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Mulheres no agro ganham destaque com foco em gestão e cooperativismo

Cooperativismo e liderança feminina ganham força diante dos desafios do agronegócio

O protagonismo das mulheres no setor produtivo nacional foi o tema central do painel “O agro é cooperativista”, realizado durante o evento Agro é Delas, promovido pela Globo Rural na manhã desta terça-feira (20/10). A discussão reuniu lideranças femininas para debater os caminhos que fortalecem a presença feminina nas decisões estratégicas, desde a porteira até a indústria.

Novas exigências para o financiamento rural

Abrindo o debate, a CEO do Rabobank, Fabiana Alves, destacou que a transformação constante do setor exige maior preparo técnico das produtoras e produtores.

“O agro vive uma transformação constante. As mulheres têm um papel fundamental nas novas agendas do setor e nas tomadas de decisão. Para isso, é fundamental que invistam em capacitação e conhecimento sobre bancabilidade e medidas de sustentabilidade”, afirmou a executiva.

Segundo ela, a obtenção de recursos financeiros passou a exigir critérios mais rigorosos de gestão.

“Crédito ainda existe, mas exige mais preparo”, assinala Fabiana, explicando que a chamada bancabilidade avalia indicadores como patrimônio, endividamento, retorno sobre investimentos, gestão de riscos, precificação e planejamento financeiro.

“O crédito não desapareceu, mas ficou mais seletivo. Os bancos buscam operações mais preparadas para enfrentar os desafios e a volatilidade do mercado”, pontuou, acrescentando que práticas voltadas à mitigação de impactos climáticos extremos tornaram-se diferenciais cruciais na análise de risco.

O papel estratégico do cooperativismo

Diante de um cenário marcado por volatilidade econômica e instabilidade climática, o cooperativismo surge como uma ferramenta essencial para ampliar o poder de barganha e o acesso a mercados.

“O cooperativismo faz parte da essência do agronegócio e oferece aos produtores mais capacidade de negociação, acesso a mercados e estrutura para enfrentar períodos de incerteza. Acreditamos que o sistema cooperativista precisa fazer parte do agro. Em uma cadeia tão dependente de capital e sujeita a tantas volatilidades, as cooperativas trazem poder de barganha e uma estrutura mais robusta para os produtores”, declarou Fabiana, citando como exemplo a parceria secular entre o banco e a Cooxupé.

Presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella apresentou dados que comprovam a solidez do setor. Conforme relatório divulgado, o sistema conta com 4.400 cooperativas e 29,02 milhões de cooperados, representando um crescimento de 86% em relação a 2019, além de gerar mais de 613 mil empregos diretos e movimentar R$ 848,37 bilhões em ingressos.

“Atualmente, 72% dos agricultores familiares estão ligados ao sistema cooperativo, utilizando a organização coletiva como forma de agregar valor à produção e ampliar oportunidades de mercado”, destacou Tania.

Desafios para a liderança feminina

Embora as mulheres já representem 38% dos cooperados, o avanço para cargos de comando ainda é apontado como a principal barreira a ser superada.

“O importante não é apenas ampliar a participação feminina na base, mas garantir que essas mulheres estejam nos cargos de liderança, contribuindo para a tomada de decisões e para os resultados econômicos das organizações”, pontuou a presidente executiva da OCB.

Diante de custos elevados e margens de lucro reduzidas, Tania ressaltou que a proximidade com o produtor faz das cooperativas um porto seguro, sobretudo em regiões com baixa oferta de serviços financeiros tradicionais.

“Por que as cooperativas crescem nos momentos de crise? Pela confiança. Elas estão próximas do produtor e conseguem oferecer suporte quando ele mais precisa”, concluiu.

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