Estrutura sobre o Rio Aquidauana está bloqueada há seis meses; cinco estudantes fazem travessia a pé e obra deve começar em outubro
Crianças que vivem na zona rural entre Dois Irmãos do Buriti e Terenos atravessam diariamente, a pé e uma por vez, uma ponte interditada sobre o Rio Aquidauana para conseguir chegar ao transporte escolar.
A estrutura está bloqueada há cerca de seis meses por risco de desabamento. Mesmo assim, cinco estudantes precisam passar pelo local porque não há uma rota alternativa próxima que permita acesso rápido até o ponto de embarque.
Segundo moradores, depois de atravessar a ponte, as crianças ainda caminham aproximadamente 600 metros até o local onde o ônibus escolar consegue chegar.

Estudantes dependem da travessia
Jucilene Pereira Benedito mora em uma chácara a cerca de 5 quilômetros da ponte, na região do Condomínio Bacuri, em Dois Irmãos do Buriti.
O filho dela, de 13 anos, está entre os estudantes que fazem a travessia diariamente.
Além dele, outras quatro crianças também utilizam a ponte para conseguir chegar ao transporte escolar.
O ônibus não se aproxima da estrutura interditada. Após a travessia, os alunos seguem a pé por mais cerca de 600 metros.
Do ponto de embarque até a escola, localizada no Assentamento 7 de Setembro, em Terenos, ainda são aproximadamente 22 quilômetros por estrada vicinal.
Moradores relatam medo de acidente
Jucilene acompanha as travessias e afirma temer que a estrutura ceda enquanto as crianças estiverem sobre ela.
“Estão esperando acontecer uma tragédia, aí eles resolvem arrumar essa ponte”, afirmou.
A família relata que a interdição também compromete o acesso a outros serviços básicos na região.
Interdição afeta saúde e abastecimento
Segundo os moradores, o problema não se limita ao transporte dos estudantes.
Jucilene conta que a família enfrenta dificuldade para chegar a unidades de saúde e para buscar medicamentos.
Até produtos destinados à alimentação de animais precisam ser transportados manualmente pela ponte, já que veículos não conseguem atravessar.
Moradores também relatam problemas para acessar mercados e outros estabelecimentos localizados do outro lado do rio.
Desvio pode acrescentar três horas ao trajeto
O guia de pesca Alex Chueriy, vice-presidente da Associação de Moradores do Recanto Nuara, afirma que a interdição afeta famílias dos dois lados da ponte.
Segundo ele, moradores da região do Bacuri dependem da travessia para acessar comércios instalados no Recanto Nuara, em Terenos.
A alternativa para veículos exige uma volta por Cipolândia e passagem pela Ponte do Grego.
De acordo com Alex, esse caminho pode aumentar em cerca de três horas o tempo de deslocamento.
Reparos devem começar em outubro
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística informou que o processo para contratar a empresa responsável pelo reparo da ponte está em fase de licitação.
A previsão é de que os trabalhos comecem em meados de outubro de 2026, depois da conclusão da contratação.
O prazo estimado para execução dos serviços é de 90 dias.
Até lá, moradores continuam convivendo com a interdição e com dificuldades de deslocamento entre as duas regiões.
A Prefeitura de Terenos também foi procurada para se manifestar sobre a situação, mas não havia respondido até a divulgação das informações.