Mostra “O Pantanal sob um Olhar Extraordinário” reúne 15 obras produzidas por jovens artistas PCDs e destaca a importância da inclusão e da representatividade na cultura

Entre os dias 21 e 25 de outubro, o Bioparque Pantanal, em Campo Grande (MS), abre espaço para uma exposição que promete emocionar e inspirar o público: “O Pantanal sob um Olhar Extraordinário”. A mostra reúne 15 obras produzidas por sete crianças com deficiência (PCDs), que retrataram a fauna pantaneira com cores vibrantes, formas espontâneas e interpretações sensíveis do bioma mais icônico do Brasil.
As obras foram desenvolvidas durante oficinas de arteterapia oferecidas pela Clínica Ressignificar, especializada em atendimentos para crianças neurodivergentes e com deficiências múltiplas. A iniciativa alia expressão artística ao cuidado terapêutico, permitindo que os pequenos artistas encontrem na pintura uma forma única de comunicar sentimentos, percepções e visões de mundo — muitas vezes difíceis de verbalizar no cotidiano.
Arte como ferramenta de expressão e inclusão
Segundo os responsáveis pela mostra, o processo criativo foi tão importante quanto o resultado final. As crianças participantes tiveram liberdade para escolher as cores, os animais que queriam retratar e as técnicas que mais se adequavam às suas habilidades motoras e cognitivas. O objetivo não era buscar perfeição técnica, mas valorizar a autenticidade do olhar de cada um sobre o Pantanal — um ecossistema que faz parte da identidade cultural e natural do estado de Mato Grosso do Sul.
A diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, destaca que cada pintura vai além da estética: “Essas obras expressam histórias, sentimentos e formas de ver o mundo que muitas vezes são invisibilizadas. Aqui, elas ganham destaque, ocupam lugar de protagonismo e nos ensinam sobre empatia, diversidade e potência”
O Pantanal pelos olhos de jovens artistas
As telas que compõem a exposição retratam animais emblemáticos do bioma pantaneiro, como a onça-pintada, o tuiuiú, o tamanduá-bandeira, a arara-azul e o jacaré-do-papo-amarelo. Cada quadro apresenta uma interpretação própria do tema, seja com traços mais abstratos, contornos espontâneos ou combinações de cores inesperadas — o que torna a experiência da visita ainda mais rica e subjetiva.
A escolha pelo Pantanal como tema central teve dois significados principais: aproximar as crianças do meio ambiente local e reforçar o papel da arte como ponte entre identidade e pertencimento. “É uma forma de dizer que esse território também é delas, que elas fazem parte da cultura sul-mato-grossense e que suas vozes — ou seus traços — também constroem a narrativa coletiva do nosso Estado”, afirma a coordenadora da Clínica Ressignificar, Vanessa Duarte.
Exposição gratuita e aberta ao público
A mostra “O Pantanal sob um Olhar Extraordinário” ficará aberta ao público durante o horário de funcionamento regular do Bioparque Pantanal: de terça a sábado, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 17h30. A entrada é gratuita, e os visitantes poderão conferir as obras expostas no saguão principal do complexo, que é considerado o maior aquário de água doce do mundo.
A expectativa é que a exposição receba não apenas visitantes locais, mas também turistas de outras partes do Brasil, ampliando o alcance da mensagem de inclusão, acessibilidade e valorização das diferenças. A ação também reforça o compromisso do Bioparque com práticas educativas e sociais que vão além da preservação ambiental, estendendo-se à promoção de uma cultura mais empática e plural.
O papel da arteterapia na vida das crianças
O processo de criação das obras foi conduzido ao longo de várias semanas, em um ambiente acolhedor e adaptado às necessidades de cada criança. A arteterapia — abordagem terapêutica que utiliza atividades artísticas como recurso de desenvolvimento emocional, cognitivo e social — se mostrou extremamente eficaz para estimular a criatividade, a autoestima e a comunicação entre os participantes.
Muitos dos pequenos artistas, segundo os terapeutas da clínica, apresentaram avanços significativos em aspectos como coordenação motora, atenção, interação social e expressão emocional. “A arte oferece caminhos para acessar partes do ser que muitas vezes ficam bloqueadas por limitações impostas pelo ambiente. Aqui, eles puderam se ver como artistas, criadores e protagonistas”, explica a psicopedagoga Luciana Rios, integrante da equipe.
Um olhar extraordinário para além da arte
Mais do que uma exposição, o projeto representa um movimento simbólico importante: dar visibilidade e voz a crianças com deficiência, muitas vezes excluídas dos espaços culturais formais. Ao ocuparem o Bioparque Pantanal com sua arte, esses jovens mostram que a diferença não é limitação — é potência criativa.
O convite está feito: até o dia 25 de outubro, o público poderá visitar a exposição e mergulhar no universo colorido, sensível e extraordinário desses pequenos grandes artistas.
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Autoria: Sarah Pacini

