Embora o comparecimento às urnas seja obrigatório no país para os cidadãos aptos, o eleitor tem total liberdade para não escolher nenhum candidato específico durante o pleito, optando por alternativas como o voto em branco, o nulo ou o voto de legenda.
O funcionamento na urna eletrônica A principal divergência entre as opções está no procedimento adotado pelo eleitor no momento da votação. O voto em branco é registrado ao pressionar a tecla específica na urna, enquanto o nulo ocorre quando se digita uma sequência numérica inexistente antes da confirmação. No entanto, o resultado final na apuração é o mesmo para ambos: eles são descartados da contagem de votos válidos e não beneficiam nenhum partido ou político.
O que diz a lei sobre o voto em branco De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto em branco é aquele em que o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos. Desde 1997, com a promulgação da Lei n.º 9.504, esse voto não é considerado válido e não interfere no resultado da apuração. Antes de 1997, a regra funcionava de outra forma, pois os votos brancos eram direcionados ao candidato vencedor e vistos como uma opção conformista, na qual o eleitor sinalizava que estava satisfeito com qualquer resultado. No modelo atual, para votar dessa forma, basta apertar a tecla correspondente e confirmar. Na época das cédulas de papel, o procedimento consistia em deixar o documento totalmente sem marcações.
A história e o significado do voto nulo Historicamente associado a um protesto contra os políticos e suas propostas, o voto nulo exige a digitação de um número que não corresponda a nenhuma candidatura ou legenda existente, como a sequência “00”. Assim como os brancos, eles são inválidos para a Justiça Eleitoral. Essa insatisfação gerou episódios pitorescos na política nacional, a exemplo de 1959, quando o rinoceronte Cacareco recebeu cerca de 100 mil votos em São Paulo, e de 1988, quando o macaco Tião ganhou notoriedade no Rio de Janeiro. Embora tenham alcançado votações expressivas, nenhum assumiu um cargo público, já que todos foram computados como nulos.
O impacto indireto na apuração A única forma dessas escolhas influenciarem o resultado é de maneira indireta, pois reduzem o montante total de votos válidos. Quanto maior o índice de brancos e nulos, menor se torna a base de cálculo, o que facilita a obtenção da maioria absoluta exigida, especialmente em disputas de segundo turno. Um mito recorrente é a crença de que uma maioria de votos inválidos poderia anular o pleito. Pela legislação brasileira, as eleições são definidas exclusivamente por quem se manifesta em favor de candidatos elegíveis, o que significa que o resultado permanece válido mesmo se uma porcentagem esmagadora da população rejeitar todas as opções.
Como funciona o voto de legenda Exclusivo para eleições proporcionais de cargos como vereadores, deputados estaduais e federais, o voto de legenda serve para fortalecer os partidos políticos. Nele, o eleitor digita apenas os dois primeiros números da agremiação, ajudando a somar apoios na disputa pela Câmara dos Deputados ou pelas assembleias legislativas sem indicar um nome específico. Nas eleições de 2026, essa modalidade representou 4,73% dos 226.417.160 votos válidos para o parlamento, registrando o menor número da série histórica iniciada em 1998. Em contrapartida, a disputa presidencial acumulou 1,84% de votos em branco e 2,93% de nulos, mantendo patamares semelhantes aos do pleito anterior.
