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Consumo excessivo de energético pode causar arritmias e insônia

Cafeína em doses elevadas impacta diretamente o sistema cardiovascular e neurológico, e uso combinado com álcool aumenta riscos à saúde, especialmente entre os jovens.

As bebidas energéticas se tornaram populares entre jovens, estudantes, trabalhadores e atletas por seus efeitos estimulantes imediatos. Elas prometem mais disposição, aumento da concentração e redução do cansaço. No entanto, o consumo exagerado dessas bebidas pode representar um sério risco à saúde, principalmente ao coração e ao cérebro, segundo especialistas em cardiologia e medicina esportiva.

Essas bebidas são ricas em cafeína, uma substância estimulante que começa a agir poucos minutos após a ingestão. Quando consumida de forma moderada, a cafeína pode realmente trazer benefícios pontuais, como maior estado de alerta e desempenho físico melhorado. Mas o excesso, cada vez mais comum, pode ser prejudicial e até perigoso.

O cardiologista Rodrigo Bougleux, presidente do Grupo de Estudos de Cardiologia do Esporte da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), explica que os efeitos da cafeína vão além do simples aumento de energia. “A pessoa se sente mais desperta, ativa, com mais foco, mas isso pode evoluir para quadros de irritação, insônia, palpitações e ansiedade”, afirma. Segundo ele, o consumo irresponsável de energéticos tem crescido, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.

A recomendação da SBC é clara: adultos não devem ultrapassar o consumo diário de 400 mg de cafeína, o equivalente a cerca de quatro xícaras de café coado. No entanto, uma única lata de energético de 470 ml pode conter até 160 mg de cafeína — e muitas pessoas ingerem mais de uma por dia. Em adolescentes, o limite diário recomendado é ainda menor: 100 mg. Isso significa que apenas uma lata já supera o nível considerado seguro para essa faixa etária.

Os efeitos colaterais mais imediatos do consumo excessivo incluem aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e arritmias. Mas os impactos não param por aí. O sistema nervoso central também é afetado: em um primeiro momento, há um estado de alerta aumentado, mas, passado o efeito, surgem sintomas como fadiga, irritabilidade, dificuldades de concentração e até episódios de ansiedade intensa.

A associação de bebidas energéticas com álcool — prática comum em festas e baladas — potencializa os riscos. A mistura pode mascarar os sinais de embriaguez, fazendo com que a pessoa consuma mais álcool do que o corpo consegue processar com segurança. O resultado são intoxicações, desidratação e maior chance de comportamentos de risco. Apesar de os rótulos das embalagens alertarem contra essa combinação, a prática segue difundida entre os jovens, muitas vezes por falta de informação adequada.

A Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir), entidade que representa os fabricantes de energéticos, destaca que todos os produtos seguem as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre as exigências, estão advertências nos rótulos sobre o consumo por crianças, gestantes e pessoas com condições médicas específicas, além da orientação clara para não combinar energéticos com bebidas alcoólicas.

Segundo Bougleux, embora a cafeína seja uma substância segura quando ingerida com moderação, o consumo desenfreado tem se tornado um problema de saúde pública. “É fundamental reforçar a conscientização sobre os limites e os riscos. As pessoas precisam entender que, mesmo sendo um produto vendido livremente, o energético não é isento de efeitos adversos”, afirma o médico.

Além disso, há um aspecto cultural que contribui para o uso abusivo. Muitos jovens utilizam os energéticos como forma de se manterem acordados durante longos períodos de estudo ou trabalho, acreditando que isso melhora seu desempenho. Entretanto, estudos indicam que a qualidade do sono prejudicada por esse hábito pode comprometer a memória, a capacidade de aprendizado e o equilíbrio emocional.

Diante desse cenário, especialistas sugerem que campanhas de informação mais abrangentes sejam realizadas, especialmente em escolas e universidades. A proposta é conscientizar sobre os efeitos a curto e longo prazo do uso excessivo de bebidas energéticas, além de incentivar a adoção de hábitos mais saudáveis, como sono adequado, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos.

Outro ponto de atenção é o marketing agressivo voltado ao público jovem. A embalagem atrativa, os sabores variados e a promessa de “energia instantânea” tornam os energéticos um produto de alto apelo. No entanto, a ausência de uma regulação mais rigorosa sobre publicidade direcionada a adolescentes levanta questionamentos sobre a responsabilidade das marcas nesse processo.

Em resumo, embora os energéticos possam ser consumidos com segurança dentro dos limites recomendados, o abuso pode gerar problemas significativos para a saúde cardiovascular e mental. Especialistas reforçam: mais do que energia temporária, é necessário promover um estilo de vida equilibrado para manter o bem-estar a longo prazo.

Para mais notícias sobre saúde, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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