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Arara-azul-grande é reconhecida como ave símbolo de MS

Com a aprovação da Lei nº 6.442, a arara-azul-grande ganha o status de símbolo do estado, ampliando as chances de proteção e fortalecimento do turismo sustentável em MS.

Mato Grosso do Sul – A arara-azul-grande, uma das espécies mais emblemáticas e carismáticas do Pantanal, foi oficialmente reconhecida como ave símbolo de Mato Grosso do Sul. A medida foi sancionada nesta quinta-feira (3) com a aprovação da Lei nº 6.442, que visa reforçar a visibilidade e proteção da espécie, além de incentivar o turismo de observação responsável. Com essa designação, a ave se torna um símbolo do patrimônio natural do estado, ao lado de outras riquezas culturais e ambientais.

Este novo status da arara-azul-grande traz uma série de benefícios, tanto para a preservação da espécie, que já é classificada como vulnerável, quanto para o fortalecimento da pesquisa científica e do ecoturismo sustentável em MS. De acordo com o Instituto Arara Azul, que atua na conservação dessa ave desde sua fundação, a medida também coloca em evidência a importância do Pantanal como um dos últimos redutos naturais para a sobrevivência da arara-azul-grande.

A arara-azul-grande: um tesouro do Pantanal

Considerada a maior espécie de psitacídeo do mundo, a arara-azul-grande pode atingir até 1 metro de comprimento, desde a ponta do bico até a extremidade da cauda. Seu comportamento social é um dos aspectos mais fascinantes dessa ave. Viver em grupos, que podem ser compostos por casais ou bandos, e a forte fidelidade aos locais de alimentação e reprodução são algumas das características que a tornam única. Além disso, a arara-azul-grande é extremamente inteligente e pode ser vista como uma verdadeira “guardiã” das informações sobre os ambientes que habita.

No entanto, essa beleza e inteligência não têm sido suficientes para garantir a sobrevivência da espécie. Classificada como vulnerável, a arara-azul-grande vem enfrentando uma série de desafios nos últimos anos. Incêndios que devastaram o Pantanal, como os que ocorreram em 2022, foram um duro golpe para a população da ave, destruindo ninhos monitorados pelo Instituto Arara Azul e impactando diretamente a reprodução da espécie.

Proteção e monitoramento contínuo

O Instituto Arara Azul, uma das principais instituições responsáveis pela preservação da arara-azul, tem desempenhado um papel fundamental na manutenção da população dessa espécie no Pantanal. Desde sua fundação, o instituto realiza monitoramento de ninhos naturais e artificiais, abrangendo uma área de 400 mil hectares no bioma. Anualmente, mais de 1600 monitoramentos são feitos nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, com o apoio de uma rede de pesquisadores e colaboradores.

Atualmente, cerca de 5 mil indivíduos da arara-azul-grande habitam o Pantanal, segundo os dados mais recentes do instituto. Embora a população ainda seja significativa, a espécie continua sob risco devido a fatores como a perda de habitat, incêndios e outras ameaças ambientais. Em um esforço contínuo para mitigar esses riscos, o instituto também realiza ações educativas e apoia o estudo de outras espécies que coabitam o bioma, como as araras-vermelhas, tucanos, gaviões, corujas e pato-do-mato.

O impacto do turismo de observação responsável

O novo status conferido à arara-azul-grande também abre portas para o turismo de observação, que tem se consolidado como uma importante fonte de geração de renda e conscientização ambiental para as comunidades locais. Ao tornar a arara-azul-grande um símbolo do estado, o reconhecimento busca não só ampliar a visibilidade da espécie, mas também promover práticas de turismo responsável, respeitando os limites da natureza e evitando a exploração excessiva do animal.

Esse tipo de turismo tem se mostrado fundamental para a conservação das aves, uma vez que as pessoas são atraídas pela possibilidade de ver a arara-azul-grande em seu habitat natural. Em contrapartida, essa atividade também ajuda a sensibilizar a população sobre a importância da preservação da biodiversidade local, trazendo benefícios para a economia de Mato Grosso do Sul e para a conscientização ambiental.

Desafios e o futuro da arara-azul-grande

Embora a sanção da lei seja uma conquista importante, ela também destaca a necessidade de esforços contínuos para proteger a arara-azul-grande e outros animais ameaçados no Pantanal. A criação de áreas protegidas, o combate aos incêndios florestais e o apoio a iniciativas de reflorestamento e preservação de habitats naturais são medidas essenciais para garantir que essa ave icônica continue a prosperar na região.

Além disso, a parceria entre órgãos governamentais, ONGs, pesquisadores e a sociedade civil será crucial para o sucesso das iniciativas de proteção. O Instituto Arara Azul, que já realiza um trabalho admirável nesse sentido, segue sendo um elo vital entre a ciência e a sociedade na preservação dessa espécie, além de contribuir para o monitoramento constante das populações de araras no Pantanal.

Com a arara-azul-grande agora oficialmente reconhecida como símbolo de Mato Grosso do Sul, o estado assume uma postura ainda mais forte na luta pela conservação da biodiversidade, ao mesmo tempo em que se posiciona como um destino de turismo sustentável, que respeita e valoriza sua fauna única e exuberante.

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Autoria: Sarah Pacini

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