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Cida Gonçalves é exonerada do Ministério das Mulheres

Troca no comando faz parte da estratégia de reforma ministerial do governo Lula; Cida, natural de Campo Grande, tem longa trajetória no ativismo pelos direitos das mulheres

O governo federal oficializou nesta segunda-feira (5) uma mudança significativa na estrutura do primeiro escalão: Cida Gonçalves foi exonerada do Ministério das Mulheres e será substituída por Márcia Lopes, assistente social e ex-ministra do Desenvolvimento Social no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A troca, que já era especulada desde o início do ano, foi confirmada por meio de nota do próprio ministério e publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

A saída de Cida Gonçalves, que comandava a pasta desde janeiro de 2023, ocorre dentro do contexto de rearranjos políticos promovidos por Lula, com o objetivo de cumprir compromissos partidários e reposicionar lideranças com novos perfis para determinadas áreas estratégicas. Ambas — Cida e Márcia — são filiadas ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Mudança estratégica no perfil da pasta

Márcia Lopes, que assume a liderança da pasta, é reconhecida por sua atuação na área de assistência social e pela experiência acumulada em programas voltados à inclusão e proteção de populações vulneráveis. A expectativa no Planalto é de que ela traga um novo foco à política pública voltada às mulheres, ampliando o escopo da atuação do ministério para além das ações de enfrentamento à violência, área prioritária da gestão de Cida Gonçalves.

A mudança também atende à necessidade de reforçar articulações políticas internas, já que a substituição de ministros do mesmo partido é considerada uma forma de fazer ajustes sem provocar tensões maiores na base aliada.

A trajetória de Cida Gonçalves: de Campo Grande ao ministério

Natural de Campo Grande (MS), Aparecida Gonçalves, mais conhecida como Cida Gonçalves, tem uma trajetória consolidada no ativismo feminista e nas políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra mulheres. Ela é especialista em gênero e há mais de quatro décadas atua na defesa dos direitos das mulheres em diferentes frentes, tanto no terceiro setor quanto em gestões públicas.

Nos anos 1980 e 1990, Cida foi uma das coordenadoras do movimento popular de mulheres na capital sul-mato-grossense, tendo papel central na fundação da Central dos Movimentos Populares, entidade que articula lideranças de base em todo o país. Atuou também no governo de Zeca do PT, então governador de Mato Grosso do Sul, no fim da década de 1990 e início dos anos 2000.

Em sua gestão no Ministério das Mulheres, Cida teve como foco o fortalecimento da rede de atendimento às vítimas de violência, reativando e expandindo a Casa da Mulher Brasileira, um dos principais programas federais voltados à proteção das mulheres. Ela também esteve à frente de campanhas de conscientização, além de articulações com estados e municípios para ampliar a presença de políticas de gênero no território nacional.

Denúncias e desgaste interno

Embora sua exoneração tenha sido oficialmente atribuída a uma mudança de perfil no comando da pasta, a gestão de Cida não esteve livre de turbulências. Em fevereiro deste ano, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República chegou a abrir uma investigação contra ela por denúncias de assédio moral dentro do ministério.

Contudo, segundo o próprio colegiado, não foram encontradas provas suficientes que justificassem a continuidade do processo, e o caso foi arquivado. Mesmo assim, o episódio gerou ruído interno e teria contribuído para desgastes junto a aliados e interlocutores da pasta.

Reações à saída

A exoneração de Cida Gonçalves teve repercussão especialmente em Mato Grosso do Sul, onde ela iniciou sua carreira política. O ex-governador do estado e atual deputado estadual José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, foi uma das poucas vozes do partido a comentar a troca publicamente até o momento.

Para ele, a substituição é parte de um processo natural dentro do próprio partido e pode representar uma reorientação das ações do ministério. “A Cida tem um grande currículo, cumpriu um papel importante. O que eu presumo é que a substituição se deu por perfil, talvez para mudar o foco da atuação da pasta. É algo rotineiro, que pode fortalecer outras áreas dentro da política pública para mulheres”, comentou o parlamentar.

Continuidade das políticas públicas

A nomeação de Márcia Lopes é vista como uma sinalização de continuidade das diretrizes do governo Lula para a igualdade de gênero, mas com um possível redirecionamento para ações sociais estruturantes, dada a experiência da nova ministra no campo da assistência social.

A expectativa é de que, nos próximos dias, Márcia anuncie as prioridades de sua gestão, incluindo novas frentes de atuação, parcerias institucionais e metas para o segundo semestre de 2025.

O Ministério das Mulheres é uma das pastas mais simbólicas do governo Lula, criada originalmente em seu primeiro mandato e recriada em 2023 como parte do compromisso com a promoção da equidade de gênero e o combate à violência contra a mulher.

Com a troca, o governo busca dar novo fôlego à agenda feminina sem perder o alinhamento ideológico e técnico com os movimentos sociais e lideranças do PT.

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Autoria: Sarah Pacini

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