Com foco na valorização da história regional, estudantes do Brasil e da Bolívia participarão de atividades criativas para homenagear um dos maiores símbolos do patrimônio militar brasileiro
Em comemoração aos 250 anos do Forte Coimbra, o Festival América do Sul Pantanal 2025 traz uma proposta inovadora e educativa: o concurso estudantil “Soy Loco por ti América”. O objetivo é envolver os jovens da região na preservação da memória e valorização do patrimônio histórico por meio de criações artísticas e autorais. A iniciativa ocorre entre os dias 15 e 18 de maio em Corumbá (MS) e promete dar voz aos estudantes por meio de desenhos, crônicas e vídeos produzidos com celular.
Com inscrições abertas entre os dias 5 e 10 de maio, o concurso é direcionado a alunos do 4º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, de escolas públicas e privadas dos municípios de Corumbá e Ladário, bem como de instituições bolivianas situadas na região de fronteira. O evento se propõe não apenas a estimular a criatividade dos jovens, mas também a fortalecer o vínculo entre as novas gerações e um dos marcos históricos mais importantes da fronteira oeste do Brasil.
Erguido em 1775 às margens do Rio Paraguai, o Forte Coimbra é um dos últimos remanescentes da arquitetura militar portuguesa no país. A construção teve papel estratégico na defesa do território nacional, principalmente em períodos de conflito como a Guerra do Paraguai e outras disputas territoriais ao longo dos séculos XVIII e XIX. Em reconhecimento à sua relevância histórica, o forte foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1974.
No concurso, cada escola poderá inscrever até três trabalhos, um para cada categoria: desenho (alunos do 4º ao 6º ano do Ensino Fundamental), crônica (7º ao 9º ano) e vídeo (1º ao 3º ano do Ensino Médio). A responsabilidade de selecionar os representantes ficará por conta das próprias instituições de ensino. Os trabalhos escolhidos serão exibidos durante o Festival América do Sul Pantanal, com destaque especial na programação, o que garante visibilidade aos estudantes e reforça a integração cultural entre Brasil e Bolívia.
A escolha do Forte Coimbra como tema central do concurso não é por acaso. O monumento, localizado em uma área estratégica da fronteira brasileira, não só simboliza resistência e soberania nacional, como também representa uma parte essencial da identidade histórica da região pantaneira. O cenário natural onde está situado — cercado por vegetação nativa e com vista para o Rio Paraguai — torna-se um elemento inspirador para as produções artísticas.
Mais do que uma competição escolar, a proposta do “Soy Loco por ti América” é criar uma ponte entre passado e presente, colocando os estudantes como protagonistas na preservação da história. A atividade estimula o pensamento crítico, a pesquisa e a sensibilidade artística, ao mesmo tempo em que destaca um dos símbolos mais marcantes do patrimônio sul-mato-grossense. A abordagem é multidisciplinar e permite que professores trabalhem temas de história, geografia, artes e literatura de forma integrada.
A organização do festival também vê na iniciativa uma forma de fomentar o sentimento de pertencimento e identidade cultural entre os jovens. Em tempos em que o digital predomina, a ideia de produzir vídeos com celular, por exemplo, aproxima o estudante da tecnologia com um propósito educativo. Já as crônicas incentivam a escrita autoral e reflexiva, enquanto os desenhos promovem a expressão visual das impressões que cada criança ou adolescente tem sobre o Forte Coimbra.
Além do reconhecimento durante o evento, os trabalhos selecionados poderão ser divulgados em exposições e publicações institucionais, contribuindo para a preservação da memória coletiva sobre o forte. O impacto da iniciativa vai além da sala de aula, alcançando famílias e comunidades inteiras que, ao acompanharem o desenvolvimento dos trabalhos, também passam a refletir sobre a importância do patrimônio histórico regional.
O Festival América do Sul Pantanal, conhecido por reunir manifestações artísticas e culturais de diferentes países sul-americanos, encontra no concurso estudantil uma forma sensível e eficaz de conectar o público jovem à programação do evento. Em sua essência, o festival celebra a diversidade, a integração continental e a valorização dos elementos históricos que moldam a identidade cultural do continente.
Neste ano, ao destacar os 250 anos do Forte Coimbra, o festival reafirma seu compromisso com a memória, a educação e o fortalecimento das raízes locais. Para Corumbá, cidade anfitriã, a celebração é também uma oportunidade de promover o turismo histórico e educativo, colocando o Forte Coimbra em evidência como destino cultural.
A comunidade educativa da região já se mobiliza para participar do concurso, e a expectativa é de que a edição 2025 do Festival América do Sul Pantanal fique marcada pela criatividade, pelo engajamento juvenil e pela celebração de um dos monumentos mais importantes da história brasileira.
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Autoria: Sarah Pacini