O país alcançou um importante marco, reduzindo a subnutrição abaixo de 2,5% da população, mas a insegurança alimentar ainda afeta milhões de brasileiros.
Após três anos figurando entre os países com elevados índices de subnutrição, o Brasil deixou oficialmente o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), de acordo com os dados mais recentes da agência. A saída do país desse indicador foi celebrada como uma vitória do governo federal, especialmente por ser uma das promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A melhora nos índices reflete uma série de políticas públicas voltadas para a redução da pobreza e a ampliação do acesso à alimentação, embora a situação ainda exija atenção, especialmente em relação à insegurança alimentar que afeta milhões de brasileiros.
O Mapa da Fome e os Desafios Históricos do Brasil
O Mapa da Fome da ONU é um indicador global que avalia a prevalência de subnutrição grave em diferentes países. Quando mais de 2,5% da população de uma nação está em risco de não ter acesso regular a alimentos suficientes para uma vida saudável, essa nação é incluída no relatório da FAO. Em um cenário global, o Brasil foi um dos países que mais sofreu com essa realidade, especialmente durante a crise econômica dos últimos anos. O país havia retornado ao Mapa da Fome no triênio de 2019-2021, depois de ter saído pela primeira vez em 2014.
A Vitória do Governo Lula e a Estratégia de Combate à Fome
A boa notícia é que, após anos de esforços em políticas de combate à pobreza, o Brasil conseguiu reduzir o percentual de pessoas em situação de subnutrição. A média trienal de 2022 a 2024, que indicava uma prevalência de subnutrição abaixo de 2,5%, foi o principal critério para a saída do país do Mapa da Fome. O presidente Lula comemorou esse avanço como um reflexo das medidas de seu governo, que priorizaram a ampliação de programas sociais, a promoção da agricultura familiar, o fortalecimento da alimentação escolar e o acesso a uma alimentação saudável.
Em uma nota oficial, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome destacou que “a redução da pobreza e o estímulo à geração de emprego e renda” foram essenciais para a melhoria dos índices. O governo também enfatizou a importância do fortalecimento das políticas de segurança alimentar, que permitiram avanços no combate à fome no Brasil.
O Que Significa Estar Fora do Mapa da Fome?
O Mapa da Fome da FAO é um dos principais relatórios globais usados para monitorar a segurança alimentar em todos os países. Para calcular a inclusão de um país no mapa, a FAO utiliza o indicador de “Prevalência de Subnutrição” (PoU, na sigla em inglês), que avalia a porcentagem da população que não tem acesso constante a alimentos suficientes para manter uma vida saudável. O cálculo é feito com base em três variáveis principais:
- Quantidade de alimentos disponíveis no país, considerando a produção local, importações e exportações.
- Consumo alimentar da população, levando em conta as desigualdades de renda que afetam a capacidade de compra de alimentos, com os mais pobres tendo acesso reduzido.
- Quantidade de calorias diárias necessárias para manter uma vida saudável, com base em padrões nutricionais definidos pela FAO.
Se mais de 2,5% da população de um país não tem acesso suficiente a alimentos, isso significa que o país está incluído no Mapa da Fome. A média do Brasil nos últimos três anos, de 2022 a 2024, ficou abaixo desse patamar, o que levou à sua retirada do índice.
Apesar dos Avanços, a Luta Contra a Fome Ainda Não Está Vencida
Embora a redução no índice de subnutrição seja um grande avanço, a situação da insegurança alimentar no Brasil ainda exige atenção. Segundo os dados mais recentes da FAO, a prevalência de insegurança alimentar grave no Brasil está em 3,4%, o que significa que uma parcela considerável da população ainda enfrenta dificuldades para garantir as três refeições diárias. Esse número é alarmante, já que reflete um cenário de extrema vulnerabilidade, onde as famílias vivem com incertezas sobre a disponibilidade de alimentos em suas casas.
Além disso, a insegurança alimentar moderada ainda atinge 13,5% dos brasileiros. Esses dados mostram que, embora o país tenha dado passos significativos na redução da fome, ainda há muitos desafios pela frente. As políticas públicas precisam ser ampliadas para garantir que os avanços sejam sustentáveis e que todos os brasileiros tenham acesso garantido a uma alimentação saudável e adequada.
Avanços e Desafios: O Papel das Políticas Sociais
Nos últimos anos, o Brasil viu uma ampliação significativa de programas sociais, como o Bolsa Família, que se tornou um dos pilares para a redução da pobreza extrema e da insegurança alimentar. Além disso, iniciativas como a merenda escolar e o apoio à agricultura familiar também desempenharam um papel crucial na melhoria do acesso à alimentação saudável, especialmente para as populações mais vulneráveis.
A recuperação da economia e o crescimento da renda das famílias mais pobres também foram fatores importantes. A redução da pobreza extrema e o aumento da renda mínima permitiram que mais brasileiros pudessem garantir pelo menos uma alimentação básica, o que impactou diretamente nos números de subnutrição.
O Futuro: Manter o Avanço e Garantir a Sustentabilidade
Embora o Brasil tenha saído do Mapa da Fome, o caminho para a erradicação da fome e da insegurança alimentar ainda é longo. A crise econômica global e os impactos das mudanças climáticas podem representar desafios adicionais para a segurança alimentar do país, como tem sido o caso de outras nações em desenvolvimento.
A permanência da política pública de combate à fome e a inclusão de mais brasileiros em programas de apoio à alimentação saudável são essenciais para garantir que os avanços não sejam revertidos. Além disso, é necessário promover a inclusão social e garantir que as políticas de segurança alimentar sejam adaptadas para atender a todas as regiões do Brasil, especialmente as mais afetadas pela desigualdade.
A saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU é uma conquista significativa, resultado de políticas públicas voltadas para a redução da pobreza e o aumento do acesso à alimentação. No entanto, a insegurança alimentar ainda atinge milhões de brasileiros, e é fundamental que o país continue a avançar em suas políticas de combate à fome. O Brasil deu um passo importante, mas a luta pela erradicação total da fome e da subnutrição continua sendo um dos maiores desafios para a sociedade.
Autoria: Sarah Pacini.
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