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Como a Pimenta da Serra popularizou no país

Criado após o transplante da filha, negócio de Osmar Müller ultrapassa fronteiras e conquista paladares na América Latina por meio do programa agroBR

O que começou como um momento de dor e incerteza transformou-se em uma trajetória de superação que hoje leva o nome de Guia Lopes da Laguna, em Mato Grosso do Sul, ao cenário internacional da gastronomia artesanal. A história de Osmar Müller, bombeiro militar e idealizador da marca Pimenta da Serra, é um exemplo claro de como desafios pessoais podem dar origem a novos caminhos — e até a sabores que atravessam fronteiras.

Com apoio do Senar/MS, especialmente por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústria e do programa agroBR, Osmar levou seu molho artesanal à Expoalimentaria, no Peru, uma das maiores feiras de alimentos e tecnologia agroalimentar da América Latina. De amostra caseira servida a amigos, o produto passou a despertar o interesse de importadores de vários países.


Do hospital à panelas: a origem da receita que mudaria sua vida

Antes de ganhar prateleiras estrangeiras, o molho de Osmar nasceu em um período difícil. Sua filha, Luciane, diagnosticada com diabetes ainda criança, enfrentou anos de complicações renais que a levaram à fila de transplante. Foram meses de espera, viagens ao hospital e noites em claro — até o dia 12 de agosto de 2019, quando finalmente chegou a notícia que mudaria o destino da família: os órgãos haviam sido doados.

Durante os longos intervalos entre internações e exames, Osmar frequentava uma pequena lanchonete próxima ao hospital. Lá, provou um molho de pimenta que o marcou profundamente. Quando voltou a Mato Grosso do Sul após o transplante, decidiu tentar reproduzir o sabor em casa — mas logo acrescentou seu toque especial. Os amigos provaram, aprovaram e começaram a pedir mais e mais.

Da necessidade de ocupar a mente e aliviar a tensão nascia, sem que ele percebesse, a chama da Pimenta da Serra.


Senar/MS transforma paixão em negócio e profissionaliza a marca

A virada definitiva aconteceu quando o Senar/MS entrou na história. Pelo ATeG Agroindústria, Osmar recebeu orientação especializada para transformar o hobby em empresa, incluindo:

“O Senar/MS nos deixou em outro patamar. Ficamos muito mais profissionais. Tudo ficou mais organizado e vendável”, relata Osmar.

Ao mesmo tempo, ele se aprofundou na agroindústria artesanal e ampliou o portfólio, incluindo geleias, caponatas e tomates confitados, sempre com foco na qualidade e na identidade regional.


Da serra sul-mato-grossense para o mundo

Com a marca estruturada, Osmar foi selecionado para representar Mato Grosso do Sul na Expoalimentaria, no Peru. Lá, conheceu compradores de diversos países, apresentou seus molhos e voltou para casa com uma lista valiosa de contatos.

“Dois chilenos provaram, acharam o aroma incrível e acabaram virando a garrafinha de amostra. Também conheci importadores dos Estados Unidos, da República Dominicana e do próprio Peru. Foi uma semente plantada que vai dar frutos”, celebra.

Participar da feira foi resultado direto do trabalho realizado pelo agroBR, iniciativa da CNA que oferece treinamentos, fichas técnicas multilíngues, orientação sobre precificação de exportação e suporte logístico para produtores que desejam levar seus produtos ao mercado externo.

A oportunidade abriu portas e colocou o molho de Guia Lopes da Laguna entre os sabores mais comentados do pavilhão.


Uma paixão antiga que encontrou propósito

O interesse de Osmar por pimentas não começou com o negócio. Ele conta que, ainda adolescente, cultivava as variedades no quintal de casa e preparava conservas com cachaça e vinagre para presentear amigos.

“Era minha paixão. Eu colhia, preparava e oferecia. Todo mundo gostava e pedia mais”, relembra.

A diferença é que, agora, esse hábito ganhou estrutura, nome, rótulo e — acima de tudo — propósito. A história que começou como alívio emocional durante uma fase delicada tornou-se um empreendimento capaz de gerar renda, representar o Estado lá fora e inspirar outras famílias.


Planos para o futuro: expandir sem perder a essência

Hoje, o objetivo é continuar ampliando mercados, mas sem abandonar a simplicidade que sempre guiou a Pimenta da Serra.

“Quero que o produto continue acessível a todos, que qualquer pessoa possa sentir o mesmo sabor que a gente sente aqui”, afirma Osmar.

Enquanto novos contatos internacionais amadurecem, a marca segue ganhando força no Estado e conquistando espaço nos lares de quem aprecia produtos artesanais com história e identidade.


Uma história de superação que cruzou fronteiras

A trajetória da Pimenta da Serra é mais que o relato de um empreendedorismo de sucesso. É o reflexo de como a dor pode se transformar em força criativa, de como o apoio técnico e institucional faz diferença — e de como sabores simples do interior podem alcançar o mundo quando encontram a orientação certa.

De um momento de luta pela vida da filha nasceu um molho que hoje carrega o selo de qualidade do Senar/MS e o orgulho de representar o sabor autêntico de Mato Grosso do Sul.

Autoria: Sarah Pacini.

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