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Líder de quadrilha é preso por lavagem de dinheiro

Líder de quadrilha é preso por lavagem de dinheiro

Empresário conhecido como “Peixe” usava empresas da esposa e de amigos para movimentar valores oriundos do tráfico de drogas e armas; operação mirou imóveis de luxo, veículos importados e contas bancárias.

Uma operação deflagrada pela Polícia Federal e Receita Federal na manhã desta quinta-feira (14), em Campo Grande, expôs o esquema sofisticado de lavagem de dinheiro comandado por William Alves Ribeiro, conhecido como “Peixe”. Apontado como o líder de uma organização criminosa com ramificações interestaduais, William foi preso no condomínio de luxo Damha II, onde morava com a esposa, Nadja Tybusch Ribeiro. O casal é proprietário de empresas de transporte, personalização de luxo e também mantém um haras com cavalos avaliados em até R$ 250 mil.

A operação Contra-Ataque III cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão em residências, empresas e propriedades rurais, incluindo o haras da família Ribeiro. As investigações revelam que William utilizava empresas próprias, da esposa e de amigos próximos para lavar dinheiro obtido com o tráfico de entorpecentes e o comércio ilegal de armas.

Ao perceber a chegada dos agentes federais em sua residência, William tentou se desfazer de provas, quebrando o próprio celular e jogando o aparelho no telhado. No entanto, o dispositivo foi recuperado e será submetido à perícia para análise das conversas e transações suspeitas.

Entre os alvos da operação, constam as empresas WR Martelinho Express Ltda., Embaplast e o Ateliê da Nana, de propriedade de Nadja. Todas estão registradas em Campo Grande, mas operavam sem lastro fiscal compatível com os altos volumes financeiros movimentados. A PF aponta que essas empresas eram usadas para “esquentar” o dinheiro oriundo do tráfico, simulando uma atividade legal.

Outro personagem-chave no esquema é Adalto Rodrigues de Souza Júnior, amigo íntimo de William e dono da Play Motors, garagem de veículos de luxo. A casa de Adalto, no Jardim Tijuca, foi alvo de busca, onde foram apreendidos diversos veículos de alto padrão, como Jeep Renegade, Jeep Compass, Hilux, jet ski, uma SW4 e um Camaro. Também foram recolhidas armas e munições, já que Adalto possui registro de CAC (Caçador, Atirador e Colecionador).

Na mesma operação, foi apreendida uma motocicleta de alta cilindrada e um Citroën na residência de William. Em outra frente, um veículo de transporte de animais com a inscrição “Família Ribeiro” também foi recolhido. O aparato demonstra o padrão de vida elevado mantido pela organização criminosa com recursos ilícitos.

A Receita Federal revelou que William mantinha contato direto com traficantes e utilizava os sócios das empresas investigadas para disfarçar os pagamentos provenientes das transações ilegais. Entre os envolvidos estão Welder Alves Ribeiro, conhecido como “Ninho” — irmão de William e dono da empresa Aliança Transporte, também investigada — e Rosany Larissa Aranda, companheira de Welder e proprietária da loja Lolya Moda.

De acordo com o delegado da PF, Glauber Mariano Ferreira, a operação visa desarticular o núcleo financeiro da quadrilha, interrompendo o fluxo de dinheiro que sustentava a estrutura criminosa. “A partir das provas obtidas em Minas Gerais, identificamos o braço financeiro do grupo em Campo Grande. Essas empresas eram responsáveis por lavar os valores oriundos da venda de drogas e armas”, explicou.

A investigação começou com o trabalho da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), em Uberaba (MG), que identificou a participação de fornecedores de drogas da capital sul-mato-grossense. Com base nisso, a 1ª Vara Criminal de Uberaba autorizou o compartilhamento de provas com a Superintendência da PF em Mato Grosso do Sul.

Durante a operação, também foram realizados bloqueios de contas bancárias e sequestro de imóveis pertencentes aos envolvidos. Os bens agora passam por análise detalhada para confirmar a origem dos recursos.

Outras empresas envolvidas e citadas nos mandados de busca incluem War Transportes, Conect Peças, Subprodutos Bovinos Ltda., Duas Nações Materiais para Construções, Stilo Diva e a já mencionada Play Motors. Na lista de investigados também estão empresários, motoristas e pessoas ligadas ao setor de transporte e estética, evidenciando uma ampla rede de lavagem de dinheiro que se infiltrava em diferentes setores da economia local.

A complexidade da operação e a variedade de alvos mostram que o grupo criminoso estruturou um sistema profissional para encobrir suas atividades ilegais. Com movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada das empresas, os envolvidos conseguiram ocultar durante anos os lucros milionários vindos do tráfico, até serem desmascarados com a ofensiva das forças federais.

A investigação continua e novas fases da operação não estão descartadas, já que a análise dos materiais apreendidos — celulares, computadores, documentos e veículos — deve revelar outros nomes e conexões da quadrilha.

Autoria: Sarah Pacini

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