As investigações conduzidas pelo Ministério Público do Paraguai apontam um prejuízo patrimonial preliminar de US$ 809,5 milhões em decorrência das operações ligadas ao Ueno Bank. O dado faz parte da nova etapa da imputação formal apresentada contra o ex-presidente Santiago Peña e o ex-presidente do Banco Central do país, Carlos Carvallo.
Composição dos valores sob investigação
O montante total reúne uma exposição de US$ 576,1 milhões em depósitos na moeda local, equivalentes a 3,608 trilhões de guaranis, além de US$ 809 milhões somados aos US$ 233,4 milhões em recursos em dólar. Essas quantias pertenciam a órgãos como o Instituto de Previdência Social (IPS), Itaipu Binacional, Yacyretá e a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), e ficavam mantidas na instituição financeira enquanto o banco concedia empréstimos a empresas do próprio grupo econômico.
Financiamentos e o caso da residência
Entre as novas evidências reunidas pela acusação, destaca-se a concessão de dois financiamentos simultâneos pelo Ueno Bank a Peña em 13 de maio de 2024. Os valores totalizaram 3,548 bilhões de guaranis, cerca de US$ 510,5 mil, destinados à construção de uma casa particular em San Bernardino.
As parcelas mensais cobradas somavam 239 milhões de guaranis, aproximadamente US$ 34,4 mil. O valor correspondia a cerca de seis vezes o salário mensal declarado por Peña para o cargo de presidente da República, que era de 37,9 milhões de guaranis, ou cerca de US$ 5,45 mil.
Outros elementos do inquérito
O inquérito também passou a abranger a apuração sobre o encerramento da custódia de dois envelopes com US$ 100 mil cada na residência oficial de Mburuvicha Róga, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. Os montantes foram entregues ao ex-mandatário em junho do ano seguinte, período que também registrou reuniões reservadas entre Peña e o controlador do Grupo Vázquez, Miguel Vázquez.
Medidas judiciais e prisões
Diante do volume dos recursos investigados, a Justiça determinou a proibição geral de alienar bens e o embargo preventivo das contas bancárias de Peña e Carvallo para evitar movimentações patrimoniais.
Carlos Carvallo foi alvo de prisão preventiva sob acusações de lesão de confiança, administração em proveito próprio e produção de documentos públicos de conteúdo falso. Ele é apontado por ter ciência de irregularidades patrimoniais no banco desde junho de 2026 e por omitir alertas técnicos em relatórios enviados ao Senado em outubro.
Por sua vez, Santiago Peña também teve a prisão preventiva decretada e segue detido em uma unidade militar localizada em Assunção, tendo recebido autorização da Justiça para receber visitas e utilizar telefone celular. Até o momento, ambos respondem às investigações sem condenação definitiva.
