezes antes de morrer sem destino espiritual, contou Nathan Mannion, curador sênior do EPIC Museu Irlandês da Emigração, em Dublin, à “National Geographic”.
Após a morte, o diabo teria tido compaixão e fornecido uma brasa de carvão para iluminar o nabo de Jack durante sua eterna caminhada entre mundos, originando as expressões “Jack da lanterna”, “Jack-of-the-Lantern” e “jack-o’-lantern”. Independentemente da ocupação original do protagonista, a lenda migrou para o continente americano, onde o nabo foi substituído pela abóbora na criação de faces aterrorizantes.
Impacto econômico bilionário da festividade
Nos países do Hemisfério Norte, a demanda por abóboras durante o mês de outubro exige safras agrícolas gigantescas. Nos Estados Unidos, cerca de 150 milhões de pessoas — quase metade da população do país — costumam esculpir o fruto anualmente para celebrar o evento.
As projeções da Federação Nacional do Varejo indicam que os gastos americanos com o Dia das Bruxas alcançarão US$ 11,6 bilhões, configurando o segundo maior patamar histórico, logo após o recorde de US$ 12,2 bilhões registrado no ano anterior. Desse total, somente as abóboras devem movimentar mais de US$ 760 milhões, conforme projeções da Finder.
O mercado britânico e a tradição no Reino Unido
A paixão pelas esculturas festivas também movimenta fortemente o Reino Unido, onde a produção anual atinge a marca de 10 milhões de unidades da hortaliça. Desse total, estima-se que aproximadamente 95% sejam convertidas em lanternas decorativas para o período festivo.
A evolução da festividade demonstra como uma antiga lenda celta sobre almas penadas se consolidou como um fenômeno cultural global de massa, impulsionando a economia agrícola e o setor varejista internacional todos os anos.
Fonte: Globo Rural

