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Natal no Centro de Campo Grande deve impulsionar comércio

Natal no Centro de Campo Grande deve impulsionar comércio

Setor empresarial celebra retomada das festividades na região central, mas reforça necessidade de organização no trânsito, segurança e estacionamento

O retorno das celebrações natalinas ao coração de Campo Grande reacendeu o otimismo entre as entidades que representam o comércio da Capital. Após anos de retração no movimento e queda nas vendas, a iniciativa da Prefeitura de reinstalar a programação festiva no Centro é vista como uma oportunidade estratégica para revitalizar a região, reforçar a economia local e atrair novamente consumidores às lojas. A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) estima que o impacto pode resultar em um salto de até 50% nas vendas de fim de ano, enquanto a ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande) adota um olhar mais prudente, mas também aposta em resultados positivos.

Para a CDL, que congrega mais de oito mil lojistas, a volta do Natal ao Centro representa mais do que decoração e eventos: é um gesto simbólico da Prefeitura de que reconhece os entraves enfrentados por quem ainda mantém suas atividades na região central. Segundo o presidente da entidade, Adelaido Vila, o comércio vive há anos um período de adversidades — marcado pela falta de estacionamento rotativo, aumento da insegurança e presença crescente de pessoas em situação de rua — e a iniciativa da administração municipal é vista como um movimento de retomada.

“É uma forma de fortalecer o Centro da cidade. A situação vinha sendo de muito desgaste, falta de estrutura e perda gradual de público. Quando o poder público decide ocupar novamente esse espaço com uma programação forte como o Natal, isso nos entusiasma. Mostra que a Prefeitura entende as dificuldades do setor produtivo e está disposta a colaborar”, afirmou Vila.

O dirigente também destacou que a iniciativa não beneficia apenas lojistas, mas a própria gestão municipal, já que o fortalecimento do comércio impulsiona a arrecadação e melhora a circulação de recursos. Segundo ele, até as negociações trabalhistas relativas ao horário de funcionamento de fim de ano foram impactadas pela novidade. A projeção inicial para 2026 era reduzir o expediente das lojas até as 20h, por falta de expectativa de público. Agora, com o retorno das festividades, os comerciantes acreditam que será possível manter o atendimento até as 22h.

ACICG apoia a iniciativa, mas alerta para necessidade de organização

O vice-presidente da ACICG, Omar Pedro Andrade Aukar, também comemorou o retorno do Natal ao Centro, avaliando que a decisão pode ajudar o comércio a recuperar perdas acumuladas. No entanto, ele ressalta que o planejamento da Prefeitura precisa ir além da decoração e da agenda de apresentações: para o dirigente, organização será uma palavra-chave para evitar transtornos.

Aukar cita como principal ponto de atenção o trânsito e o estacionamento. Ele relembra que, quando as festividades eram realizadas nos altos da Avenida Afonso Pena, era comum que quatro filas de carros se formassem devido ao fluxo intenso de visitantes — duas em cada sentido da pista. Caso movimento semelhante se transfira para o Centro, será preciso garantir alternativas para que o público circule com segurança e sem congestionamentos.

“Será uma experiência inédita, e precisamos ver como será o resultado. É possível que o número de visitantes seja muito alto, e aí entra a necessidade de estrutura. As lojas têm que estar preparadas com equipe e estoque reforçados, e a Prefeitura precisa cuidar do trânsito. Não dá para deixar que algo tão positivo se transforme em caos”, pontua.

O dirigente também pondera que, embora espere aumento nas vendas, trata previsões mais agressivas com cautela. Para ele, projetar um crescimento de 50% pode soar otimista demais diante do atual cenário econômico brasileiro, marcado por baixa atividade e índices elevados de inadimplência. A expectativa da entidade é apresentar um levantamento consolidado sobre as projeções até o dia 28 de novembro.

Preparativos na Praça Ary Coelho movimentam a cidade

Os preparativos para o “Circo de Natal”, que marca o retorno das celebrações ao Centro após duas décadas, já começaram. A Praça Ary Coelho teve os portões fechados na manhã deste sábado (15) para limpeza, poda, manutenção e montagem da estrutura que abrigará as atrações. Conforme a Fundação Municipal de Cultura, o local seguirá fechado durante o dia até 28 de novembro, quando ocorre a abertura oficial da programação.

Segundo a pasta, o fechamento é necessário para garantir que tudo esteja pronto para receber o público com segurança, conforto e organização. A praça abrirá diariamente das 17h às 23h durante o período de festividades, e todas as noites haverá apresentações culturais.

O evento conta com apoio da Fecomércio e, segundo a prefeita Adriane Lopes, foi planejado para reunir famílias e resgatar o espírito natalino no Centro da cidade. A gestora destacou que haverá ingressos gratuitos para que todos tenham acesso às atrações.

A programação segue até 31 de dezembro, quando está prevista uma grande apresentação de encerramento.

Potencial de retomada para o comércio

Com expectativa de maior fluxo de consumidores, vitrines renovadas e eventos noturnos, comerciantes esperam que o Natal no Centro devolva vitalidade a uma área que, nos últimos anos, perdeu espaço para os shoppings e corredores comerciais mais recentes da cidade. Para muitos empresários, o período pode representar não apenas uma melhora momentânea, mas o início de uma recuperação mais ampla da região central.

Embora ainda haja incertezas — especialmente relativas à organização viária e ao comportamento do consumidor —, a combinação entre programação cultural, estímulo ao comércio local e ocupação do espaço urbano reforça a esperança de que o fim de ano seja um divisor de águas para o Centro de Campo Grande.

Autoria: Sarah Pacini.

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