Polícia e Samu confirmaram que não havia sinais de violência; caso é tratado como morte natural. Família está em choque com a perda da criança.
Uma bebê de apenas quatro meses foi encontrada sem vida pela mãe, na manhã desta quinta-feira (30), no bairro Nova Lima, região norte de Campo Grande (MS). A tragédia aconteceu dentro da casa onde a família vive, e o caso, de acordo com as primeiras informações das autoridades, será registrado como morte natural.
Segundo relatos, a mãe da criança acordou por volta das primeiras horas da manhã e percebeu que a filha não apresentava sinais de respiração. Desesperada, ela tentou reanimar a menina e, em seguida, correu até a casa de uma vizinha para pedir ajuda. A mulher, abalada, ligou imediatamente para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que enviou uma equipe ao local.
Quando os socorristas chegaram, a bebê já estava sem vida. O médico do Samu confirmou o óbito ainda na residência. Em seguida, o caso foi comunicado à Polícia Civil, conforme o protocolo em situações de morte repentina, especialmente envolvendo crianças.
Sem indícios de violência
De acordo com informações apuradas no local, não havia sinais aparentes de violência ou indícios de crime. O corpo da bebê foi encaminhado ao Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), onde passará por exame necroscópico para confirmar a causa da morte. Até o momento, os indícios apontam para morte natural.
A Polícia Militar e a Polícia Civil estiveram na residência, onde realizaram os primeiros levantamentos. Nenhum vestígio de agressão, queda ou interferência externa foi encontrado. A mãe, em estado de choque, foi amparada por vizinhos e familiares.
Segundo a polícia, a casa estava em ordem, e não havia qualquer indício de negligência ou situação de risco para a criança. “Tudo leva a crer que se trata de uma morte súbita infantil, comum em alguns casos envolvendo bebês de poucos meses de idade”, informou uma fonte policial que participou da ocorrência.
Morte súbita infantil: uma preocupação silenciosa
Embora ainda seja cedo para confirmar a causa exata, especialistas explicam que a Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI) é uma possibilidade em casos como este. A condição, que costuma ocorrer durante o sono, afeta bebês aparentemente saudáveis, geralmente com menos de um ano de idade, e é caracterizada pela interrupção inesperada da respiração sem causa evidente.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a SMSI é uma das principais causas de morte em crianças com menos de seis meses. Ela pode estar associada a posições inadequadas de sono, aquecimento excessivo, ambiente com pouca ventilação ou superfícies macias, que dificultam a respiração do bebê.
O órgão recomenda que os bebês durmam de barriga para cima, em colchão firme e sem travesseiros, brinquedos ou cobertores pesados dentro do berço. Também orienta que os pais mantenham temperatura ambiente agradável e evitem cochilos em camas ou sofás compartilhados com adultos, práticas que aumentam o risco de sufocamento acidental.
Apesar dessas recomendações, a morte súbita infantil não tem uma causa única identificada, o que torna o diagnóstico e a prevenção ainda mais complexos. Por isso, a perícia médica será essencial para confirmar o que realmente aconteceu com a bebê.
Família em choque
A residência onde ocorreu a tragédia, localizada em uma rua tranquila do Nova Lima, ficou fechada durante todo o dia. Vizinhos relataram que a família é tranquila e muito unida, e que a mãe se dedicava integralmente aos filhos. A bebê morava com os pais e um irmão de um ano de idade.
“Ela é uma mãe muito carinhosa, sempre cuidou bem das crianças. Está completamente abalada, não consegue nem falar”, contou uma moradora da vizinhança, que pediu para não ser identificada.
Outra vizinha relatou que o clima no bairro é de consternação e tristeza. “É algo que ninguém espera. Um bebê, tão pequenininho… não tem como não se comover. Estamos todos em oração pela família”, disse.
Investigação segue protocolo de rotina
O delegado responsável pela área informou que, como não há suspeitas de crime, o caso será registrado como morte natural. Mesmo assim, a polícia segue o protocolo padrão, aguardando o resultado do laudo do Imol, que deve ser emitido nos próximos dias.
“É importante aguardar o resultado da perícia. Somente após a análise técnica será possível confirmar a causa da morte”, explicou um investigador. Caso o laudo confirme morte natural, o inquérito será encerrado sem indiciamentos.
O Conselho Tutelar também foi informado, como determina o procedimento de praxe em ocorrências com menores de idade. A equipe se colocou à disposição para acompanhar e oferecer suporte psicológico à família, caso necessário.
Tragédias que comovem
Casos como o do Nova Lima têm grande impacto na comunidade, especialmente por envolver crianças em idade de extrema vulnerabilidade. Em Campo Grande, episódios semelhantes são registrados todos os anos, a maioria associada a morte súbita ou problemas respiratórios noturnos.
Especialistas reforçam que, embora sejam situações raras, é fundamental que pais e responsáveis estejam atentos a sinais de dificuldade respiratória, alterações de temperatura ou sono prolongado incomum. A prevenção, aliada ao acompanhamento pediátrico regular, é a principal forma de reduzir os riscos.
Luto e solidariedade
Após a confirmação do óbito, o corpo da bebê foi liberado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal e, posteriormente, entregue à família para os procedimentos fúnebres. A previsão é de que o velório e sepultamento ocorram em cerimônia restrita aos familiares, em respeito à dor da mãe e dos parentes mais próximos.
A tragédia reacende a importância da atenção à saúde infantil, mas também da empatia e do acolhimento em momentos de perda tão sensíveis. No Nova Lima, a comoção é visível: vizinhos deixaram flores e mensagens de conforto na porta da residência.
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Autoria: Sarah Pacini