Parlamentar destaca ameaça causada pela expansão urbana descontrolada e pressiona o governo estadual por normas para proteger a Zona de Amortecimento do parque, que corre risco de virar “selva de pedra”.
Em um alerta que mistura preocupação ambiental e crítica à falta de ação do poder público, o deputado estadual Paulo Duarte (PSB) fez um apelo direto ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação e ao Instituto de Meio Ambiente do Estado (Imasul). A solicitação: a imediata regulamentação da Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Prosa, localizado em Campo Grande.
A demanda do parlamentar ocorre diante de um cenário que ele classifica como alarmante. De acordo com informações extraídas do Plano de Manejo da reserva – elaborado pelo Imasul – o entorno do parque tem sido alvo de uma intensa pressão imobiliária. Segundo Duarte, a ausência de critérios normativos para a ocupação da região pode comprometer de forma irreversível o equilíbrio ecológico da unidade de conservação, que inclui ainda o Parque dos Poderes, sede de diversos órgãos governamentais.
Entre as ameaças concretas destacadas por Paulo Duarte estão a construção de arranha-céus de até 30 andares e a previsão de implantação de mais de 5 mil unidades habitacionais, mais de 500 estabelecimentos comerciais e cerca de sete mil vagas de estacionamento nos arredores da reserva. Para ele, esse modelo de crescimento urbano, se não for controlado, resultará na destruição das rotas de aves migratórias, na supressão da vegetação nativa e no aumento da impermeabilização do solo – fatores que, em conjunto, podem levar a um colapso do sistema ecológico do parque.
“A expansão urbana desordenada afeta diretamente a fauna e a flora locais, altera o ciclo da água e compromete a qualidade de vida da população. Se continuarmos nesse ritmo, toda essa área verde se transformará em uma selva de pedra”, declarou o deputado. A fala reflete a indignação de quem acompanha, desde 2022, os alertas técnicos sobre a urgência de regulamentação da Zona de Amortecimento – um cinturão de proteção que se estende por aproximadamente 14 quilômetros ao redor do Parque do Prosa e que, na prática, deveria funcionar como um escudo contra o avanço urbano predatório.
A regulamentação solicitada pelo parlamentar inclui uma série de critérios técnicos e ambientais. Entre eles, o estabelecimento de limites para a densidade demográfica líquida por hectare, a definição de índices mínimos de permeabilidade do solo, o reordenamento do tráfego viário local e a padronização de práticas como o uso de defensivos para o controle de espécies invasoras. Segundo especialistas, essas medidas são fundamentais para manter a resiliência ecológica da reserva e garantir sua função ambiental, social e cultural para a capital sul-mato-grossense.
O Plano de Manejo do Parque Estadual do Prosa é claro ao apontar que a falta de controle sobre a ocupação do entorno ameaça a integridade da unidade de conservação. A ausência de uma política pública efetiva para a Zona de Amortecimento já vem provocando alterações perceptíveis no ecossistema da região, onde vivem espécies endêmicas e onde se encontra uma das poucas áreas verdes contínuas de Campo Grande.
Duarte enfatiza que sua iniciativa não se trata de um posicionamento isolado, mas de um chamado à mobilização coletiva. “É preciso que a Assembleia Legislativa, o Governo do Estado e toda a sociedade civil se unam em defesa dessa causa. Não se trata apenas de preservar árvores ou animais, mas de garantir a qualidade de vida das gerações futuras e proteger um patrimônio natural e cultural inestimável”, afirmou.
A preocupação do parlamentar ecoa um debate crescente em todo o Brasil: o embate entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental. No caso específico do Parque Estadual do Prosa, a balança parece pender perigosamente para o lado da especulação imobiliária, a menos que medidas concretas sejam adotadas rapidamente.
O apelo de Paulo Duarte, portanto, vai além da denúncia. Ele propõe um caminho baseado na legislação, na ciência e na gestão ambiental responsável. Cabe agora ao Executivo estadual e aos órgãos competentes responderem à altura da urgência apontada.
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Autoria: Sarah Pacini