CEO da OpenAI reforça que confidencialidade em interações com IA não é garantida como em terapias tradicionais; milhões já usam o ChatGPT para desabafos emocionais.
Se você costuma usar o ChatGPT para desabafar, saiba que suas conversas não estão protegidas por sigilo legal, como ocorre com profissionais da saúde mental. O alerta veio diretamente de Sam Altman, CEO da OpenAI, em entrevista recente ao podcast This Past Weekend with Theo Von.
“As pessoas contam as coisas mais pessoais de suas vidas para o ChatGPT”, disse Altman. “Mas ainda não temos garantias legais sobre a confidencialidade dessas conversas.”
Conversas com IA não são protegidas por lei
Enquanto terapeutas, médicos e advogados têm dever legal de manter o sigilo profissional, as interações com IA podem ser requisitadas pela Justiça, caso haja uma ordem. Isso significa que qualquer desabafo, relato de trauma ou confissão feita ao ChatGPT pode não ser privado — algo que muitos usuários ainda não sabem.
Milhões já usam IA como apoio emocional
No Brasil, o uso terapêutico de IAs já é realidade:
- Segundo dados da agência Talk Inc., cerca de 12 milhões de brasileiros usam ferramentas de IA para apoio emocional;
- Desses, 6 milhões recorrem especificamente ao ChatGPT para desabafos ou orientação emocional.
A principal razão? A IA está sempre disponível, é acessível e oferece um anonimato aparente, o que pode ajudar a reduzir o estigma de buscar ajuda.
Riscos: apego emocional e soluções superficiais
A OpenAI reconhece que há um lado sensível nesse tipo de uso. Desde o lançamento das vozes realistas do GPT-4o, surgiram preocupações sobre apego emocional dos usuários às respostas da IA, o que pode substituir ou prejudicar relacionamentos humanos reais.
Além disso, profissionais de saúde mental alertam que chatbots podem oferecer apenas alívio momentâneo, ignorando causas profundas dos problemas.
“Algoritmos podem ser acolhedores, mas não substituem o olhar clínico e o vínculo humano da terapia real”, dizem especialistas.
Altman defende regulação para garantir privacidade
Apesar das limitações atuais, Altman acredita que a legislação precisa evoluir:
“Acredito que deveríamos ter o mesmo conceito de privacidade para suas conversas com a IA que temos com um terapeuta.”
Enquanto isso não acontece, o CEO sugere cautela — e transparência — ao se abrir com sistemas de IA, lembrando que a tecnologia ainda não substitui a terapia humana, nem oferece proteção legal equivalente.
Autoria: Sarah Pacini
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