Prefeitura, Câmara e Assembleia Legislativa já aprovaram a proposta de mudança para “Rio Verde do Pantanal”; plebiscito vai definir se população concorda com a alteração.
A cidade de Rio Verde de Mato Grosso, localizada a cerca de 194 quilômetros de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, está prestes a decidir se muda oficialmente de nome para Rio Verde do Pantanal. A proposta tem como objetivo acabar com décadas de confusão geográfica causada pela semelhança do nome com cidades de outros estados da região Centro-Oeste.
A mudança, que já recebeu sinal verde tanto do prefeito quanto dos vereadores do município, agora depende da vontade popular. Um plebiscito será realizado para que os moradores possam votar a favor ou contra a alteração do nome. A iniciativa busca reforçar a identidade regional e evitar equívocos recorrentes com outras cidades chamadas “Rio Verde” no Brasil.
Atualmente, há pelo menos outras duas cidades com nomes semelhantes: Rio Verde, em Goiás, e Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. A semelhança de nomenclatura, especialmente com esta última, frequentemente gera confusão em documentos, serviços de entrega, turismo e até em órgãos oficiais.
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), deputado Gerson Claro, já formalizou o pedido ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) para que organize a consulta popular no município. O plebiscito, embora ainda sem data definida, será a etapa decisiva do processo. Caso a maioria dos eleitores diga “sim”, a Câmara de Vereadores votará um novo projeto de lei com a nova denominação, e o prefeito sancionará a mudança oficialmente.
Segundo o atual prefeito de Rio Verde de Mato Grosso, Antônio Sabedotti Fornari, a proposta de mudança de nome não se trata apenas de uma ação simbólica, mas de um “anseio legítimo” da comunidade. De acordo com ele, a atual nomenclatura é fonte de equívocos constantes, e a confusão prejudica o orgulho e o sentimento de pertencimento dos moradores sul-mato-grossenses.
“Não somos Mato Grosso, somos Mato Grosso do Sul. E essa distinção precisa ser refletida em nossa identidade”, afirmou o prefeito. A nova proposta de nome, Rio Verde do Pantanal, também tem o objetivo de destacar a localização da cidade dentro do bioma pantaneiro, um dos mais ricos e importantes do país. Dessa forma, a nova nomenclatura também poderá fortalecer o turismo ecológico na região, valorizando a marca Pantanal no nome do município.
A proposta ganhou força política em 2025, quando lideranças locais passaram a discutir publicamente os impactos negativos da confusão gerada pela atual denominação. De acordo com fontes da administração municipal, há casos de turistas que desembarcaram no estado errado, além de envios postais extraviados e até confusões em atendimentos bancários e registros federais.
A alteração do nome de cidades brasileiras, embora relativamente rara, não é inédita. A Constituição Federal permite esse tipo de mudança, desde que seja feito um plebiscito e a população local aprove a proposta. O processo ainda exige sanção legislativa municipal e o reconhecimento estadual e federal, o que pode levar alguns meses após a decisão popular.
Especialistas em geopolítica urbana afirmam que o nome de uma cidade tem influência direta na forma como ela é percebida, tanto interna quanto externamente. “A nomenclatura de um município é mais do que uma questão de tradição; ela afeta a identidade cultural, o turismo, os negócios e até a autoestima dos habitantes”, explicou a urbanista e professora universitária Lúcia Cavalcante, em entrevista ao G1.
A expectativa agora é que o TRE-MS defina a data do plebiscito nos próximos meses, para que os eleitores da cidade possam se posicionar sobre a proposta. Enquanto isso, a iniciativa já desperta debate entre os moradores. Nas redes sociais, há quem apoie a mudança por considerar o novo nome mais adequado à geografia local, enquanto outros defendem a permanência do nome tradicional como parte da história da cidade.
Se for aprovado, o novo nome “Rio Verde do Pantanal” poderá entrar em vigor ainda em 2025, após todos os trâmites legais. Até lá, o município segue em contagem regressiva para uma decisão histórica que poderá redesenhar sua identidade diante do Brasil.
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Autoria: Sarah Pacini