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Advogada blogueira é presa por lavar dinheiro de quadrilha

Investigação aponta que Joice Maria da Silva Sobrinho, de 28 anos, usava empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos em esquema que atuava em vários estados. Operação Arcanum cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul, Sergipe, Alagoas e Minas Gerais.

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (30) a advogada e influenciadora digital Joice Maria da Silva Sobrinho, de 28 anos, sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e associação com o tráfico de drogas. A jovem, que acumula cerca de 18 mil seguidores nas redes sociais, é apontada como responsável por utilizar empresas de fachada para movimentar valores pertencentes a uma organização criminosa investigada pela Operação Arcanum.

De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal, Joice foi detida em Campo Grande (MS) e encaminhada ao Presídio Militar Estadual, onde permanece à disposição da Justiça. Outro suspeito, Alexssandro Santos Costa, de 41 anos, também foi preso na capital sul-mato-grossense durante o cumprimento dos mandados judiciais.

As ações desta quinta-feira integram um desdobramento de uma investigação que já dura seis meses e tem como foco uma rede criminosa interestadual, estruturada para o tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos 13 mandados judiciais, sendo sete de prisão e seis de busca e apreensão, em quatro estados brasileiros: Sergipe, Alagoas, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Mandados e apreensões

Em Campo Grande, os policiais cumpriram mandado em um imóvel localizado na Rua Uberlândia, no bairro Vila Rosa Pires, onde foram apreendidos documentos, quantias em dinheiro e um veículo Corolla. A Polícia Federal não divulgou o valor encontrado, alegando que a contagem ainda está em andamento.

Outros mandados foram executados em Aracaju, Itaporanga d’Ajuda e Barra dos Coqueiros (SE), além de Maceió (AL) e Montes Claros (MG). Durante as ações, as equipes apreenderam duas armas de fogo, mídias eletrônicas e materiais que podem ajudar a rastrear o fluxo financeiro do grupo criminoso.

A operação contou com o apoio integrado de forças de segurança de vários estados, incluindo a Delegacia de Narcóticos (Denarc), o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) de Sergipe, a Polícia Penal, além de equipes da própria Polícia Federal. O trabalho foi coordenado pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Sergipe (Ficco/SE), que reúne diferentes corporações em ações conjuntas.

Esquema de lavagem de dinheiro

Conforme as investigações, Joice atuava como operadora financeira do grupo criminoso, usando empresas de fachada registradas em seu nome e em nome de terceiros para movimentar recursos de origem ilícita. Essas empresas, segundo a PF, não possuíam atividade comercial real, sendo criadas exclusivamente para dar aparência de legalidade às transações financeiras do grupo.

Fontes ligadas à investigação afirmam que as movimentações envolviam valores expressivos, distribuídos entre contas bancárias em diferentes estados. O esquema permitia que o dinheiro proveniente do tráfico fosse reinserido no sistema financeiro formal, dificultando o rastreamento pelas autoridades.

Ainda não está claro como a advogada passou a integrar a rede criminosa, mas a PF apura se o contato inicial ocorreu por meio de clientes atendidos em sua atuação profissional. A linha investigativa considera que a jovem possa ter usado seu conhecimento jurídico para tentar blindar as operações da quadrilha.

A origem da Operação Arcanum

A Operação Arcanum teve início após uma grande apreensão realizada há cerca de seis meses em Nossa Senhora do Socorro (SE). Na ocasião, agentes federais localizaram drogas, armas e veículos que pertenciam a um grupo criminoso com ramificações em diferentes estados. A partir desse episódio, as autoridades identificaram uma estrutura complexa e hierarquizada, responsável não apenas pela distribuição de entorpecentes, mas também pela lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Segundo a PF, o nome “Arcanum” — que significa “mistério” ou “segredo” em latim — faz referência à sofisticação das operações financeiras do grupo, que usava empresas fantasmas e intermediários para dificultar o rastreio do dinheiro.

As investigações continuam, e os agentes analisam documentos e mídias eletrônicas apreendidos nos endereços dos suspeitos. As autoridades esperam identificar outros envolvidos e a extensão do patrimônio obtido de forma ilegal.

Silêncio da defesa

O Jornal Midiamax tentou contato com Joice Maria da Silva Sobrinho, mas, até o momento da publicação, não houve retorno. O espaço segue aberto para futuras manifestações da advogada ou de sua defesa.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Mato Grosso do Sul também foi procurada para comentar o caso, mas ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio ou sobre a possibilidade de abertura de processo disciplinar.

Desdobramentos esperados

Com o avanço das apurações, a expectativa é que a PF apresente novas fases da operação, mirando principalmente os responsáveis pela estrutura financeira do grupo. A apreensão de armas e documentos sugere que o esquema envolvia não apenas lavagem de dinheiro, mas também proteção armada e logística de transporte de drogas.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a participação de profissionais com formação jurídica em esquemas criminosos representa um agravante sério, por envolver violação de deveres éticos e uso indevido do conhecimento técnico para acobertar práticas ilícitas.

A Operação Arcanum reforça o papel das forças integradas no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro no Brasil, especialmente em contextos que envolvem interligação entre estados e múltiplas frentes de atuação criminosa.

Para mais notícias sobre crimes em MS, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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