Artista mato-grossense exibe obras que mesclam grafite, telas e instalações com fortes elementos contemporâneos

A partir desta quinta-feira, dia 4 de setembro, o público campo-grandense poderá conferir de perto a nova exposição da artista plástica e grafiteira Marilena Grolli, intitulada “Grolli: Entre o Urbano e o Íntimo”. A mostra será aberta oficialmente às 19h, na Casa de Cultura, com entrada gratuita, e ficará em cartaz até 10 de outubro de 2025. As visitas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, das 9h às 12h.
Conhecida por seu trabalho que transita entre as expressões da arte urbana e os códigos da pesquisa estética contemporânea, Grolli apresenta nesta exposição um recorte de sua trajetória artística marcada pela experimentação, profundidade simbólica e múltiplas camadas de leitura.
Trajetória e raízes artísticas
Nascida em Cáceres (MT) e radicada em Campo Grande (MS) desde a infância, Marilena Grolli tem se destacado no cenário nacional e internacional da arte visual. Graduada em Artes Visuais pela UFMS e pós-graduada em Arte e Educação, ela construiu uma carreira sólida ao longo de décadas, com obras expostas no Brasil e no exterior, reconhecimento em salões de arte e participação em importantes eventos culturais.
Sua trajetória não se limita à produção artística. Grolli atua também como curadora, professora e gestora cultural. Desde 2006, está à frente do Núcleo de Artes Visuais da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, onde desenvolve ações voltadas à valorização da arte local. É ainda integrante da Academia Feminina de Letras e Artes de MS, reforçando seu compromisso com a promoção das artes em múltiplas frentes.
Entre o concreto e o sensível
A exposição “Entre o Urbano e o Íntimo” propõe uma reflexão sobre os contrastes e conexões entre o espaço público e o universo pessoal. Composta por grafites, telas, instalações e obras com materiais diversos, a mostra convida o visitante a mergulhar em um território onde o concreto da cidade se entrelaça com a subjetividade do ser.
Os grafites apresentados extrapolam o muro como suporte tradicional e ganham novos contextos, ressignificando o espaço expositivo e rompendo barreiras entre arte de rua e galeria. Já as telas revelam uma artista madura, que domina a técnica e, ao mesmo tempo, se permite experimentar novas possibilidades de composição, cor e textura.
As instalações, por sua vez, funcionam como pontes narrativas entre os extremos temáticos da mostra. Elementos urbanos como ferragens, tecidos industriais e objetos cotidianos são reorganizados sob a ótica sensível da artista, que os transforma em símbolos de inquietações contemporâneas: identidade, pertencimento, silêncio, invisibilidade, e resistência.
Arte como ferramenta de diálogo
Para Grolli, a arte é antes de tudo uma forma de comunicação direta com o espectador, um caminho para provocar emoções, reflexões e trocas. “A arte urbana nasceu da necessidade de ocupar espaços que muitas vezes não nos pertencem oficialmente, mas que são nossos por direito. E quando essa linguagem é levada ao espaço expositivo, ela ganha novas camadas, cria outras leituras”, explica a artista.
Esse hibridismo entre o grafite e as artes plásticas mais tradicionais é justamente uma das marcas registradas de sua carreira. Ao mesmo tempo em que valoriza a estética das ruas, Grolli mergulha em estudos e experimentações visuais que a colocam no campo da arte contemporânea mais conceitual.
Compromisso com a formação e a cultura local
Além da produção artística, Marilena Grolli se destaca por seu compromisso com a formação de novos artistas e a valorização da cena local. Como professora e gestora cultural, ela tem contribuído significativamente para a criação de espaços de expressão e aprendizado, especialmente voltados às artes visuais.
“Campo Grande tem uma cena artística rica, mas muitas vezes invisibilizada. É fundamental criar pontes entre os artistas, os espaços culturais e o público”, defende. Nesse sentido, a exposição também cumpre uma função educativa e política, ao colocar a arte em diálogo com a cidade e suas transformações.
Programação paralela
Durante o período da mostra, a Casa de Cultura prevê uma programação paralela com atividades educativas e rodas de conversa. Oficinas sobre técnicas de grafite, visitas mediadas para escolas públicas e debates sobre o papel da mulher na arte urbana estão entre as ações planejadas para ampliar o alcance do projeto.
A expectativa é atrair não apenas o público já familiarizado com o trabalho de Grolli, mas também estudantes, pesquisadores, artistas iniciantes e moradores da cidade que queiram conhecer uma produção artística que nasce das ruas, mas alcança o coração da reflexão contemporânea.
Serviço
Exposição: “Grolli: Entre o Urbano e o Íntimo”
Artista: Marilena Grolli
Abertura: 4 de setembro de 2025, às 19h
Visitação: Até 10 de outubro | Segunda a sexta, das 9h às 18h | Sábados, das 9h às 12h
Local: Casa de Cultura (Campo Grande – MS)
Entrada gratuita
Autoria: Sarah Pacini
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