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Azambuja aponta aduanas e integração como desafios da Rota Bioceânica

Reinaldo Azambuja defendeu integração aduaneira e segurança jurídica para a Rota Bioceânica - Foto: Divulgação

Reinaldo Azambuja defendeu integração aduaneira e segurança jurídica para a Rota Bioceânica - Foto: Divulgação

Ex-governador afirma que ponte em Porto Murtinho precisa ser acompanhada por tecnologia, segurança jurídica e menos burocracia

Reinaldo Azambuja afirmou nesta quinta-feira (6), em Campo Grande, que a conclusão da ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta não será suficiente para garantir o funcionamento pleno da Rota Bioceânica.

Durante o Congresso de Gestão Pública, o ex-governador de Mato Grosso do Sul disse que o corredor internacional dependerá de aduanas integradas, sistemas tecnológicos, segurança jurídica e coordenação entre governos e municípios.

A ponte sobre o Rio Paraguai está com aproximadamente 90% dos trabalhos executados e tem conclusão prevista para agosto de 2026. A estrutura terá cerca de 1,3 quilômetro e fará a ligação rodoviária entre Brasil e Paraguai.

Corredor exige mais do que uma ponte

Para Azambuja, o principal desafio será transformar as obras físicas em um sistema logístico capaz de permitir a circulação rápida e previsível de cargas entre os quatro países do corredor.

“A Rota Bioceânica é muito mais do que uma estrada. É um corredor logístico internacional que precisa ser construído com integração entre os países, aduanas modernas e integradas, tecnologia, segurança jurídica e a participação ativa dos governos e dos municípios”, declarou.

O trajeto passa por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, conectando Mato Grosso do Sul aos portos do norte chileno e, a partir deles, aos mercados do Pacífico e da Ásia.

Acesso brasileiro já está em construção

Diferentemente da informação de que as obras do acesso brasileiro começariam apenas em 2027, os trabalhos já estão em andamento em Porto Murtinho.

O projeto executado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes prevê 13,1 quilômetros de rodovia, seis pontes e um viaduto. O investimento federal é de aproximadamente R$ 472 milhões.

O cronograma divulgado pelo DNIT prevê a conclusão das obras iniciadas até o fim de 2026, embora etapas do empreendimento possam avançar conforme a execução dos contratos.

Aduanas integradas estão entre as prioridades

Azambuja defendeu que os países adotem procedimentos alfandegários coordenados para impedir que caminhões enfrentem novas inspeções e longos períodos de espera em cada fronteira.

O desafio inclui a integração de sistemas, o reconhecimento de documentos, a troca de informações entre autoridades e a definição de regras comuns para o transporte de mercadorias.

Sem essas medidas, a redução da distância física pode não representar uma queda proporcional no tempo total da viagem.

Convenção TIR já foi ratificada

Durante a apresentação, o ex-governador citou a Convenção TIR como uma medida necessária para aumentar a segurança e reduzir a burocracia no corredor.

O Brasil, porém, já ratificou a convenção. O sistema estabelece procedimentos internacionais para o transporte rodoviário de mercadorias, com garantia aduaneira, uso de documentos padronizados e reconhecimento dos controles realizados pelos países participantes.

A adesão é tratada pelo Governo de Mato Grosso do Sul como um dos principais avanços para tornar a Rota Bioceânica operacional. A aplicação prática ainda depende de regulamentação, integração dos órgãos e preparação das empresas transportadoras.

Campo Grande é apontada como centro logístico

Azambuja também defendeu o fortalecimento de Campo Grande como ponto de organização e distribuição das cargas que seguirão pelo corredor.

A capital está conectada à BR-267 e pode concentrar empresas de transporte, armazenagem, serviços aduaneiros e atividades industriais ligadas às exportações.

A prefeitura participa das discussões sobre a governança da rota e apresenta a cidade como ponto estratégico entre as regiões produtoras do Centro-Oeste e a saída pelo Oceano Pacífico.

Rota atravessa municípios de MS

No território sul-mato-grossense, o corredor se conecta a cidades como Sidrolândia, Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Maracaju, Dourados e Porto Murtinho.

Depois da travessia para Carmelo Peralta, o caminho segue pelo Chaco paraguaio, cruza o norte da Argentina e alcança os portos chilenos de Antofagasta, Mejillones, Tocopilla e Iquique.

A pavimentação de trechos no Paraguai e a conclusão dos acessos à ponte estão entre as obras consideradas necessárias para a operação contínua do corredor.

Desenvolvimento depende de investimentos locais

Azambuja afirmou que a rota precisa produzir efeitos econômicos nos municípios atravessados pelo corredor, e não apenas servir como passagem de caminhões.

Segundo ele, o projeto pode estimular a instalação de indústrias, centros de distribuição, hotéis, restaurantes, oficinas e outros serviços.

“O maior e mais importante trabalho da Rota Bioceânica é transformar esse caminho em um corredor de desenvolvimento, capaz de gerar investimentos, atrair indústrias, criar empregos e abrir novas oportunidades para a nossa gente”, disse.

A concretização desse cenário dependerá da conclusão das obras, da redução dos obstáculos alfandegários e da capacidade dos municípios de preparar infraestrutura e serviços para o aumento do fluxo de pessoas e cargas.

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