Entre os dias 13 e 18 de outubro, a produção de 15 artesãs do litoral paranaense marcará presença em um dos maiores eventos de moda do mundo, o São Paulo Fashion Week (SPFW). O trabalho, liderado por Ana Maria de Almeida, presidente da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná, será exibido no estande do Sebrae como representante oficial do estado, buscando atrair estilistas e especialistas em busca de alternativas ecológicas para a indústria.
Inovação sustentável a partir do descarte da pesca
Iniciado em 2010 por meio de um curtume local, o projeto transforma resíduos da pesca artesanal de espécies como robalo e linguado, além da tilápia de cativeiro, em matéria-prima de alta qualidade. “Com isso, foi possível agregar valor a um produto que até então era descartado como rejeito, muitas vezes poluindo o ambiente”, ressalta Ana Maria de Almeida.
Atualmente, a fabricação alcança cerca de 200 quilos mensais. O método de beneficiamento é semiartesanal e utiliza tanino vegetal no curtimento, resultando em um material resistente, durável, sem cheiro e livre de metais pesados. “Além da qualidade, é importante frisar que o produto não oferece risco para quem irá manuseá-lo”, salienta a presidente da associação.
Reconhecimento oficial e valorização estética
Este ano, o material alcançou um marco histórico ao receber o registro de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), sendo a primeira certificação do país para essa categoria de produto. Maria Isabel Rosa Guimarães, gestora estadual das IGs pelo Sebrae Paraná, aponta que a textura da pele confere exclusividade às peças. “Esse desenho é único para cada espécie e inimitável”, comenta, destacando também o rigor técnico na escolha das peles e o forte impacto social da iniciativa voltada ao protagonismo feminino.
Variedade de aplicações e portfólio de produtos
A associação comercializa tanto o couro bruto quanto itens acabados. “Uma peça pequena de couro como matéria-prima é vendida a R$ 8. Já uma peça maior, de um robalo grande ou pescada amarela, é comercializada por cerca de R$ 60”, comenta Ana Maria de Almeida. O portfólio inclui desde acessórios como bolsas, cintos e bijuterias até aplicações nos setores de calçados, confecções e decoração.
A regulamentação da IG abrange 16 espécies diferentes de água doce e salgada, contemplando peixes como tainha, corvina, parú e cação. Com a recente promulgação da lei municipal 2.689/2025, que consagrou a cidade como Centro de Produção de Couro de Peixe, o grupo planeja expandir ainda mais a atuação, consolidando uma trajetória iniciada em 2007 através de parcerias com o governo estadual e instituições de ensino.
