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Planta murta pode ser proibida em Campo Grande

Planta murta pode ser proibida em Campo Grande

Com o aumento da citricultura em MS, projeto de lei busca proibir o cultivo e a comercialização da murta, que é hospedeira do inseto transmissor da doença do greening, prejudicando as plantações de laranjas.

Campo Grande (MS) – Uma planta aparentemente inofensiva, muito utilizada em jardins urbanos pela beleza e o aroma de suas flores, pode estar com os dias contados em Campo Grande. A murta (Murraya paniculata), popularmente conhecida por adornar áreas residenciais e espaços públicos, está sendo alvo de um projeto de lei que tramita na Câmara Municipal, que visa proibir seu cultivo, comercialização, transporte e produção na cidade. A justificativa é que a planta, embora atraente, representa um grande risco para as plantações de cítricos do estado.

A proposta, que se alinha à legislação estadual vigente, busca combater a disseminação do greening (Huanglongbing – HLB), uma das doenças mais devastadoras para a citricultura mundial, que já afeta pomares em diversas regiões do Brasil, incluindo Mato Grosso do Sul. O greening é transmitido por um inseto chamado psilídeo, que utiliza a murta como hospedeira. Por isso, a proibição da planta é vista como uma medida urgente para proteger a produção de frutas como laranja, limão e tangerina no estado, além de garantir a saúde dos pomares.

A Murta: Aparência Inofensiva, Mas Grande Ameaça

A murta é uma planta comum em jardins de Campo Grande e de muitas cidades brasileiras. Ela é apreciada por suas pequenas flores brancas e folhas verde-escuras, o que a torna uma escolha popular para decorar ambientes urbanos. Entretanto, sua beleza esconde um risco significativo: a planta é a principal hospedeira do psilídeo Diaphorina citri, o inseto que transmite o greening.

Embora a murta em si não seja diretamente responsável pela doença, sua presença pode facilitar a disseminação do psilídeo, aumentando o risco de contaminação para as plantações de cítricos. Esse inseto se alimenta da planta e depois pode migrar para os pomares de laranja, tangerina e outros cítricos, levando o greening junto. A doença afeta a produção das árvores, comprometendo tanto a qualidade quanto a quantidade dos frutos, e em casos graves, pode até levar à morte das árvores.

Greening: O Perigo Real para a Citricultura

O greening, ou Huanglongbing (HLB), é uma doença bacteriana que atinge as plantas de citros e é considerada uma das mais prejudiciais para a agricultura mundial. Ela foi identificada pela primeira vez na Ásia, mas chegou ao Brasil em 2004, quando foi diagnosticada em São Paulo. Desde então, a doença se espalhou rapidamente para diversas regiões produtoras de cítricos no país, incluindo Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Goiás.

Os sintomas da doença incluem o amarelecimento das folhas, redução do tamanho dos frutos, que se tornam deformados e de sabor amargo, além da queda prematura dos frutos. Em estágios avançados, a planta pode morrer devido à destruição do sistema vascular, o que interrompe a nutrição da árvore. Não há cura conhecida para o greening, e a única forma de combater a doença é controlar a população do psilídeo transmissor, além de erradicar as plantas infectadas.

Em Mato Grosso do Sul, o greening já afeta pomares, especialmente nas regiões de Campo Grande, Sidrolândia e Terenos, onde a citricultura tem se expandido significativamente nos últimos anos. A crescente importância da produção de cítricos no estado, que inclui tanto o mercado interno quanto a exportação, torna o combate à doença ainda mais urgente.

A Proibição da Murta: Medida de Prevenção

O projeto de lei que está sendo debatido na Câmara Municipal de Campo Grande visa proibir o cultivo e a comercialização da murta na cidade. A proposta não só impede o plantio da espécie como também estabelece um plano de erradicação da planta, com o objetivo de erradicar a espécie em até dois anos após a aprovação da norma.

Além disso, o projeto sugere substituir a murta por plantas nativas ou outras espécies que não sirvam de hospedeiras para o psilídeo transmissor. O objetivo é eliminar a fonte de contágio do greening, protegendo assim as plantações de cítricos da região. A substituição da planta deve ser feita de maneira gradual, considerando as alternativas mais adequadas para os jardins urbanos e espaços públicos de Campo Grande.

O Impacto da Proibição

A proibição do cultivo da murta em Campo Grande representa um passo importante para a proteção da citricultura em Mato Grosso do Sul, mas também envolve desafios logísticos e educacionais. A medida pode afetar muitos proprietários de jardins e paisagistas que cultivam a planta por sua aparência e aroma agradáveis. Por isso, é fundamental que a proposta seja acompanhada de ações educativas, explicando a importância da erradicação da murta e oferecendo alternativas de plantas ornamentais que não representem riscos.

Além disso, o projeto visa alinhar Campo Grande às iniciativas estaduais já em vigor, que proíbem a comercialização e o transporte da murta em diversas regiões do estado. A expectativa é que, com a implementação da lei, a cidade contribua para a redução da disseminação do greening, ajudando a preservar a saúde dos pomares e garantir a sustentabilidade da citricultura local.

Conclusão: Protegendo a Citricultura e o Meio Ambiente

A proibição do cultivo e da comercialização da murta em Campo Grande é uma medida necessária para proteger as plantações de cítricos e minimizar os riscos de contaminação pelo greening. Ao adotar essa ação preventiva, a cidade contribui para a saúde da agricultura do estado e fortalece a produção de cítricos em Mato Grosso do Sul, um dos maiores polos da fruta no Brasil.

Além disso, a mudança poderá ajudar a conscientizar a população sobre a importância de combater a disseminação de doenças que afetam a agricultura e o meio ambiente, promovendo um manejo mais responsável e sustentável das plantas urbanas. A erradicação da murta, com a substituição por alternativas adequadas, será um grande passo na preservação da citricultura e no desenvolvimento de uma cidade mais sustentável e saudável para todos.

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Autoria: Sarah Pacini

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