Pesquisa internacional projeta queda na produção da banana nanica devido às mudanças climáticas; países tropicais da América Latina devem ser os mais afetados
A expressão “a preço de banana” pode perder o sentido nas próximas décadas. Um estudo publicado na revista científica Nature Food, conduzido por pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, aponta que a banana nanica – variedade mais consumida e exportada do mundo – pode se tornar significativamente menos acessível até o final do século.
De acordo com a pesquisa, as mudanças climáticas e o aumento das temperaturas globais estão criando um ambiente hostil para o cultivo da banana, especialmente na América Latina e no Caribe, onde a fruta é fonte vital de renda, emprego e segurança alimentar.
🌍 Por que isso importa?
A banana nanica movimenta US$ 11 bilhões por ano no comércio internacional e mais de 50 milhões de toneladas são produzidas anualmente – sendo 20 milhões destinadas à exportação, com foco em mercados como Europa e Estados Unidos.
Com a elevação média das temperaturas acima dos 30°C prevista para a segunda metade do século, áreas hoje ideais para o plantio se tornarão impróprias para a produção comercial da fruta – especialmente sem acesso à irrigação.
❝ A banana é cultivada em regiões tropicais de baixa altitude, com calor e chuvas regulares. Mas o calor extremo, aliado à escassez de água, ameaça esse equilíbrio necessário para sua produção, afirma o estudo. ❞
🔥 🌧️ Calor, seca e logística difícil
Além da sensibilidade da fruta à seca, os impactos climáticos afetam a logística agrícola. As plantações de banana geralmente precisam estar próximas de portos e centros urbanos, onde há infraestrutura de transporte e trabalhadores. O aumento da temperatura também afeta diretamente a saúde dos trabalhadores rurais, reduzindo a produtividade do campo.
🌎 Impactos econômicos regionais
O estudo identificou que Colômbia e Venezuela estão entre os países que mais perderão capacidade produtiva, tornando-se áreas consideradas “quase inteiramente subótimas” para o cultivo da banana.
- 🇨🇴 Na Colômbia, o impacto pode representar uma queda de pelo menos 5% no PIB agrícola, afetando milhares de empregos em um setor que emprega diretamente ou indiretamente cerca de 300 mil pessoas.
✅ 🇧🇷 Brasil é exceção — por enquanto
Na contramão dessa tendência preocupante, o estudo aponta que o Brasil é uma das poucas exceções. As regiões de cultivo, principalmente no litoral, devem permanecer adequadas nas próximas décadas, especialmente graças a um grande investimento em irrigação agrícola.
🌱 “A infraestrutura de irrigação brasileira pode mitigar os efeitos da seca e manter a produtividade, mesmo com o aumento da temperatura”, destaca o relatório.
O Equador, tradicional líder em exportação de banana, também poderá manter ou até ampliar levemente sua área produtiva.
🔬 Soluções possíveis (e urgentes)
Embora o estudo traga um alerta global, os pesquisadores afirmam que a crise pode ser amenizada com planejamento e investimento. Entre as ações indicadas, destacam-se:
- Melhoramento genético da banana nanica: desenvolvimento de variedades mais resistentes ao calor.
- Expansão de tecnologias de irrigação: essencial para enfrentar a escassez de água.
- Criação de variedades tolerantes à seca: estratégia fundamental para manter a produção em áreas tropicais mais secas.
- Diversificação de culturas agrícolas: alternativa para países que devem perder capacidade produtiva.
A “banana barata” pode se tornar produto de luxo em algumas regiões se nada for feito. O impacto vai além dos supermercados: ameaça economias agrícolas, segurança alimentar e a sustentabilidade de milhões de agricultores nos trópicos.
🍌 A fruta que hoje é símbolo de comida acessível pode se tornar mais escassa e cara — e a ação precisa começar agora.
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Autoria: Sarah Pacini