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Aos 72 anos, indiana realiza sonho de ser mãe após décadas de tentativas

Daljinder Kaur segurou o filho Arman após realizar o sonho de ser mãe depois dos 70 anos - Foto: Reprodução/Cover Asia Press

Daljinder Kaur segurou o filho Arman após realizar o sonho de ser mãe depois dos 70 anos - Foto: Reprodução/Cover Asia Press

Daljinder Kaur engravidou por fertilização in vitro e deu à luz Arman em 2016, após 46 anos de casamento; caso gerou debate médico na Índia

Durante décadas, Daljinder Kaur conviveu com o desejo de ter um filho. O sonho só se concretizou depois dos 70 anos, quando a indiana recorreu à fertilização in vitro e conseguiu engravidar. Em 19 de abril de 2016, nasceu Arman Singh, seu primeiro filho, em um caso que chamou atenção e provocou debates na comunidade médica da Índia.

Kaur, natural de Amritsar, no norte do país, tinha entre 70 e 72 anos quando realizou o tratamento na National Fertility & Test Tube Baby Centre, em Haryana. A idade exata não é conhecida porque ela não possuía certidão de nascimento, algo comum na época em que nasceu.

Naquele momento, Daljinder era casada havia 46 anos com Mohinder Singh Gill, um fazendeiro que tinha 80 anos. Depois de anos tentando ter filhos, o casal praticamente havia desistido quando viu um anúncio da clínica especializada em fertilização assistida.

“Pensamos que tínhamos que tentar”, contou Daljinder à AFP na época.

Filho nasceu com dois quilos

Segundo as informações divulgadas pela clínica, Arman foi concebido com o óvulo e o esperma do próprio casal. O menino nasceu pesando dois quilos e recebeu o nome Arman, que significa “desejo” ou “esperança”.

Na época do nascimento, o National Fertility Centre informou que o bebê era saudável e forte.

A chegada da criança, porém, trouxe uma nova realidade para Daljinder. Onze meses depois do parto, quando tinha aproximadamente 73 anos, ela relatou que os cuidados com o filho estavam sendo mais difíceis do que imaginava.

A mãe precisou interromper a amamentação apenas três meses depois do nascimento e passou a enfrentar pressão alta e dores nas articulações.

“Eu fico cansada com facilidade agora. Já fui a vários médicos, mas eles só me dão remédios e me passam dietas”, relatou.

Rotina com o filho trouxe novos desafios

Com Arman crescendo e começando a engatinhar, as limitações físicas passaram a pesar ainda mais na rotina da mãe.

“Me preocupo pelo Arman. Tenho que cuidar da minha saúde, mas também preciso cuidar dele. Desde que ele começou a engatinhar, preciso ficar apoiada nas minhas mãos e nos meus joelhos, e tem sido difícil. Meu corpo não aguenta”, contou.

Mesmo diante das dificuldades, Daljinder afirmou que não se arrependia de ter buscado a maternidade em idade avançada. Ela também disse que preferia contar principalmente com o marido para cuidar da criança.

“Nós ficamos doentes com frequência por conta da idade, mas temos que lidar com isso para cuidar do nosso filho. Eu faço a maior parte do trabalho, mas o pai dele ajuda onde pode.”

Mohinder também declarou que não se arrependia da decisão. Questionado sobre o futuro do filho diante da idade avançada do casal, respondeu que confiava que Deus cuidaria da criança.

Caso provocou debate sobre fertilização tardia

A gravidez de Daljinder Kaur provocou reações diferentes entre profissionais da comunidade médica indiana e reacendeu discussões sobre os limites e a ética dos tratamentos de reprodução assistida em idades avançadas.

A clínica responsável pelo procedimento, que tinha entre seus focos o atendimento a mulheres mais velhas, defendeu que a decisão de buscar o tratamento deveria caber aos próprios pacientes.

Em comunicado atribuído ao médico e proprietário do centro, Anurag Bishnoi, a instituição afirmou que a reprodução deveria ser tratada como um direito fundamental e que o governo não deveria impedir as pessoas de recorrerem aos tratamentos.

O caso de Daljinder se tornou um dos exemplos mais conhecidos de maternidade em idade avançada por fertilização in vitro. A história também expôs os desafios físicos enfrentados por uma mulher idosa ao cuidar de um bebê e alimentou o debate sobre os limites da reprodução assistida.

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