Iniciativa acontece no Escritório Social nesta quinta (31) e garante sigilo aos participantes; atendimento vai até as 16h com foco na reinserção social por meio do trabalho formal.
Nesta quinta-feira, 31 de julho, Campo Grande realiza uma importante ação de inclusão social voltada a pessoas egressas do sistema prisional e seus familiares. O atendimento acontece das 8h às 16h no Escritório Social da Capital, localizado na Rua Marechal Rondon, nº 713 (fundos), com entrada pela lateral, na Rua Antônio Norberto de Almeida, no Centro. A proposta é conectar esse público ao mercado de trabalho formal com total respeito e sigilo.
A iniciativa, promovida pelo Governo do Estado por meio da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), conta com a parceria da Funtrab (Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul) e da Funsat (Fundação Social do Trabalho). Durante o dia, os participantes poderão se cadastrar para vagas de emprego em diversas áreas, com direcionamento conforme o perfil profissional de cada um.
Sigilo garantido e atendimento humanizado
De acordo com os organizadores, a ação garante total discrição quanto à condição dos participantes. Nenhuma informação será compartilhada com empresas ou instituições sem consentimento, e não será exigido qualquer documento que comprove o vínculo com o sistema prisional.
“A proposta é acolher com dignidade. Ninguém será identificado como ex-detento ou familiar. O atendimento é humanizado, com foco na reconstrução de trajetórias por meio do emprego”, afirma um dos responsáveis pela iniciativa.
Segundo dados da Agepen, a dificuldade de reinserção no mercado formal é uma das principais causas da reincidência criminal. Ao oferecer acesso direto a oportunidades de trabalho, a ação busca romper esse ciclo e criar alternativas concretas de autonomia financeira e desenvolvimento pessoal.
Encaminhamento para empresas parceiras
O cadastro realizado no local será integrado às bases da Funtrab e da Funsat, permitindo o encaminhamento direto para empresas parceiras que participam de políticas de empregabilidade inclusiva. A ideia é promover oportunidades reais e compatíveis com as habilidades, aspirações e experiências dos candidatos.
Os interessados passarão por entrevistas com orientadores profissionais e poderão indicar áreas de interesse, experiências anteriores e expectativas em relação ao novo emprego. Aqueles que precisarem, também serão direcionados para cursos de qualificação gratuitos oferecidos em outras frentes do sistema estadual.
Reinserção como política pública
O Escritório Social de Campo Grande tem como missão fortalecer políticas públicas de reintegração. A unidade atende egressos do sistema penitenciário e seus familiares, oferecendo suporte psicológico, jurídico e profissional. Com esta ação, reforça seu papel como ponte entre a liberdade e a construção de uma nova vida.
“É mais que uma ação de emprego. É um movimento de inclusão. Muitas pessoas que saem do sistema prisional têm dificuldade de serem ouvidas, muito menos contratadas. Essa é uma chance concreta de mudar isso”, pontua um agente do Escritório Social.
Apoio familiar também é essencial
Além dos ex-detentos, a ação também acolhe familiares de pessoas presas — pais, mães, irmãos, esposas e filhos — que muitas vezes enfrentam dificuldades socioeconômicas por conta da prisão de um ente próximo. A iniciativa reconhece esse impacto e amplia o alcance da política de assistência.
“O envolvimento da família é fundamental no processo de reintegração social. Por isso, estender esse apoio aos familiares também é uma forma de fortalecer os vínculos e oferecer novas perspectivas a todo o núcleo familiar”, reforça um dos coordenadores da Agepen.
Participação gratuita e aberta
Para participar, não é necessário apresentar nenhum documento que comprove passagem pelo sistema prisional. Basta comparecer ao local com documento de identidade e CPF. Quem tiver carteira de trabalho, física ou digital, também pode levar. O serviço é gratuito e o atendimento será realizado por ordem de chegada.
Os participantes também podem contar com orientações sobre direitos trabalhistas, criação de currículo e dicas para entrevistas. Ao longo do dia, serão feitas rodas de conversa e atendimentos individuais com psicólogos e assistentes sociais para apoiar o processo de transição e adaptação ao mercado de trabalho.
Inclusão na prática
A ação que ocorre hoje em Campo Grande simboliza um esforço conjunto entre Estado, sociedade civil e setor privado na construção de alternativas mais humanas e eficazes para combater a exclusão social. Trata-se de uma política que ultrapassa o assistencialismo e oferece ferramentas reais para transformação de vidas.
Quem passar pelo local até às 16h poderá iniciar um novo capítulo, com mais dignidade, apoio institucional e possibilidade concreta de autonomia.
Autoria: Sarah Pacini
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