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Aumento de onças no Pantanal muda rotina de moradores

Fenômeno é atribuído a cheia do rio Paraguai, incêndios e presença de presas fáceis; especialistas pedem ações coordenadas para preservar fauna e segurança humana

O avanço das águas do rio Paraguai, aliado ao impacto ambiental das queimadas e à crescente presença de animais domésticos nas regiões de mata, tem mudado a rotina de quem vive em Corumbá e Ladário, no Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, onças-pintadas têm sido vistas com mais frequência em áreas urbanas, o que tem levado moradores a adotar medidas preventivas e autoridades ambientais a intensificarem o monitoramento.

Segundo relatos de residentes e informações da Polícia Militar Ambiental (PMA), os felinos foram avistados em ao menos quatro localidades próximas ao rio, incluindo o Assentamento 72 e a Baía Negra, em Ladário, além da região da Cacimba da Saúde e do Mirante da Capivara, em Corumbá. Para os moradores, a realidade mudou: portões trancados ao anoitecer, cães recolhidos e luzes externas acesas tornaram-se parte do cotidiano.

“Depois dos incêndios, tanto as onças quanto outros bichos começaram a se aproximar mais. Agora, 18h já estamos todos dentro de casa, com os cachorros trancados”, relata Larissa Freitas, moradora de Ladário. A família já presenciou ataques a um bezerro e dois cães, inclusive dentro da residência da sogra.

A vizinha Maria de Lourdes de Arruda, que mora na área da Baía Negra, afirma que avistamentos se tornaram comuns a qualquer hora do dia. “Vimos uma onça de madrugada pelas câmeras. Mudamos o horário em que deixamos nossos animais soltos e reforçamos as grades”, afirma. Apesar do receio, ela defende o respeito ao ambiente natural dos animais: “Aqui é o habitat delas. Cabe a nós termos responsabilidade”.

Fenômeno tem causas naturais e climáticas

Especialistas em ecologia apontam quatro causas principais para esse aumento de interação entre humanos e grandes felinos:

  1. 🌊 A cheia do rio Paraguai, que em maio de 2025 chegou a 2,80 metros — o dobro do registrado no mesmo período do ano passado — diminui áreas secas e força os animais a buscarem abrigo em regiões mais altas, incluindo as cidades ribeirinhas.
  2. 🔥 As queimadas recorrentes no bioma Pantanal, que já destruíram milhões de hectares nos últimos anos, levaram à migração forçada de animais silvestres.
  3. 🐶 A presença de presas fáceis, como cães, gatos, bezerros e até restos de peixe e galinha, atrai os felinos para áreas urbanizadas.
  4. 📲 O avanço da comunicação entre moradores e órgãos ambientais, que aumentou o número de registros e denúncias.

Para o biólogo Diego Viana, é essencial entender que esses encontros não são totalmente novos, mas estão sendo registrados com mais precisão. “Ataques a animais domésticos já ocorriam há décadas, principalmente nas zonas de transição entre campo e cidade. Mas hoje temos câmeras e redes sociais que amplificam os relatos”, destaca.

Segurança e monitoramento reforçados

Diante dos casos recentes, a Polícia Militar Ambiental reforçou o monitoramento nas regiões mais críticas, principalmente nos entornos de áreas turísticas e de proteção ambiental. Embora apenas dois registros oficiais tenham sido confirmados em 2025, o número real pode ser maior, segundo o Instituto Homem Pantaneiro (IHP).

A PMA instalou câmeras em pontos estratégicos, cuja localização não é divulgada para evitar interferência humana. As imagens servem para identificar padrões de comportamento e determinar possíveis rotas de deslocamento dos animais.

Em nota, a corporação informou que todas as denúncias recebidas são encaminhadas aos órgãos competentes, como a Secretaria de Meio Ambiente. A PMA também faz vistorias no local e coleta dados geográficos para mapear áreas de maior risco.

ONG e especialistas pedem estudo mais amplo

Para André Luiz Siqueira, diretor-presidente da ONG Ecoa, a situação exige uma abordagem integrada, que envolva não apenas segurança, mas educação ambiental, pesquisa científica e apoio às comunidades locais.

“As onças mudaram seu comportamento por causa de fatores extremos, como incêndios e secas. Agora, consomem presas menores e circulam perto de residências. É fundamental ampliar os estudos sobre essa nova dinâmica no Pantanal”, afirma.

Ele alerta para os riscos diretos à população mais vulnerável: “Moradores temem por crianças e idosos. Temos relatos de ataques a galinhas, porcos e cães em áreas muito próximas de escolas e centros comunitários”.

Convivência e precauções

O IHP reforça que conviver com a fauna do Pantanal exige preparo e cautela. Eles divulgaram uma série de orientações básicas para evitar confrontos:

A nota do IHP conclui ressaltando que Corumbá está dentro do bioma Pantanal, o que exige uma relação de harmonia com a natureza: “Vivemos cercados por vida selvagem. A presença da onça-pintada é parte disso, e a proteção dela também é uma forma de proteger o nosso ambiente”.

Para mais notícias sobre meio ambiente, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini.

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