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Cena de novela impulsiona busca por pensão alimentícia

Reexibição de “Vale Tudo” inspira aumento de 300% nos pedidos de pensão no RJ. Entenda quem tem direito, o que é necessário e como solicitar o benefício.

Uma cena recente da novela “Vale Tudo”, exibida em nova versão pela TV Globo, desencadeou uma verdadeira corrida por informações sobre pensão alimentícia no Rio de Janeiro. Na trama, a personagem Lucimar, vivida por Ingrid Gaigher, decide após oito anos pedir judicialmente pensão para o filho Jorginho, fruto de sua relação com Vasco, interpretado por Thiago Martins.

O impacto da ficção na vida real foi imediato. A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPERJ) registrou recorde de acessos em seu aplicativo de agendamento de atendimentos logo após a exibição do capítulo: 4.560 acessos por minuto, número quatro vezes maior do que a média habitual de mil acessos por minuto.

A repercussão mostra o poder das novelas na formação de consciência social e na mobilização de temas sensíveis. “São três Maracanãs lotados de mulheres se vendo representadas em uma hora de novela. É emocionante!”, escreveu a atriz Ingrid Gaigher em uma rede social.

O que é a pensão alimentícia?

A pensão alimentícia é um direito previsto na legislação brasileira desde 1968, destinado a assegurar o sustento e o bem-estar de dependentes financeiros — principalmente filhos, mas também cônjuges, idosos e pessoas com deficiência.

Na maioria dos casos, ela é estabelecida quando pais separados compartilham a responsabilidade pelo sustento dos filhos menores de idade. A obrigação, no entanto, não se resume apenas à alimentação: abrange vestuário, educação, saúde, lazer e moradia, ou seja, tudo que é essencial à qualidade de vida do beneficiário.

A obrigação geralmente recai sobre quem não detém a guarda física da criança ou adolescente. E, mesmo após atingida a maioridade, o pagamento pode se estender até os 24 anos, desde que o jovem esteja matriculado no ensino superior ou técnico e não possua renda própria.

Quem mais pode pedir pensão?

Embora o foco geralmente recaia sobre crianças e adolescentes, a legislação prevê que a pensão também pode ser solicitada por:

Cada caso é analisado com base em dois critérios principais: a necessidade de quem solicita e a possibilidade de quem paga.

Como solicitar pensão alimentícia

O processo pode ocorrer de forma amigável ou judicial. Em muitos casos, ex-cônjuges chegam a um acordo extrajudicial sobre o valor, que deve ser homologado por um juiz para ter validade legal.

Quando o acordo não é possível, o interessado pode entrar com uma ação judicial. Para quem não tem condições de arcar com os custos de um advogado, a Defensoria Pública é o caminho mais indicado. O órgão garante acesso gratuito à justiça para quem precisa reivindicar seus direitos.

Etapas para solicitar o benefício

  1. Reunir a documentação necessária (veja abaixo);
  2. Procurar um advogado particular ou público (pela Defensoria);
  3. Apresentar a petição inicial no Fórum ou agendar atendimento digital com a Defensoria;
  4. O juiz poderá determinar pensão provisória e depois convocar audiências de conciliação;
  5. Se não houver acordo, o valor será fixado com base nas provas apresentadas por ambas as partes.

Documentos obrigatórios

A documentação varia conforme o caso, mas geralmente é exigido:

Para filhos menores de idade:

Para filhos maiores de 18 anos:

Como usar o aplicativo da Defensoria Pública no RJ

Com a alta procura, o órgão orienta o uso do aplicativo “Defensoria RJ”, que está disponível nas lojas virtuais. Veja o passo a passo:

  1. Baixe o app no seu celular;
  2. Cadastre seus dados pessoais;
  3. Selecione a opção “Agendar atendimento”;
  4. Escolha a área “Direito de Família”;
  5. Detalhe o motivo da solicitação e anexe os documentos exigidos;
  6. Acompanhe o andamento do processo no próprio app.

Justiça além da ficção

Para a subdefensora pública-geral do RJ, Emmanuela Saboya, a cena da novela reforçou um debate necessário: “A pensão alimentícia é muito mais do que comida. É acesso à educação, saúde, dignidade. Não deveria ser necessário judicializar o básico, mas é uma realidade para muitas famílias brasileiras.”

A novela “Vale Tudo”, originalmente exibida em 1988, não abordava esse tipo de enredo. A inclusão da trama na nova versão de 2025 mostra como a dramaturgia pode se atualizar e cumprir um papel educativo, aproximando o público de informações essenciais sobre direitos e cidadania.

Para mais notícias sobre direitos, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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