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Brasil e Paraguai destroem 40 toneladas de maconha

Operação Nova Aliança elimina plantações e acampamentos do crime organizado em regiões estratégicas do Paraguai; prejuízo estimado chega a US$ 144 milhões

As autoridades do Brasil e do Paraguai realizaram uma das maiores ofensivas recentes contra o narcotráfico na fronteira entre os dois países. Em uma ação conjunta que durou dez dias, a Operação Nova Aliança resultou na destruição de 40 toneladas de maconha, avaliadas em cerca de US$ 144 milhões, e no desmonte de 96 acampamentos usados por organizações criminosas para o cultivo e o processamento da droga.

A operação, em sua 53ª fase, foi conduzida pela Polícia Federal (PF) do Brasil e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai, com o apoio da Força Aérea Paraguaia e do Ministério Público. As ações se concentraram nos departamentos paraguaios de Canindeyú, Caaguazú e Alto Paraná, regiões consideradas estratégicas por abrigarem vastas áreas de floresta utilizadas pelo tráfico para o cultivo de cannabis em larga escala.

Ofensiva internacional contra o narcotráfico

De acordo com informações divulgadas pelas forças de segurança, as equipes destruíram 309 hectares de plantações ilegais durante a operação. A quantidade erradicada, segundo cálculos das autoridades, representa o bloqueio de aproximadamente 966 toneladas de maconha que poderiam ser destinadas ao mercado regional — especialmente ao Brasil, principal destino da droga produzida no Paraguai.

Os agentes também atuaram em áreas críticas, como 7 Montes, Pindó e a Reserva Natural Morombí, locais que historicamente funcionam como refúgio para organizações criminosas envolvidas no tráfico transnacional. O objetivo da ofensiva foi atacar diretamente a base produtiva dessas facções, antes que a droga chegasse aos centros de distribuição e consumo.

Durante os dez dias de operação, foram localizados e destruídos acampamentos equipados com prensas, balanças, barracões e outros instrumentos usados para o preparo e o empacotamento da maconha. A ação teve forte caráter preventivo e logístico, desestruturando as rotas de fornecimento e reduzindo a capacidade operacional das quadrilhas.

Resultados expressivos e impacto financeiro

Os prejuízos causados ao narcotráfico com a destruição das plantações e depósitos são estimados em mais de US$ 144 milhões — valor que considera o preço médio de comercialização da droga em território brasileiro. Além das perdas financeiras, as forças de segurança destacam o impacto simbólico da operação, que reforça a cooperação internacional no combate às facções que dominam o tráfico na fronteira.

Em pronunciamento oficial, o ministro da Senad, Jalil Rachid, afirmou que a Operação Nova Aliança representa um marco na política de combate à produção de drogas ilícitas no Paraguai.

“Esta operação demonstra o compromisso firme do Paraguai em atuar de forma coordenada com o Brasil para enfraquecer as estruturas do crime organizado. Estamos atingindo a base do problema, eliminando plantações antes que a droga chegue às rotas de distribuição”, declarou Rachid.

O embaixador do Brasil no Paraguai, José Antonio Marcondes, também participou da cerimônia de encerramento das ações e destacou a relevância da cooperação entre os dois países.

“A Operação Nova Aliança é um exemplo concreto de como o trabalho conjunto entre nossas instituições pode gerar resultados expressivos. A integração policial e militar é essencial para conter o avanço do narcotráfico e preservar a segurança nas fronteiras”, afirmou o embaixador.

A Nova Aliança: 20 anos de cooperação binacional

Criada há mais de duas décadas, a Operação Nova Aliança é considerada uma das mais duradouras e eficazes iniciativas conjuntas entre Brasil e Paraguai no enfrentamento ao tráfico de drogas. Desde sua criação, a operação já resultou na destruição de milhares de hectares de plantações de maconha e na prisão de diversos envolvidos com o narcotráfico.

As ações ocorrem de forma periódica, alternando fases em diferentes regiões do território paraguaio, sempre próximas à fronteira com o Brasil. O modelo de atuação envolve o uso de helicópteros, drones, equipes de inteligência e unidades de elite das forças de segurança dos dois países.

A colaboração também se estende ao campo técnico, com troca de informações, capacitação de agentes e apoio logístico para operações em áreas de difícil acesso. De acordo com fontes da Senad, a cooperação com a Polícia Federal brasileira tem sido fundamental para mapear novas áreas de cultivo e monitorar os fluxos de produção e transporte da droga.

Regiões estratégicas e desafios persistentes

As regiões de Canindeyú, Caaguazú e Alto Paraná são conhecidas por sua proximidade com o território brasileiro e pela presença de corredores logísticos que facilitam o escoamento da droga. A densa vegetação e o relevo acidentado dificultam o patrulhamento terrestre, tornando o uso de tecnologia aérea essencial para localizar plantações escondidas entre áreas de floresta.

Apesar dos resultados expressivos, as autoridades reconhecem que o desafio é contínuo. A erradicação de plantações precisa ser acompanhada por políticas de desenvolvimento regional e fiscalização permanente, evitando que o crime volte a ocupar as áreas destruídas.

Segundo analistas, o cultivo de maconha no Paraguai ainda se mantém como uma das principais fontes de renda para o tráfico na América do Sul, com forte influência de facções brasileiras, especialmente na logística e no escoamento da droga para o mercado interno do Brasil.

Próximos passos na cooperação regional

Ao final da operação, representantes dos dois países reforçaram o compromisso de ampliar o intercâmbio entre forças policiais, militares e órgãos de investigação. A expectativa é que novas fases da Nova Aliança sejam lançadas em 2026, com maior uso de inteligência artificial e monitoramento por satélite.

A parceria Brasil–Paraguai segue sendo apontada por especialistas em segurança pública como um modelo de cooperação regional bem-sucedida, com resultados concretos no enfraquecimento do narcotráfico e na proteção das fronteiras.

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Autoria: Sarah Pacini

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