Projeto de lei reconhece evento como instrumento de valorização cultural e empoderamento de jovens indígenas no estado.
Mato Grosso do Sul deu mais um passo importante no reconhecimento e valorização da cultura dos povos originários. A Assembleia Legislativa aprovou nesta quarta-feira (21) o Projeto de Lei 131/2024, de autoria da deputada estadual Lia Nogueira (PSDB), que inclui oficialmente o concurso “Miss e Mister Indígena” no Calendário Oficial de Eventos do Estado. A proposta recebeu apoio unânime dos parlamentares e prevê a realização anual do evento no mês de abril, em consonância com o Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril.
O concurso, que nasceu na Reserva Indígena de Dourados como uma atividade complementar a seminários voltados à discussão de temas ligados aos povos indígenas, cresceu e ganhou relevância social e cultural. Ao longo dos anos, deixou de ser apenas uma disputa simbólica para se tornar uma importante ferramenta de visibilidade, representatividade e valorização da identidade indígena.
Para a autora do projeto, a deputada Lia Nogueira, a iniciativa contribui não apenas para preservar tradições, como também fortalece o sentimento de pertencimento entre os jovens indígenas. “O Miss e Mister Indígena vai muito além da beleza física. É um espaço de afirmação cultural. Os participantes exibem com orgulho suas vestimentas típicas, dançam suas danças tradicionais, falam seus idiomas maternos e mostram ao mundo a riqueza de suas origens”, destacou a parlamentar durante a sessão.
Ela também enfatizou o impacto positivo que o concurso tem na autoestima da juventude indígena. “É um incentivo ao empoderamento, ao fortalecimento das lideranças jovens e ao engajamento social. Verem-se representados em um evento oficial do Estado ajuda a consolidar valores e estimula a valorização da cultura entre as novas gerações”, completou Lia Nogueira.
O reconhecimento oficial do evento pela Assembleia Legislativa também abre portas para novas possibilidades de apoio institucional e financiamento. Isso pode impulsionar ainda mais a visibilidade do concurso, promovendo a diversidade étnica e estimulando o turismo cultural em regiões com forte presença indígena.
A deputada estadual Gleice Jane (PT), que também se manifestou em plenário, reforçou a importância do evento como instrumento de resistência e expressão cultural. “Vivemos em um Estado multicultural, onde mais de 70 mil indígenas de diversas etnias compõem uma parte significativa da população. Valorizar essas culturas é um dever do poder público. O concurso é uma forma leve, alegre e representativa de fazer isso”, disse.
A realização do concurso todos os anos em abril reforça sua conexão com o calendário nacional de lutas e celebrações dos povos indígenas. A escolha do mês não é aleatória. O Dia dos Povos Indígenas marca um momento de reflexão sobre os direitos desses povos, suas lutas históricas e a importância da preservação de suas tradições diante dos desafios contemporâneos.
Desde sua criação, o “Miss e Mister Indígena” tem reunido jovens representantes de diferentes etnias que vivem em Mato Grosso do Sul, especialmente das comunidades Guarani, Kaiowá e Terena. Os participantes são avaliados não apenas por aspectos estéticos, mas por critérios como conhecimento cultural, engajamento comunitário, domínio do idioma nativo e habilidades de comunicação.
Além do desfile, o evento conta com apresentações culturais, exposições de artesanato, rodas de conversa e oficinas, funcionando como uma verdadeira celebração da diversidade étnica e cultural do Estado. Com a inclusão no calendário oficial, espera-se que o alcance do concurso se amplie ainda mais, envolvendo escolas, universidades, instituições culturais e a sociedade em geral.
Especialistas em cultura indígena e representantes de movimentos sociais elogiaram a decisão da Assembleia Legislativa. Para eles, o reconhecimento institucional do evento representa uma importante sinalização de respeito e incentivo à pluralidade cultural brasileira.
Com a sanção do projeto de lei, o concurso “Miss e Mister Indígena” não apenas se fortalece como um evento tradicional, mas também se torna um símbolo da luta por reconhecimento, visibilidade e dignidade dos povos originários. “Nosso objetivo é transformar esse concurso em uma grande vitrine da cultura indígena sul-mato-grossense para o Brasil e para o mundo”, concluiu Lia Nogueira.
A expectativa é que a próxima edição do concurso, já sob o novo status oficial, conte com maior apoio logístico e institucional, reforçando seu papel como espaço de celebração, resistência e protagonismo indígena.
Para mais notícias sobre o calendário cultural de Mato Grosso do Sul, confira o Portal E-Brasil.
Autoria: Sarah Pacini