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A Profissão Mais Desafiadora

Semana passada, ao dar aulas para um grupo de crianças entre 11 e 15 anos, fiz algumas reflexões que compartilho com vocês. Essa imersão no universo escolar me fez relembrar a complexidade dessa fase: tantas pessoas diferentes, com suas características e histórias, e a desafiadora tarefa de se descobrir em meio à adolescência.

É um período marcado por julgamentos e “tiração de sarro”, onde as inseguranças começam a florescer e criar raízes. Por exemplo, presenciei isso acontecer ao perceber uma menina de apenas 11/12 anos, paralisada pela vergonha e incapaz de se apresentar por medo do julgamento dos colegas. E os outros, a qualquer sinal de fraqueza, não perdoavam, são como pequenos tubarões que sentem uma gotinha de sangue na água.

A escola, muitas vezes, se assemelha a uma selva. Nesse contexto, o apoio dos pais se torna essencial. Pais presentes, que oferecem carinho, orientação e suporte, são o alicerce que permite às crianças enfrentar os desafios da vida com mais segurança. Sem essa base, a jornada se torna um jogo injusto, e os jovens se vêem despreparados para os obstáculos que surgirão.

Escrevo este artigo no dia 11 de maio, Dia das Mães, e quero felicitar e expressar a minha admiração e gratidão a todas as mães que me leem. Em especial, agradeço à minha mãe, Dona Eva, por todas as noites em claro, pela dedicação incansável, pelo esforço em nos proporcionar a melhor educação possível, pelo carinho e por nos priorizar acima de seus próprios desejos e necessidades. Mãe, você é meu tudo!

Legenda: Família parcialmente reunida, neste último dia das mães.

(Peço licença para este breve momento de carinho e “jabá”… Sigamos em frente!)

Costumo dizer que a maternidade (e a paternidade) não é para todos, e ainda bem. Eu mesma escolhi não ter filhos e me sinto feliz com a minha escolha. Brincava, de forma boba, que não queria dividir meus “danoninhos” (não me julgue, risos!). Mas a vida me presenteou com um sobrinho, e agora a “Tia Pipoca” (meu apelido da semana) compra duas bandejas de iogurte: uma para ela e outra para ele.

A verdade é que ser responsável por uma vida é algo desafiador. É a “profissão” mais desafiadora que existe, demandando dedicação para a vida toda. São 24 horas por dia, sete dias por semana. Vejo pela minha mãe que até hoje se preocupa comigo, me dá conselhos e broncas, quando preciso e às vezes quando não preciso também, rs!.

Pais, estejam mais presentes. Filhos não são um brinquedo. Se não querem tê-los, existem tantos meios contraceptivos disponíveis e gratuitos. Mas, se a escolha for ter filhos, entreguem-se a essa missão. Vocês serão guias, disciplinadores, educadores, verdadeiros espelhos para seus filhos. Infelizmente, observo muitos pais despreparados para essa função, pessoas que priorizam as telas em detrimento do tempo com os filhos, que vivem no piloto automático, sem energia para acompanhar o ritmo de uma criança ativa ou excessivamente focados em um futuro distante, negligenciando o presente.

Por isso, faço um apelo: Parem! Vamos praticar o “estar presente”! A palavra já nos dá a dica: o presente é um presente. O aqui e agora é tudo o que realmente temos, mas muitas vezes nos perdemos nas armadilhas do passado ou nas projeções do futuro, deixando de viver o que importa. Não pensem que, por escrever sobre isso, me coloco em um patamar superior. Seria uma grande mentira! Estou lutando para evoluir e me tornar um ser humano melhor. Todo dia é uma batalha para ser hoje melhor que ontem, mas pior que amanhã…

As crianças de hoje anseiam por atenção, muitas vezes sentem medo e demonstram uma carência gritante de conhecimento básico. Não terceirizem a educação e os cuidados de seus filhos. A escola e os professores desempenham seu papel, mas percebo, cada vez mais, que os pais, por diversas razões, não estão cumprindo sua parte nessa parceria.

Vocês já se depararam com artigos ou posts sobre a nova geração que está ingressando no mercado de trabalho? A famosa Geração Z. Os exemplos de despreparo são tantos que seriam cômicos, se não fossem trágicos. Estamos criando pessoas que não são funcionais, que têm dificuldade em receber orientações e feedbacks, que carecem de educação básica e estão completamente despreparadas para os desafios do mundo profissional e da vida.

E a raiz desse problema muitas vezes está na ausência, na omissão, na falta de compromisso e de entrega dos pais, e para finalizar convido você a uma reflexão profunda: que tipo de filho você deseja criar?

Desejo a todos uma ótima semana e até a próxima!

Rosana Cambuí 

@rosanacambui

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