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Especialista alerta para risco de 3ª Guerra Mundial

Segundo o professor André Lajst, apesar da escalada militar, potências globais como EUA e Rússia evitam envolvimento direto e não demonstram interesse em um confronto global.

Apesar da intensificação dos confrontos entre Israel e Irã, com ataques aéreos, mortes de civis e ameaças de retaliação, o risco de um conflito em escala global ainda é muito baixo, de acordo com o professor André Lajst, especialista em Oriente Médio. Em entrevista concedida ao portal Metrópoles, o analista descartou a possibilidade de que a atual crise se transforme em uma Terceira Guerra Mundial.

Para Lajst, a lógica geopolítica que rege os interesses das grandes potências não favorece um cenário de guerra global. “Não há chance de uma Terceira Guerra Mundial. Para isso, você precisa ter duas potências envolvidas. E, aqui, não temos nenhuma”, afirmou.

Potências evitam confronto direto

O especialista explicou que o Irã não possui capacidade militar suficiente para enfrentar, de maneira eficaz, Israel e seus aliados ocidentais, como Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido. Além disso, nem os EUA demonstram intenção de defender Israel de forma direta e total, nem a Rússia parece disposta a intervir em defesa do Irã, apesar da proximidade estratégica com Teerã em outras arenas, como a Síria.

“A Rússia deve seguir um caminho semelhante ao adotado pelos Estados Unidos na guerra da Ucrânia. Não vejo interesse dos russos em entrar em uma guerra para proteger os interesses iranianos, da mesma forma que os norte-americanos não entraram em confronto direto com a Rússia por causa da Ucrânia”, disse Lajst.

Esse comportamento das grandes potências reflete uma estratégia de contenção, típica de um cenário multipolar, em que conflitos regionais são tratados de forma localizada, sem a intenção de desencadear uma cadeia de alianças militares como ocorreu nas guerras mundiais do século 20.

Escalada no Oriente Médio

Os confrontos recentes escalaram após uma série de ataques coordenados por Israel contra alvos estratégicos em território iraniano, na madrugada do dia 13 de junho. Segundo informações da imprensa iraniana, ao menos 60 pessoas morreram, incluindo 20 crianças. A mídia israelense, por sua vez, relatou três mortes em seu território.

As cidades de Teerã, Tabriz, Isfahã, Kermanshah e Arak foram atingidas por explosões, resultado da operação conduzida pelas Forças de Defesa de Israel. O objetivo, de acordo com o governo de Benjamin Netanyahu, foi conter o avanço do programa nuclear iraniano, que, segundo Tel Aviv, estaria próximo de adquirir capacidade de produzir várias bombas nucleares.

Em pronunciamento oficial, o primeiro-ministro israelense declarou: “Israel não permitirá que o Irã desenvolva armas de destruição em massa”. A ofensiva, embora limitada territorialmente, gerou temores de uma reação em cadeia por parte de aliados do Irã, como o Hezbollah no Líbano e grupos militantes ativos na Síria e no Iraque.

Programa nuclear iraniano e sobrevivência do regime

André Lajst também explicou que o projeto nuclear do Irã está diretamente ligado à estratégia de sobrevivência do regime teocrático, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979. Para o professor, os líderes iranianos acreditam que a obtenção de armas nucleares garante estabilidade política e intimidação no cenário internacional.

“O regime iraniano está, desde 2002, tentando transformar seu programa nuclear civil em um programa militar. Eles observam o que aconteceu com países como a Líbia e o Iraque, que abandonaram seus programas e acabaram enfrentando intervenções externas e queda de seus regimes”, afirma. “Por outro lado, olham para a Coreia do Norte, que se tornou uma potência nuclear, e hoje é tratada com cautela no xadrez da geopolítica global.”

Essa lógica, segundo Lajst, leva o Irã a insistir em seu programa atômico, mesmo sob risco de sanções e bombardeios. O temor israelense, compartilhado por parte da comunidade internacional, é de que um Irã nuclear represente uma ameaça existencial, especialmente considerando sua retórica anti-Israel e o apoio a grupos armados na região.

Risco regional, mas não global

Embora a situação esteja longe de se estabilizar, Lajst reforça que o conflito permanece regional e, até o momento, não há indicativos concretos de envolvimento direto das grandes potências. “É preciso separar o barulho da guerra da realidade diplomática. As potências estão operando com cautela. O mundo está mais interconectado e os custos de uma guerra mundial são imensamente altos, inclusive economicamente.”

Ainda assim, o professor não descarta que o conflito possa se intensificar em outros países do Oriente Médio, especialmente através de milícias pró-Irã ou em ataques pontuais contra bases aliadas dos EUA. Mas, mesmo nesses casos, a tendência é de contenção e resposta limitada.

A análise de André Lajst aponta que, embora o cenário atual gere apreensão e sofrimento real em diversas populações, não representa, até agora, um prelúdio para uma nova guerra mundial, mas sim mais um episódio da longa e complexa disputa por influência no Oriente Médio.

Para mais notícias sobre geopolítica, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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