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Em MS, Paulo Cupertino é condenado por assassinato de ator

Em MS, Paulo Cupertino é condenado por assassinato de ator

Júri popular terminou com pena máxima em regime fechado; crimes foram motivados por ciúmes do relacionamento da filha com o ator.

Paulo Cupertino Matias foi condenado a 98 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato do ator Rafael Miguel e dos pais dele, João Alcisio Miguel e Míriam Selma Miguel, mortos a tiros em junho de 2019, na zona sul de São Paulo. O crime, que chocou o país, teve como motivação o inconformismo de Cupertino com o relacionamento da filha, Isabela Tibcherani, com o ator.

A decisão foi tomada pelo júri popular da 1ª Vara do Júri de São Paulo, presidido pelo juiz Antonio Carlos Pontes de Souza, após dois dias de julgamento. A sentença foi lida na última sexta-feira (30), sem a presença do réu no plenário. Os jurados — quatro homens e três mulheres — deram veredicto unânime pela condenação por triplo homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.

Crimes cometidos na frente da filha

De acordo com a sentença, Cupertino matou as vítimas na frente da própria filha, o que foi considerado um agravante. Os dois outros réus no processo foram absolvidos.

Durante o julgamento, a defesa tentou anular o processo, alegando “linchamento midiático” e alegando que o tempo foragido de Cupertino “não era uma confissão de culpa”. Nenhum dos argumentos foi aceito pelo juiz.

Relembre o caso

Em 2019, Rafael Miguel, conhecido por papéis em novelas como Chiquititas e comerciais de TV, foi assassinado junto com os pais após uma visita à casa da namorada. Paulo Cupertino, pai de Isabela, teria emboscado os três e disparado diversas vezes contra eles.

Após o crime, Cupertino fugiu e permaneceu foragido por quase três anos, sendo capturado apenas em maio de 2022, em Eldorado, no Mato Grosso do Sul, onde vivia sob o nome falso de Manoel Machado da Silva.

Escondeu-se em chácara no MS

Segundo o delegado Pablo Ricardo Campos dos Reis, da Delegacia de Eldorado (MS), Cupertino viveu discretamente no estado por cerca de 8 meses, atuando em um assentamento rural e mantendo um perfil discreto: “Saía apenas para ir à lotérica ou comprar cigarros”, disse o delegado. Durante a pandemia, usava máscara e barba longa, dificultando o reconhecimento.

As investigações indicam que Cupertino recebeu ajuda do dono da chácara onde trabalhava, Alfonso Helfenstein, um piloto de avião e também foragido da Justiça por tráfico de drogas. Alfonso já havia sido preso em 2008, por transportar 300 kg de maconha, e há registros de que ele e Cupertino tenham fugido juntos de avião pouco antes da prisão do réu.

Depoimentos emocionaram o júri

No tribunal, Cupertino chorou ao ouvir uma carta escrita por uma sobrinha, que foi lida por sua advogada. A defesa tentou humanizar a imagem do réu, chamando-o de “sonhador” e “homem de princípios”. No entanto, o depoimento da própria filha, Isabela, foi contundente: “Ele espancava minha mãe na nossa frente”, disse ela, se referindo ao histórico de violência doméstica.

A leitura da sentença foi acompanhada com comoção no tribunal e repercutiu amplamente nas redes sociais.

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