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Documentário Sabores Sem Fronteiras celebra culinária

Com direção de Elis Regina Nogueira, o documentário explora como as receitas tradicionais do Mato Grosso do Sul preservam histórias, memórias e uma rica mistura cultural entre Brasil, Paraguai e Bolívia.

A Culinária das Fronteiras: Entre Sabores e Histórias

Mato Grosso do Sul é conhecido pela sua rica diversidade cultural e pela forte conexão com as fronteiras que compartilha com o Paraguai e a Bolívia. Em meio a essa troca de influências, um novo projeto audiovisual está prestes a ganhar os corações e paladares do público. O documentário “Sabores Sem Fronteiras”, que estreia em 2026, promete revelar como a culinária local é mais do que uma simples refeição, mas um elo que conecta histórias, tradições e memórias de diferentes povos.

Com direção da jornalista e fotógrafa Elis Regina Nogueira, o filme traz um olhar intimista sobre a culinária das regiões de fronteira e como ela serve como preservadora de identidades e culturas. A obra acompanha a trajetória de quatro mulheres que transitam entre Brasil, Paraguai e Bolívia e que, por meio das suas receitas, mantêm vivas as tradições gastronômicas que atravessam gerações. Essas mulheres, verdadeiras guardiãs do saber alimentar, são protagonistas de um documentário que celebra a força e a importância da comida como patrimônio imaterial.

As filmagens ocorreram nas cidades de Corumbá, Bela Vista e Ponta Porã, no lado brasileiro da fronteira, além das localidades vizinhas de Puerto Quijarro (Bolívia), Bela Vista Norte e Pedro Juan Caballero (Paraguai). Em cada um desses lugares, o documentário explora não apenas as receitas, mas também o modo como esses pratos simbolizam a convivência pacífica e a fusão de culturas de diferentes países. Entre as delícias que ganham destaque, estão a chipa, a sopa paraguaia, o majadito, a saltenha e o massaco. Cada um desses pratos carrega consigo não apenas sabores, mas também as histórias das pessoas que os preparam.

Conexões Transfronteiriças e a Tradição das Receitas

Uma das personagens centrais do documentário é Candelária Lemos, de Corumbá, que cresceu aprendendo a arte de fazer saltenhas bolivianas com sua mãe, Dona Arialba. As saltenhas são um ícone da culinária boliviana, feitas de uma massa recheada com carne, frango ou vegetais e fritas até dourarem. Candelária, ao longo dos anos, aprimorou a receita e a adaptou ao seu estilo pessoal, mas sempre mantendo a essência que a torna uma verdadeira representante das tradições da região. Sua história de aprendizado e transmissão de saberes destaca como a culinária não é apenas uma atividade doméstica, mas uma forma de perpetuar identidades.

Do outro lado da fronteira, em Puerto Quijarro, Martha Parabá Salvatierra é uma das protagonistas que representa a tradição culinária boliviana. Ela prepara o massaco, um prato típico à base de banana verde, que é uma verdadeira iguaria regional. Além de ser uma das figuras centrais na preservação das receitas familiares, Martha compartilha com o documentário como transmite essa arte para as novas gerações, inclusive ao seu neto de 8 anos, garantindo que as tradições nunca se percam.

O documentário tem como foco não apenas a gastronomia, mas o processo de transmissão cultural. Como Elis Regina Nogueira, diretora do projeto, bem coloca: “Mais do que alimento, cada receita é símbolo de união e respeito às origens”. A ideia é mostrar que a comida transcende o simples ato de comer, ela carrega significados profundos e é uma das maneiras mais poderosas de manter vivas as tradições e histórias de uma comunidade.

A Culinária Como Patrimônio Imaterial

O conceito de patrimônio imaterial, que é fundamental para o documentário, tem como objetivo reconhecer e preservar as tradições e práticas culturais que, muitas vezes, não estão visíveis nos museus ou monumentos, mas que fazem parte do cotidiano das pessoas. A culinária, em particular, é uma expressão cultural viva que se transmite de geração em geração, mantendo em cada receita um pedaço da história de um povo.

O projeto de Elis Regina Nogueira busca refletir sobre como esses pratos, muitas vezes humildes, são verdadeiros testemunhos de resistência cultural e de adaptação, ao mesmo tempo em que representam a capacidade das pessoas de se conectar com outras culturas. O documentário, com suas imagens e relatos autênticos, será uma oportunidade de refletir sobre o poder transformador da comida e a maneira como ela conecta não apenas os sabores, mas também as almas de diferentes povos.

A exibição do filme, prevista para o ano de 2026, promete alcançar um público amplo. Além das exibições em festivais de cinema, o documentário será disponibilizado em escolas, universidades e plataformas digitais, com a proposta de alcançar também a educação. Para isso, será lançado um e-book interativo voltado para professores e alunos, com trechos do filme e reflexões sobre o papel da culinária na construção da identidade cultural.

A Força das Mulheres e a Gastronomia

Outro ponto de destaque do documentário é a presença de mulheres como principais protagonistas, que são as responsáveis por manter vivas essas tradições culinárias. O papel da mulher como transmissora de saberes e como líder na preservação da cultura local é fundamental para a continuidade dessas práticas. As personagens retratadas não são apenas cozinheiras, mas também mantenedoras da memória de seus povos, sendo, em muitos casos, as responsáveis por ensinar seus filhos e netos os sabores da terra.

Em um cenário de fronteiras permeáveis e trocas culturais constantes, “Sabores Sem Fronteiras” é uma homenagem ao poder transformador da comida, que vai além do simples prazer sensorial. Ele reforça a ideia de que as fronteiras que separam países também podem ser superadas através do entendimento e respeito pelas tradições e culturas dos outros.

Ao acompanhar o trabalho dessas mulheres e suas receitas, o documentário oferece uma verdadeira celebração da culinária como um patrimônio vivo que fortalece laços de identidade, respeito e convivência. Mais do que uma viagem gastronômica, “Sabores Sem Fronteiras” é uma jornada de descobertas sobre a importância das culturas que convivem, cruzam e se entrelaçam nas fronteiras de Mato Grosso do Sul.

Autoria: Sarah Pacini

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