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Caminhoneiro de acidente com 7 mortos na MS-180 depõe e é liberado

Semirreboque carregado com milho se desprendeu e atingiu carro ocupado por sete pessoas na MS-180 - Foto: Rogério Dias

Semirreboque carregado com milho se desprendeu e atingiu carro ocupado por sete pessoas na MS-180 - Foto: Rogério Dias

Motorista disse que não sabia das mortes ao deixar o local; semirreboque com milho se soltou e atingiu carro da família

Caminhoneiro envolvido no acidente que matou sete pessoas da mesma família na MS-180, entre Iguatemi e Japorã, apresentou-se à Polícia Civil neste sábado (15), prestou depoimento e foi liberado.

Everton Salin Santin compareceu à delegacia acompanhado do advogado Higo dos Santos Ferre. Segundo o boletim de ocorrência, não houve prisão porque já não existia situação de flagrante e também não havia mandado judicial contra o motorista.

A investigação continua. Eventual pedido de prisão preventiva dependerá da existência de elementos que justifiquem a medida e da avaliação do delegado responsável pelo caso.

Semirreboque se soltou e atingiu carro

O acidente ocorreu na noite de sexta-feira (14).

Segundo as informações preliminares da Polícia Militar Rodoviária, um semirreboque carregado com milho se desprendeu do caminhão durante o trajeto e atingiu um veículo que seguia no sentido contrário.

Sete pessoas estavam no carro.

Com o impacto, o automóvel pegou fogo e todos os ocupantes morreram.

Motorista disse ter percebido caminhão mais leve

Durante o depoimento, Everton afirmou que passou por Iguatemi entre 19h30 e 20h e seguiu em direção a Japorã.

Cerca de 700 metros depois da ponte entre os dois municípios, ele teria percebido que o caminhão ficou mais leve durante uma subida.

O motorista disse que continuou até uma rotatória próxima a uma escola, fez o retorno e voltou em direção a Iguatemi.

No caminho, encontrou o semirreboque que havia se desprendido.

Caminhoneiro afirma que não viu carro atingido

Segundo o relato prestado à polícia, havia várias pessoas no local retirando milho da pista e veículos parados às margens da rodovia.

Everton afirmou que se aproximou de um bombeiro, que teria solicitado a retirada do caminhão daquele ponto.

Ele declarou que não conseguiu explicar naquele momento que era o responsável pelo semirreboque.

Ainda conforme o depoimento, algumas pessoas começaram a bater na porta do veículo e ele deixou o local por medo.

Motorista diz que soube das mortes no dia seguinte

Questionado sobre não ter permanecido na ocorrência, Everton afirmou que não sabia da existência de vítimas fatais quando retornou ao trecho.

De acordo com a versão apresentada por ele, era possível ver o semirreboque tombado e o fogo, mas o carro atingido não estava visível.

O caminhoneiro disse que somente tomou conhecimento das sete mortes na manhã seguinte, depois de receber mensagens no celular.

A versão apresentada será confrontada com os demais elementos reunidos pela investigação.

Caminhão e tacógrafo serão apresentados

Everton informou ainda que trabalha como caminhoneiro há 14 anos e estava havia aproximadamente 15 dias na empresa atual.

Em depoimento, declarou que não faz uso de bebidas alcoólicas, tabaco ou drogas.

O motorista se comprometeu a apresentar à Delegacia de Polícia de Iguatemi o caminhão e o disco do tacógrafo, equipamento que registra informações sobre o deslocamento do veículo.

Os dados poderão ajudar a polícia a reconstruir a dinâmica do acidente.

Polícia investiga como semirreboque se desprendeu

Outro ponto central da apuração é descobrir por que o semirreboque se soltou.

Segundo o motorista, o equipamento se desprendeu sem que o mecanismo de destravamento fosse acionado e sem provocar danos aparentes ao restante do conjunto.

Ele relatou que apenas as mangueiras ficaram arrastando no chão.

Perícias e exames técnicos deverão verificar essa versão e identificar eventuais problemas mecânicos ou outras circunstâncias relacionadas ao acidente.

Sete vítimas faziam intercâmbio entre aldeias

As vítimas participavam de um intercâmbio cultural entre comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.

O grupo havia passado pela Aldeia Porto Lindo e seguia para a Aldeia Cerrito, em Eldorado.

Segundo familiares e lideranças indígenas, os participantes percorriam aldeias para trocar experiências e sementes e participar de atividades culturais e religiosas.

Entre as vítimas estavam um casal e os dois filhos.

Vítimas foram identificadas

Morreram no acidente:

Tadeu e Luna eram filhos de Laudiceia e Tiago.

Os corpos foram encaminhados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal de Dourados e posteriormente transferidos para Naviraí.

Defesa não comenta dinâmica do acidente

Em nota, a defesa do motorista informou que ele se apresentou espontaneamente à polícia e prestou os esclarecimentos solicitados.

Os advogados afirmaram que não irão comentar, neste momento, a dinâmica do acidente, as causas ou eventual atribuição de responsabilidade, porque o caso ainda está sob investigação.

A defesa também informou que acompanhará o inquérito e apresentará seus argumentos pelos meios processuais adequados.

A Polícia Civil segue reunindo perícias, depoimentos e informações para esclarecer a dinâmica da colisão e definir eventual responsabilidade criminal.

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