Onde hoje funciona a movimentada Praça Ary Coelho, no Centro de Campo Grande, funcionou o primeiro cemitério do antigo Arraial de Santo Antônio durante o século XIX. Com a expansão do povoado, os sepultamentos foram transferidos para outras regiões, marcando o início da transformação da área em espaço público e revelando como os cemitérios da Capital acompanharam o desenvolvimento urbano ao longo das décadas.
A evolução dos cemitérios municipais A trajetória dos cemitérios públicos Santo Antônio, Santo Amaro e São Sebastião reflete diretamente o crescimento populacional e a reorganização do território urbano. Gerenciados pela prefeitura, esses três locais guardam monumentos, fotografias e túmulos que retratam os costumes e a identidade de várias gerações da sociedade campo-grandense.
“Preservar os cemitérios públicos de Campo Grande é valorizar a memória e a história da nossa cidade. Esses espaços guardam lembranças de gerações que contribuíram para a construção da nossa Capital e representam lugares de respeito às famílias e à memória de cada pessoa”, destaca o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão.
Da fundação à Praça Ary Coelho Na década de 1870, era comum que os locais de sepultamento ficassem próximos às igrejas e aos córregos Prosa e Segredo. Com o aumento da população e as questões sanitárias, a área central foi desativada, levando a necrópole para o bairro Amambaí e, posteriormente, entre 1913 e 1914, para a antiga Fazenda Bandeira, onde hoje opera o Cemitério Santo Antônio. O terreno foi doado por Amando de Oliveira, que também foi sepultado ali. O antigo cemitério central deu lugar a uma praça que, em 1954, foi batizada em homenagem ao ex-prefeito Ary Coelho.
Novos espaços e expansão urbana O avanço do século XX exigiu a criação de novas áreas para suprir a demanda da população em expansão. O Cemitério Santo Amaro foi inaugurado em 1961 na região oeste, enquanto o Cemitério São Sebastião, popularmente conhecido como Cruzeiro, consolidou-se na mesma época como um ponto essencial para os sepultamentos municipais.
Patrimônio e preservação histórica Além da função funerária, os locais abrigam figuras fundamentais, como o fundador José Antônio Pereira e a atriz Glauce Rocha, ambos sepultados no Santo Antônio. A gestão busca o reconhecimento dessas áreas como patrimônio cultural para viabilizar recursos de preservação.
“Preservar os cemitérios públicos de Campo Grande é manter viva a memória de quem construiu a história da nossa Capital. O reconhecimento do Cemitério Santo Antônio como patrimônio histórico, cultural e religioso também é uma estratégia importante para a gestão pública, porque abre possibilidades de buscar recursos e parcerias para a preservação desse patrimônio, envolvendo não apenas a infraestrutura, mas também áreas como cultura e turismo”, explica a gerente de Cemitérios Públicos Municipais da Sisep, Denisy Lima de Oliveira.
Manutenção e o Dia de Finados A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) realiza o trabalho contínuo de conservação e atendimento das demandas ambientais e estruturais desses espaços. Anualmente, no dia 2 de novembro, o Dia de Finados movimenta os três cemitérios com visitas, orações e homenagens. Ao preservar esses locais, Campo Grande resgata suas origens e honra as memórias que formaram a identidade da Capital.

