Liminar vale para cada unidade enquanto durar a paralisação; em MS, sindicato confirma greve, mas não há balanço de adesão
Uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que os Correios mantenham pelo menos 80% dos funcionários em atividade em cada unidade durante a greve nacional da categoria. A liminar foi concedida no sábado (12) e não encerra a paralisação.
A determinação alcança setores de atendimento, tratamento, transporte e distribuição de encomendas, além das áreas administrativas e de suporte consideradas necessárias para manter os serviços postais.
Greve continua em Mato Grosso do Sul
O Sindicato dos Trabalhadores nos Correios, Telégrafos e Similares de Mato Grosso do Sul (Sintect/MS) informou que a paralisação continua no Estado.
Ainda não foi divulgado, porém, um levantamento com o número de funcionários ou de agências que aderiram à greve em Mato Grosso do Sul. Por isso, não é possível confirmar se o percentual mínimo determinado pelo TST está sendo cumprido em cada unidade.
Os Correios informam que possuem 193 unidades de atendimento no Estado. Esse número inclui agências convencionais e pontos alternativos de atendimento, como os espaços do serviço Clique e Retire.
Paralisação começou na quinta-feira
A greve começou às 21h de quinta-feira (10), no horário de Mato Grosso do Sul, após trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada pela empresa para o acordo coletivo de 2026/2027.
As assembleias ocorreram no mesmo dia. Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), 35 assembleias aprovaram a paralisação por tempo indeterminado.
A federação reúne seis sindicatos, entre eles o de Mato Grosso do Sul. O número de assembleias, porém, não representa a quantidade de sindicatos ou de unidades que efetivamente aderiram à greve.
Julgamento está marcado para dia 21
Os Correios protocolaram na sexta-feira (11) um dissídio coletivo no TST e pediram que a greve seja considerada abusiva.
A legalidade da paralisação e as reivindicações dos trabalhadores serão analisadas pela Justiça do Trabalho. O julgamento está marcado para segunda-feira (21), às 12h30 no horário de Mato Grosso do Sul, ou 13h30 em Brasília.
Até a sessão, empresa e trabalhadores ainda podem chegar a um acordo e encerrar a greve sem a necessidade de uma decisão judicial sobre o conflito.
Plano de saúde está no centro do impasse
A principal divergência entre as partes envolve o plano de saúde dos funcionários, aposentados e dependentes.
Os Correios afirmam que a proposta apresentada mantinha 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo anterior e previa reajuste de salários e benefícios pelo INPC.
As duas cláusulas restantes estão relacionadas justamente ao plano de saúde. O tema acabou concentrando o principal impasse das negociações.
Enquanto a paralisação continua, a empresa afirma ter adotado um plano de contingência. Entre as medidas estão o deslocamento de funcionários administrativos para atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões.
Segundo os Correios, as agências permanecem abertas.
Estatal acumula prejuízo bilionário
A greve ocorre em um momento de forte deterioração financeira dos Correios. A empresa fechou o primeiro semestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões, resultado 30,36% pior que o registrado no mesmo período de 2025.
Somente no segundo trimestre, o prejuízo foi de R$ 2,39 bilhões. No primeiro trimestre, o resultado negativo ficou próximo de R$ 3,16 bilhões.
Em todo o ano de 2025, a estatal registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões, contra R$ 2,6 bilhões em 2024.
A empresa também formalizou recentemente um pedido de empréstimo de R$ 7 bilhões a bancos privados. A operação depende de aval do Tesouro Nacional como garantidor.
O que muda para quem espera uma encomenda
A decisão do TST não encerra a greve nem garante que os prazos normais de entrega serão mantidos. A principal mudança é a obrigação de preservar pelo menos 80% do efetivo em cada unidade enquanto durar a paralisação.
Em Mato Grosso do Sul, a greve segue mantida, mas ainda não há divulgação pública sobre o percentual de adesão por agência.
