Infusão tem uso tradicional para problemas digestivos, mas estudos em humanos ainda são limitados e consumo exige atenção
Conhecida também como absinto, a losna é uma planta usada há muito tempo em preparações caseiras para aliviar desconfortos digestivos. A espécie, de nome científico Artemisia absinthium, pode ser preparada como infusão a partir de folhas e flores secas.
Apesar da fama popular, ainda existem poucos estudos clínicos robustos capazes de confirmar todos os benefícios atribuídos ao chá.
Na prática, há uma diferença importante entre uso tradicional e eficácia comprovada. A planta é historicamente associada a queixas como indigestão e falta de apetite, mas isso não significa que o chá possa substituir avaliação médica ou tratamentos indicados para doenças específicas.
Losna é tradicionalmente usada para digestão
Preparações com Artemisia absinthium são tradicionalmente utilizadas para desconfortos gastrointestinais leves e perda temporária de apetite.
A Agência Europeia de Medicamentos registra a losna como um produto de uso tradicional nessas situações, mas esse reconhecimento se baseia principalmente no histórico prolongado de utilização, e não em um grande conjunto de ensaios clínicos modernos.
Isso significa que a planta pode ter espaço como preparação tradicional, mas não há base científica suficiente para afirmar que ela trate, de forma comprovada, uma série de doenças às quais costuma ser associada.
Estudos mostram resultados preliminares
Pesquisas realizadas em laboratório e com animais investigaram propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antimicrobianas da Artemisia absinthium.
Esses resultados, entretanto, não permitem concluir que o chá produza os mesmos efeitos no organismo humano. Estudos in vitro servem principalmente para orientar novas pesquisas, e não para comprovar tratamentos.
Estudo avaliou uso em pacientes com doença de Crohn
Um pequeno estudo clínico publicado em 2007 avaliou uma preparação de losna em pacientes com doença de Crohn.
O trabalho encontrou resultados considerados promissores na redução da necessidade de corticoides, mas utilizou uma preparação concentrada da planta e envolveu um número limitado de participantes.
Por isso, o estudo não permite afirmar que chá de losna trate doença de Crohn nem justifica substituir medicamentos prescritos por essa infusão.
Chá de losna não deve ser usado como vermífugo
Outro uso bastante conhecido na medicina popular é como vermífugo.
Apesar dessa tradição, faltam evidências clínicas suficientes para afirmar que o chá consiga eliminar parasitas do organismo humano.
Pesquisas sobre possível ação antiparasitária existem, inclusive em animais, mas não equivalem à comprovação de eficácia em pessoas. Por isso, suspeitas de verminose devem ser avaliadas por profissional de saúde e tratadas com medicamentos adequados quando necessários.
Tujona exige cuidado
A losna contém tujona, substância que, em quantidades elevadas, pode apresentar efeitos tóxicos sobre o sistema nervoso.
A própria Agência Europeia de Medicamentos trata a presença da tujona como uma questão relevante de segurança e recomenda atenção à quantidade presente em preparações medicinais.
Por esse motivo, aumentar a concentração do chá ou consumir grandes quantidades na tentativa de potencializar seus efeitos não é uma prática segura.
Gestantes devem evitar
Uso de preparações com losna não é recomendado durante a gravidez e a amamentação porque não há dados suficientes que permitam estabelecer segurança nessas fases.
Pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos também devem ter cautela com produtos à base de plantas, já que substâncias naturais podem provocar efeitos adversos ou interagir com remédios.
Natural não significa isento de risco
Chás e outras preparações vegetais podem conter princípios ativos capazes de agir no organismo.
Por isso, o uso frequente ou em grandes quantidades deve ser evitado sem orientação profissional, principalmente quando existem sintomas persistentes, doenças prévias ou uso regular de medicamentos.
Azia recorrente, dores abdominais, vômitos ou outros problemas digestivos também não devem ser tratados indefinidamente apenas com receitas caseiras, porque podem exigir investigação da causa.
