Estado já soma cinco casos suspeitos de envenenamento por metanol, incluindo a morte de um jovem de 21 anos; 60 ampolas de etanol farmacêutico foram enviadas pelo governo federal.

Diante do aumento preocupante de casos de intoxicação por metanol em diferentes regiões do país, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição emergencial de etanol farmacêutico, substância utilizada como antídoto no tratamento desses casos graves. Entre os estados prioritários que já receberam os primeiros lotes está o Mato Grosso do Sul, que contabiliza cinco casos suspeitos e um óbito sob investigação.
O envio de 60 ampolas ao território sul-mato-grossense foi confirmado neste sábado (5), como parte da resposta articulada pelo governo federal para conter os efeitos do surto. A medida emergencial é realizada em parceria com as secretarias estaduais de saúde e os hospitais universitários vinculados à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
A ação se intensificou após a morte de Matheus Santana Falcão, de apenas 21 anos, ocorrida na quinta-feira (2), em Campo Grande. O jovem apresentou sintomas característicos de intoxicação por metanol e veio a óbito antes que o diagnóstico fosse confirmado laboratorialmente. Ele é, até o momento, a única vítima fatal em análise no estado.
De acordo com o CIEVS Nacional (Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde), a situação é monitorada em tempo real, e as informações estão sendo atualizadas continuamente. Os cinco casos suspeitos em Mato Grosso do Sul incluem três ocorrências em Campo Grande — incluindo a morte de Matheus — e outras duas em municípios do interior: Ladário e Rio Brilhante.
Antídotos e resposta rápida
O etanol farmacêutico atua como antídoto ao metanol ao competir com ele no metabolismo hepático, inibindo sua conversão em compostos tóxicos como o formaldeído e o ácido fórmico. Essa substância é considerada eficaz, principalmente se administrada nas primeiras horas após a exposição. Outro medicamento usado em casos mais graves é o fomepizol, cuja aquisição também foi anunciada pelo Ministério da Saúde.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, foram adquiridas 12 mil novas unidades de etanol farmacêutico e 2.500 unidades de fomepizol, que estão sendo distribuídas conforme a gravidade da situação em cada estado. Ao todo, 4,3 mil ampolas de antídotos já foram entregues ao Sistema Único de Saúde (SUS), com foco nos locais com maior número de ocorrências suspeitas.
“O Ministério da Saúde atua em tempo real junto às secretarias estaduais e municipais, garantindo o envio dos antídotos e o suporte técnico necessário ao atendimento dos pacientes”, declarou Padilha.
Risco silencioso e efeitos devastadores
A intoxicação por metanol representa um grave risco à saúde pública. A substância, frequentemente confundida com bebidas alcoólicas em casos de adulteração, é altamente tóxica para o organismo humano. Quando ingerido, o metanol pode causar sintomas como náuseas, vômitos, visão turva, dificuldade para respirar, convulsões e, em casos mais severos, coma e morte.
Especialistas alertam que o perigo está justamente na aparência inofensiva de líquidos contaminados — muitas vezes transparentes e sem odor marcante — o que dificulta a identificação do produto adulterado. Em regiões com menor fiscalização sobre a produção e comercialização de bebidas artesanais, o risco de exposição é ainda maior.
Além da ingestão acidental, também há relatos de intoxicação por exposição prolongada ao vapor do metanol, especialmente em ambientes mal ventilados. Contudo, a via oral ainda é a principal responsável pelos casos mais graves registrados no Brasil.
Investigação e prevenção
As autoridades de saúde do Mato Grosso do Sul já estão conduzindo investigações sobre a origem das possíveis exposições. A suspeita é de que as vítimas tenham consumido bebidas contaminadas, possivelmente adquiridas em comércios informais. A Polícia Civil e a Vigilância Sanitária atuam em conjunto para identificar fornecedores e evitar que novos casos ocorram.
Enquanto isso, a Secretaria Estadual de Saúde alerta a população para os perigos do consumo de bebidas de procedência desconhecida e reforça a importância de procurar atendimento médico imediato ao apresentar sintomas após ingestão de álcool suspeito.
Em nota, o governo do estado informou que todas as unidades de saúde estão sendo orientadas a reconhecer sinais clínicos de intoxicação por metanol e aplicar os protocolos de emergência. O uso dos antídotos enviados será feito sob critério médico e com acompanhamento rigoroso.
Situação nacional e mobilização
O surto de intoxicação por metanol não é exclusivo do Mato Grosso do Sul. Casos suspeitos também foram identificados em outros estados brasileiros, o que levou o Ministério da Saúde a declarar estado de alerta para intoxicações exógenas relacionadas ao consumo de produtos adulterados.
A distribuição dos medicamentos deve continuar nos próximos dias, com reforço aos estados que apresentarem elevação no número de notificações. A expectativa é de que, com a rápida atuação das equipes médicas e a disponibilidade dos antídotos, o número de vítimas fatais seja contido.
O caso de Matheus Santana Falcão comoveu familiares e amigos, e sua morte reforçou a urgência de ações preventivas, educativas e repressivas em relação à produção clandestina de bebidas. A expectativa agora é de que as investigações avancem e que a população se mantenha alerta aos riscos.
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Autoria: Sarah Pacini

