Moradores dos bairros Cabreúva e Nova Lima reclamam da demora nos reparos e denunciam transtornos causados por buracos abertos no asfalto

Em Campo Grande (MS), moradores dos bairros Cabreúva e Nova Lima convivem com um problema que vai além da simples infraestrutura urbana: buracos provocados por vazamentos de água transformaram trechos de ruas em verdadeiras “piscinas”, dificultando a mobilidade, colocando pedestres em risco e gerando preocupação com acidentes.
Segundo os relatos, a situação se arrasta há semanas sem solução definitiva, apesar dos inúmeros contatos com a empresa responsável pelo abastecimento e manutenção da rede de água, a Águas Guariroba.
No Cabreúva, cratera surgiu após vazamento
No bairro Cabreúva, a situação tem gerado indignação. O engenheiro Carlos Ernesto de Souza, de 44 anos, relata que o problema começou há cerca de duas semanas, quando um vazamento subterrâneo foi identificado. Poucos dias depois, equipes estiveram no local, mas em vez de resolverem definitivamente o problema, abriram um buraco ainda maior.
“Vieram e cavaram o buraco do tamanho de uma piscina há cinco dias. O local já estava complicado com o vazamento, agora virou um ponto de risco para qualquer pedestre ou motorista”, explicou Carlos.
A cratera, além de atrapalhar o tráfego de veículos, principalmente em horários de pico, expõe moradores e crianças a acidentes, principalmente durante a noite, quando a visibilidade é reduzida.
“Já acionei a empresa diversas vezes, sempre dizem que vão resolver, mas até agora nada foi feito. O problema só cresce”, reclamou.
Nova Lima enfrenta o mesmo cenário: buraco cresce a cada dia
Situação semelhante ocorre no bairro Nova Lima, onde o promotor de vendas Rudney Medina convive com o mesmo transtorno há quase um mês. O problema, segundo ele, também começou com um pequeno vazamento.
“Na época não havia buraco. Com o tempo e o tráfego constante de ônibus e caminhões, o asfalto foi afundando até virar essa cratera que está hoje”, relatou Rudney. “A água fica acumulada ali, como se fosse uma piscina. A cada dia o buraco aumenta mais, e nada é feito”, completou.
Ele também afirma que entrou em contato com a Águas Guariroba, mas não recebeu prazos concretos ou qualquer retorno efetivo sobre os reparos.
Empresa afirma que reparo ocorre em etapas
Procurada pela reportagem, a Águas Guariroba informou, por meio de nota, que já deslocou equipes de manutenção para os dois endereços citados. A concessionária explicou que o processo de conserto é realizado em várias etapas: primeiro é feito o reparo do vazamento, depois o reaterro do solo, seguido da pavimentação asfáltica e, por fim, a coleta dos resíduos gerados durante a obra.
Por conta disso, a empresa afirma que alguns serviços exigem maior tempo de execução, principalmente quando há necessidade de coordenação entre diferentes equipes.
Confira a nota na íntegra:
“A Águas Guariroba informa que equipes de manutenção já foram deslocadas aos dois endereços informados para realizar o reparo dos vazamentos de água.
A concessionária esclarece que a execução dos serviços ocorre por etapas e diferentes equipes: uma equipe faz o reparo do vazamento, outra realiza o reaterro e posteriormente é realizada a pavimentação asfáltica e coleta dos resíduos. Por este motivo, alguns serviços demandam maior prazo para execução.
A concessionária ressalta ainda que ações que necessitem intervenção da empresa devem ser comunicadas pelos canais oficiais: 0800 642 0115 (SAC e WhatsApp) e site www.aguasguariroba.com.br.”
Apesar da justificativa, moradores relatam falta de transparência e demora excessiva para a conclusão dos reparos, o que tem gerado frustração e sensação de abandono por parte do poder público e da empresa concessionária.
Risco de acidentes e danos ao patrimônio
Além do transtorno visual e do impacto direto na mobilidade, os buracos cheios de água representam risco à integridade física de moradores, principalmente crianças, idosos e pessoas com deficiência.
“Já vi gente quase caindo dentro. À noite, sem sinalização, é um perigo. Um dia desses, um carro passou por cima e danificou o para-choque”, contou o morador Edson Lima, que reside próximo ao ponto crítico no bairro Nova Lima.
Outro morador, José Aparecido, afirma que o buraco no Cabreúva tem desvalorizado os imóveis da região, além de impactar negativamente o comércio local. “Quem tem comércio por aqui está sofrendo. Os carros evitam passar pela rua, clientes também. Isso desanima”, disse.
Urbanistas alertam para agravamento do problema
Segundo especialistas em infraestrutura urbana, a recorrente falta de manutenção na rede de abastecimento e drenagem pode comprometer a estrutura do asfalto e provocar ainda mais prejuízos no médio e longo prazo.
“Se o problema do vazamento não for resolvido com agilidade, o subsolo se enfraquece e o buraco tende a se expandir, comprometendo toda a via e até mesmo o abastecimento de água na região”, explica a engenheira civil e urbanista Luana Pereira.
Ela ainda destaca que ações emergenciais como sinalização adequada e isolamento dos pontos críticos deveriam ser prioridade para evitar acidentes graves, enquanto o reparo completo não é finalizado.
População cobra fiscalização e agilidade
Moradores dos dois bairros afirmam que não basta apenas o envio das equipes: querem transparência, prazos claros e mais fiscalização do poder público, para que situações como essa não se tornem comuns em uma cidade do porte de Campo Grande.
“Não é a primeira vez que isso acontece. Sempre que chove ou há vazamento, o asfalto cede e demora demais para resolverem. Isso não é digno da nossa cidade”, desabafa Rudney.
Enquanto os reparos não são concluídos, os “buracos-piscina” continuam crescendo — um símbolo da precariedade na infraestrutura urbana e da demora nas soluções para problemas simples, mas com impacto direto na vida da população.
Autoria: Sarah Pacini
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