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Aprovada lei de educação para doação de sangue

Iniciativa busca formar gerações conscientes sobre a importância da doação voluntária; atividades educativas serão implantadas nas escolas públicas estaduais

Foi aprovado nesta quinta-feira (22), em segunda discussão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, o Projeto de Lei que institui ações educativas voltadas à conscientização sobre a doação de sangue nas escolas públicas da rede estadual. A proposta, de autoria do deputado estadual Paulo Duarte (PSB), recebeu 21 votos favoráveis e agora segue para sanção do governador do Estado.

A medida altera a Lei nº 2.656, de 2003, que já trata da política estadual de incentivo à doação de sangue, acrescentando um novo dispositivo que obriga o desenvolvimento de atividades escolares com foco em informar, sensibilizar e formar futuros doadores. A ideia é que crianças e adolescentes aprendam desde cedo sobre a importância da doação voluntária, criando uma cultura de solidariedade e compromisso social.

“O objetivo é despertar a consciência cidadã entre os estudantes, incentivando-os a se tornarem doadores quando atingirem a idade mínima, e a também multiplicarem esse conhecimento junto aos familiares e amigos”, explicou o deputado Paulo Duarte durante a sessão. “Vi muitas vidas sendo salvas pela doação de sangue. Precisamos conscientizar, principalmente os jovens, sobre esse gesto de amor e empatia”, completou.

Educação como estratégia para salvar vidas

De acordo com o projeto, as ações nas escolas podem incluir palestras, atividades interativas, visitas a hemocentros e inclusão do tema em disciplinas já existentes. A intenção é que o contato com o tema se torne parte do currículo escolar e crie um vínculo duradouro entre os estudantes e a importância da doação de sangue.

Atualmente, a hemorrede estadual de Mato Grosso do Sul conta com 331,4 mil doadores de sangue cadastrados. Desse total, apenas cerca de 132 mil são considerados doadores efetivos, ou seja, realizam doações com regularidade. A discrepância entre os números evidencia o desafio de manter os estoques em níveis seguros, especialmente em períodos críticos, como feriados prolongados e os meses de inverno.

Nessas épocas, a redução no número de doações preocupa os profissionais da saúde, que enfrentam dificuldades para manter os atendimentos e realizar cirurgias programadas. Segundo Paulo Duarte, a criação de uma cultura de doação desde a juventude pode ser a chave para mudar essa realidade. “Se queremos garantir que os estoques não cheguem a níveis críticos, precisamos agir agora, educando e mobilizando a nova geração”, defende.

A estrutura da hemorrede em MS

Mato Grosso do Sul possui atualmente 12 centros de coleta vinculados à rede Hemosul, distribuídos em diversas regiões do estado. Em Campo Grande, há três unidades: o Hemosul Coordenador, o Hemosul Hospital Regional e o Hemosul Santa Casa. Os demais centros estão localizados nos municípios de Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas, Paranaíba, Coxim, Corumbá, Nova Andradina, Naviraí e Aquidauana.

Apesar da estrutura física relativamente bem distribuída, os desafios para manter o número de doadores regulares são constantes. Campanhas de mobilização são realizadas com frequência, mas ainda assim não conseguem atender a todas as demandas, principalmente em períodos em que há aumento no número de internações, cirurgias ou acidentes.

A importância da doação voluntária

A doação de sangue é um ato voluntário que pode salvar até quatro vidas com cada bolsa coletada. O processo é seguro, rápido e não causa prejuízos à saúde do doador. A partir dos 16 anos (com autorização dos pais ou responsáveis) já é possível doar, sendo que a idade máxima é de 69 anos — desde que o doador esteja em boas condições de saúde e atenda aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Atualmente, uma das maiores barreiras para a regularidade nas doações é a falta de informação e de engajamento por parte da população. Por isso, iniciativas como o PL aprovado buscam combater o desconhecimento e estimular um novo comportamento coletivo, baseado na empatia e na solidariedade.

Próximos passos

Com a aprovação em plenário, o texto segue agora para análise do Executivo estadual. Caso seja sancionado pelo governador, as escolas da rede pública de Mato Grosso do Sul deverão iniciar a implementação das atividades educativas ainda este ano. A expectativa é que o conteúdo seja integrado ao projeto pedagógico das instituições de ensino de forma contínua, com suporte técnico da Secretaria Estadual de Educação e parceria com a rede Hemosul.

A proposta é vista como um avanço por entidades ligadas à saúde e ao voluntariado, que acreditam no potencial da educação como ferramenta para mudanças sociais de longo prazo. “Não é apenas sobre aumentar os números de doações. É sobre formar cidadãos mais conscientes, solidários e engajados com a saúde coletiva”, finalizou Paulo Duarte.

Para mais notícias sobre política, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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