Evento “Três Dias Respirando Capoeira Angola” reúne oficinas, rodas e debates sobre ancestralidade afro-brasileira entre os dias 17 e 19 de outubro
Durante três dias, Campo Grande se tornará o ponto de encontro de mestres, mestras e praticantes de Capoeira Angola vindos de várias regiões do Brasil. De 17 a 19 de outubro, a capital sul-mato-grossense receberá o evento nacional “Três Dias Respirando Capoeira Angola”, que acontecerá na Chácara Santo Sossego, no bairro Chácara dos Poderes. Com uma programação intensa e voltada à preservação da ancestralidade afro-brasileira, o encontro promove oficinas, rodas de capoeira, conversas formativas e vivências abertas à comunidade.
Organizado pelo grupo Camuanga de Angola, o evento tem como principal objetivo fortalecer a Capoeira Angola como patrimônio imaterial e reforçar seu papel como prática cultural, educativa e de resistência. “Mais do que uma luta ou um jogo, a Capoeira Angola é uma herança de luta e sobrevivência do povo negro. Este encontro é uma celebração da nossa história e da continuidade dessa tradição”, afirma o capoeirista Mestre Pequeno, coordenador do grupo e único mestre de Capoeira Angola em atividade no Mato Grosso do Sul.
Tradição, identidade e resistência cultural
A Capoeira Angola é reconhecida por preservar os elementos mais tradicionais da capoeira, com ênfase na musicalidade, no simbolismo dos movimentos e nos fundamentos históricos ligados à cultura afro-brasileira. Ao longo dos três dias, os participantes terão a oportunidade de aprender com oito mestres e mestras de renome nacional, como Mestre Jogo de Dentro, Mestra Nani de João Pequeno, Mestre Topete, Mestre Limãozinho, Mestra Gegê, Mestre Jaraguá, Mestre Plínio e o anfitrião Mestre Pequeno.
Além das oficinas técnicas, o encontro também promoverá rodas de conversa sobre ancestralidade, fundamentos e pedagogia da capoeira. Para os organizadores, o evento não é apenas um espaço de formação, mas uma oportunidade de fortalecer vínculos comunitários e afirmar a importância da capoeira enquanto expressão cultural e instrumento de transformação social.
“O nosso objetivo é aproximar mais pessoas da Capoeira Angola, incentivar o diálogo entre gerações e mostrar que essa prática carrega consigo valores de respeito, resistência e coletividade”, reforça Thiago Carvalho, integrante do Camuanga de Angola.
Contribuição solidária e estrutura inclusiva
O evento conta com infraestrutura completa para acolher participantes de diferentes localidades. A contribuição para participar é de R$ 200, valor que inclui alimentação completa (café da manhã, almoço e jantar) e espaço para acampamento. As inscrições podem ser feitas pelos telefones (67) 99268-4334 ou (67) 99212-2093, ou via Pix: 67992080642.
A Chácara Santo Sossego foi escolhida por oferecer um ambiente propício à imersão proposta pelo evento — longe da correria urbana, cercado por natureza e com espaço adequado para a prática da capoeira, rodas de conversa e oficinas coletivas.
Programação valoriza mestres e saberes tradicionais
A programação é distribuída de forma equilibrada ao longo dos três dias, com atividades voltadas tanto à parte técnica quanto aos aspectos culturais e filosóficos da Capoeira Angola. Confira os destaques:
Sexta-feira – 17 de outubro
- 18h às 19h30 – Oficina com Mestra Nani de João Pequeno
- 19h30 às 21h – Roda de Capoeira Angola
- 21h – Jantar
Sábado – 18 de outubro
- 08h30 às 10h – Oficina com Mestre Topete
- 10h30 às 12h – Roda de Capoeira Angola
- 12h30 – Almoço
- 14h às 15h30 – Oficina com Mestre Limãozinho
- 16h às 17h30 – Oficina com Mestra Gegê
- 19h30 às 21h30 – Roda de Capoeira Angola
- 20h – Jantar
Domingo – 19 de outubro
- 08h – Oficina de Maculelê com Mestre Jaraguá
- 09h às 10h30 – Roda de conversa sobre fundamentos e ancestralidade com Mestre Jogo de Dentro e Mestre Plínio
- 11h às 12h30 – Roda de Capoeira Angola
- 13h – Almoço
A força do grupo Camuanga de Angola
O grupo Camuanga de Angola atua em Campo Grande com iniciativas que ultrapassam os limites do jogo e da roda. Com presença ativa em escolas públicas, universidades e centros comunitários, o coletivo também desenvolve o projeto Camuanguinha, que oferece aulas gratuitas de Capoeira Angola para crianças e adolescentes da periferia. O foco é educar por meio da valorização da cultura afro-brasileira, estimulando autoestima, disciplina e pertencimento.
Para o grupo, a realização de um evento desse porte é mais do que uma conquista local: é um gesto de resistência e afirmação de uma identidade que muitas vezes é invisibilizada. “A Capoeira Angola sobreviveu à escravidão, à marginalização e ao racismo estrutural. Hoje, ela segue como espaço de luta, memória e celebração do povo negro”, afirma Mestre Pequeno.
Apoio institucional e fortalecimento de políticas culturais
O “Três Dias Respirando Capoeira Angola” conta com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com o Governo Federal, a Prefeitura de Campo Grande e a Secretaria Municipal de Cultura (Secult). O apoio institucional tem sido fundamental para a viabilização de ações culturais descentralizadas, que valorizam a diversidade e promovem inclusão.
Com eventos como esse, Campo Grande se consolida como um território fértil para manifestações culturais de matriz africana, mostrando que a cultura popular e tradicional tem espaço, reconhecimento e, sobretudo, poder de transformação.
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Autoria: Sarah Pacini