Após meses de deterioração e risco à segurança dos motoristas, o DNIT autoriza a abertura de licitação para obras de recuperação da ponte sobre o Rio Paraguai, um dos principais acessos ao Pantanal. Deputado Paulo Duarte e o secretário Guilherme Alcântara discutem também controle de peso dos caminhões de carga.
A ponte sobre o Rio Paraguai, localizada na BR-262, em Porto Morrinho, município de Corumbá (MS), está prestes a passar por uma importante intervenção estrutural. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) autorizou o processo licitatório para recuperação completa da ponte, um passo aguardado há meses por autoridades e motoristas que trafegam pela região.
O anúncio foi feito na tarde desta segunda-feira (27) pelo secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, durante reunião com o deputado estadual Paulo Duarte (PSB), que tem acompanhado de perto a situação da estrutura e cobrado providências dos órgãos responsáveis.
Ponte danificada e risco constante
Construída para ser um dos elos mais importantes entre o Pantanal e o restante do Estado, a ponte sobre o Rio Paraguai tem apresentado graves problemas na pista de rolamento, com buracos profundos, fissuras e vergalhões expostos. A deterioração do pavimento preocupa motoristas, transportadores e moradores da região, que dependem do trecho para o escoamento de produtos e o acesso a Corumbá e Ladário.
A via é usada diariamente por caminhões pesados que transportam minério, grãos e cargas diversas, além de veículos de turismo e trabalhadores locais. Com o avanço dos danos, as reclamações aumentaram nas últimas semanas, especialmente entre condutores que registraram imagens da pista em condições críticas.
“Essa ponte é uma estrutura estratégica para o Pantanal, tanto do ponto de vista econômico quanto social. Ela é o principal corredor logístico de acesso a Corumbá e à fronteira com a Bolívia”, destacou o deputado Paulo Duarte, em entrevista após o encontro.
Licitação garantida pelo DNIT
De acordo com o secretário Guilherme Alcântara, o DNIT confirmou que o processo licitatório foi formalmente autorizado e deverá contemplar a recuperação integral do trecho da BR-262, incluindo a estrutura da ponte.
“A autorização do DNIT representa um avanço importante. A próxima etapa é o processo de licitação, que definirá a empresa responsável pela execução das obras. O objetivo é garantir segurança e durabilidade à ponte, atendendo às demandas da população e dos setores produtivos”, explicou Alcântara.
Embora ainda não haja um cronograma oficial divulgado, a expectativa é de que a licitação ocorra nos próximos meses, com início das obras logo após a contratação da empresa vencedora.
Proposta de controle de peso
Além das obras de recuperação, o deputado Paulo Duarte defendeu a instalação de uma balança móvel para pesagem de caminhões, especialmente os que transportam minério e outras cargas de grande porte. A medida, segundo ele, é essencial para garantir que a manutenção tenha efeito duradouro e evitar que o excesso de peso volte a comprometer a estrutura da ponte.
“A recuperação da ponte é essencial neste momento, mas é preciso pensar adiante”, afirmou Duarte. “Se não houver o controle de peso, toda a reforma poderá ser comprometida em pouco tempo. Por isso, defendo a instalação de uma balança móvel, que permita fiscalizar o transporte de cargas e proteger a estrutura de danos futuros.”
A proposta foi bem recebida pelo secretário Alcântara, que afirmou que o tema deve ser levado ao DNIT para avaliação técnica.
Importância estratégica da ponte
Inaugurada na década de 1980, a ponte sobre o Rio Paraguai é um dos principais marcos de engenharia rodoviária do Mato Grosso do Sul. Ela conecta a planície pantaneira ao restante do Estado e ao restante do país, servindo como passagem obrigatória para o transporte de minério extraído em Corumbá, além de insumos agrícolas e produtos industrializados.
O trecho é igualmente essencial para o turismo ecológico, já que liga Campo Grande à região pantaneira — rota usada por visitantes que buscam pousadas, fazendas e passeios de observação da fauna e flora locais.
Com as falhas estruturais, o tráfego na ponte passou a exigir atenção redobrada. Motoristas relatam que, em alguns pontos, é preciso reduzir drasticamente a velocidade para evitar acidentes. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) já chegou a emitir alertas sobre o estado da pista, e as condições atuais vêm sendo monitoradas por técnicos da Secretaria de Infraestrutura.
Reivindicação antiga atendida
O pedido para a recuperação da ponte foi oficializado por Paulo Duarte há meses, em diálogo com representantes do governo estadual e do DNIT. O parlamentar destacou que a autorização do processo licitatório é resultado de articulação conjunta entre os poderes públicos.
“É uma conquista importante para Corumbá e para o Estado. Esse é um passo que representa segurança para quem utiliza a ponte e respeito aos recursos públicos, já que manter uma estrutura dessas em bom estado evita gastos maiores no futuro”, pontuou o deputado.
Próximos passos
Após a autorização formal do DNIT, o processo licitatório deve definir a empresa responsável pelo projeto e execução das obras. Técnicos da Seilog e engenheiros do DNIT deverão vistoriar a ponte para avaliar o grau de deterioração e definir o escopo completo das intervenções — que devem incluir reforço estrutural, recapeamento da pista e substituição de elementos danificados.
Enquanto isso, motoristas seguem utilizando a ponte com cautela. Em períodos de maior tráfego, especialmente durante o escoamento de safra e a passagem de caminhões com minério, a estrutura opera com monitoramento constante.
A recuperação da ponte é considerada fundamental para o escoamento da produção regional e para a segurança de quem vive ou trabalha no Pantanal sul-mato-grossense. “É uma ação que vai muito além da engenharia — é sobre garantir mobilidade, economia e a vida das pessoas que dependem dessa estrada”, concluiu Duarte.
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Autoria: Sarah Pacini