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Endividamento atinge mais da metade da população em MS

Com 54,1% dos adultos inadimplentes, Mato Grosso do Sul enfrenta cenário crítico de dívidas. Cartões de crédito, inflação e juros altos estão entre os principais vilões do orçamento familiar.

A crise econômica continua a deixar marcas profundas no bolso do brasileiro, e em Mato Grosso do Sul o impacto tem sido especialmente severo. De acordo com levantamento recente da plataforma Pagou Fácil, vinculada à financeira Paschoalotto, o estado ocupa a quinta posição entre os mais inadimplentes do Brasil, com 54,1% da população adulta em situação de dívida em atraso no mês de março deste ano.

O estudo, divulgado em 19 de maio de 2025, consolida dados próprios da plataforma, além de informações de instituições como o Serasa, e revela que mais da metade dos sul-mato-grossenses adultos enfrenta dificuldades para cumprir seus compromissos financeiros. Em uma população que convive com inflação persistente, juros elevados e uma economia em ritmo lento, o cenário é de aperto e insegurança.

Cartão de crédito lidera fontes de dívida

O principal fator que tem levado os consumidores ao endividamento é o uso do cartão de crédito, responsável por 28,5% das dívidas registradas em Mato Grosso do Sul. Os juros rotativos dessa modalidade continuam entre os mais altos do mercado, o que transforma uma compra parcelada em uma bola de neve difícil de ser contida, especialmente para quem já está com o orçamento comprometido.

Logo atrás, aparecem as contas básicas — água, energia elétrica e gás — que representam 20,6% dos débitos. Esses serviços essenciais se tornam ainda mais difíceis de manter em dia diante do encarecimento do custo de vida. Em seguida vêm serviços diversos, como telefonia e internet (19,1%), e empréstimos com financeiras, que respondem por 11,2% das pendências.

Dados nacionais revelam aumento generalizado da inadimplência

O cenário preocupante em Mato Grosso do Sul acompanha uma tendência nacional. Em março de 2025, 75,7 milhões de brasileiros adultos estavam inadimplentes, o que corresponde a 46,6% da população nessa faixa etária. O número representa um aumento de 2,8 milhões de pessoas em relação ao mesmo período de 2024 — um crescimento de 3,8% em um ano.

O valor médio das dívidas também subiu. Atualmente, um brasileiro deve em média R$ 1.588, segundo a pesquisa. A soma total das dívidas no país chega a impressionantes R$ 438 bilhões, o que representa uma elevação de 13% no comparativo anual.

Esse aumento não se dá apenas pela inflação, mas também pelo impacto dos juros altos sobre o crédito ao consumidor, que se tornaram mais onerosos, reduzindo o poder de pagamento das famílias e levando muitas a recorrerem a novos empréstimos para quitar dívidas anteriores — um ciclo difícil de romper.

MS entre os piores do país no ranking da inadimplência

No ranking nacional, Mato Grosso do Sul só fica atrás de Amapá (61,8%), Distrito Federal (60,1%), Rio de Janeiro (55,6%) e Amazonas (54,5%) em termos de inadimplência.

Por outro lado, alguns estados demonstram maior equilíbrio financeiro. Santa Catarina apresenta a menor taxa de inadimplência, com 36,5% da população adulta com dívidas em atraso, seguida por Piauí (37%) e Espírito Santo (41,5%).

Inflação e juros corroem o orçamento das famílias

Especialistas apontam que o avanço da inadimplência é consequência direta da inflação acumulada nos últimos anos e da manutenção de taxas de juros elevadas, que afetam o consumo e reduzem a margem para imprevistos. Com a inflação corroendo o poder de compra, muitos consumidores são forçados a recorrer ao crédito para cobrir despesas básicas, o que, combinado aos juros altos, leva a uma espiral de dívidas.

Além disso, a desaceleração da economia nacional, marcada por incertezas no mercado de trabalho e baixo crescimento do PIB, contribui para o aumento da inadimplência, uma vez que muitas famílias perdem renda ou não conseguem novos postos de trabalho.

Medidas de recuperação ainda são tímidas

Apesar de algumas iniciativas de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola Brasil, a recuperação financeira das famílias ainda avança a passos lentos. A falta de educação financeira, combinada com o fácil acesso ao crédito e a escassez de políticas públicas voltadas ao controle do endividamento, agrava ainda mais o quadro.

Para especialistas, o momento exige ações mais amplas: redução dos juros, fomento à renegociação com condições justas, programas de educação financeira e estímulo à geração de renda são considerados essenciais para reverter o atual panorama.

Enquanto isso, o consumidor sul-mato-grossense continua lidando com as consequências diretas da instabilidade econômica. E a cada mês que passa, mais pessoas entram para as estatísticas da inadimplência — muitas vezes, sem perspectivas claras de sair.

Para mais notícias sobre economia, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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